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Chefes de indústrias são demitidos do PIM

De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e industriário da Yamaha, Valdemir Barreto, na última semana, a Yamaha demitiu 35 funcionários, incluindo colaboradores que vieram do Sudeste para ocupar cargos de chefia 13/06/2012 às 17:26
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Hoje será homologada, no Sindicato dos Metalúrgicos, a demissão de mais 35 funcionários da Yamaha, sendo quatro chefes de setores.
Renata Magnenti Manaus

O clima de insegurança que assombra os industriários em Manaus ganha novos contornos, atingindo, agora, funcionários do alto escalão. Nesta quarta-feira (13) será homologada, no Sindicato dos Metalúrgicos, a demissão de mais 35 funcionários da Yamaha, sendo quatro chefes de setores.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e industriário da Yamaha, Valdemir Barreto, na última semana, a Yamaha demitiu 35 funcionários, incluindo colaboradores que vieram do Sudeste para ocupar cargos de chefia. “A situação é preocupante. Mas acho que as demissões serão paralisadas, devido à nossa data-base que vence em agosto”, disse.

Valdemir informou que a Yamaha, em épocas de economia aquecida, produzia 21 mil motos por mês e todas eram vencidas. Hoje, são produzidas 20 mil e somente 14 mil estão sendo vendidas. “Isso quer dizer que todo mês fica no estoque 6 mil novas motos”, afirmou.

Segurando
Na Honda, segundo o diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos e industriário da fábrica, Raimundo de Oliveira, a política é segurar o maior número de funcionários possíveis. No entanto, por empregar mais a Honda é a que mais demite.

Neste primeiro trimestre, por exemplo, a Honda demitiu 422, contra 224 no mesmo período no ano passado. A indústria como todo demitiu neste período 6.188, enquanto, no ano passado, foram registradas 3.043 demissões.

Na avaliação do presidente da Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do PIM (Aficam), Cristóvão Pinto, essa é a resposta da indústria em meio à crise que têm assolado, em especial, o polo de duas rodas. “Enquanto, não houver crédito para financiamento, as fábricas não voltarão ao o azul. A situação é difícil e a cada dia se agrava”, ponderou.

Cristóvão afirmou, ainda, que em efeito cadeia, se não há como adquirir um bem a ordem é produzir menos, por conseguinte, demite-se mais e o resultado será queda na arrecadação do Estado. “O único caminho é os bancos voltarem a oferecer crédito e o Governo Federal reduzir os encargos sociais em energia elétrica, telefone. Será necessária uma compensação para se manter os empregos”.

Para o economista José Laredo, apesar do cenário adverso, as demissões devem acontecer somente até agosto e depois o setor deve se aquecer para o final do ano. “O governo tem estimulado o crédito e apesar da incerteza quando ao futuro, as coisas deverão melhorar”.

A assessoria de imprensa da Yamaha informou que os ajustes realizados até então foram à última alternativa de adequação da capacidade de produção à demanda atual.

O custo da demissão
Na avaliação da presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC-AM), Jeanne Figueira, mandar um funcionário embora corresponde a um gasto de 110% a mais do que uma contratação. Se o colaborador ocupar um cargo de chefia, o valor é ainda mais elevado. Com o novo aviso prévio, os empregadores têm que pagar mais aos seus funcionários.

Então, os funcionários cumprirão 30 dias de aviso, mas receberá de acordo com o tempo de serviço prestado. Exemplo, o funcionário que ficou na fábrica por cinco anos receberá aviso por 42 dias, o que ficou 10 anos por 90 dias. Há uma tabela que define a contagem. Além disso deverá ser pago 40% de FGTS, férias proporcionais e décimo terceiro.

110%
A mais que a contratação é o custo de demitir um funcionário
A empresa tem que calcular o aviso prévio, férias vencidas e proporcional, entre outros encargos.

6.188
Industriários demitidos no primeiro trimestre
No ano passado, a indústria em Manaus demitiu 3.043. No período, a Honda lídera as demissões, seguida da LG Eletrônico e Eletrolux.