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Cotidiano, Haitianos, refugiados

Chegada de mais de 200 haitianos expõe falta de estrutura para abrigar refugiados em Manaus

Integrante da Pastoral do Migrante cobrou uma posição das autoridades constituídas para com o caso, bem como auxílio das demais denominações cristãs 24/01/2012 às 21:00
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Espalhados pela área externa da igreja de São Geraldo, grupo de haitianos aguarda por ajuda
Síntia Maciel Manaus

A chegada de um grupo de 208 haitianos em Manaus, na manhã desta terça-feira (24), expôs um problema, que há tempos se intensifica na cidade, a falta de estrutura e de apoio do poder público em atender os refugiados, que há mais de um ano desembarcam no Brasil com a esperança de dias melhores.

“Hoje será um marco, pois não temos estrutura para abrigar todas essas pessoas. O governo tem que fazer alguma coisa”, enfatizou o padre Gelmino Costa, da pastoral do Migrante, da paróquia de São Geraldo, localizada na Zona Centro-Sul de Manaus, que acolhe os grupos que chegam à capital amazonense.

Ele lamentou a falta de empenho, por parte do governo em auxiliar com abrigos, mantimentos ou mesmo buscando recursos por via federal para atender os refugiados.

“O Governo Federal pode contribuir, liberar auxílio. Um exemplo é o Estado do Acre, que também vem recebendo grupos de haitianos e já conta com auxilio federal. Falta alguém no Amazonas que viabilize, intermedeie junto ao Governo Federal”, desabafou.

Segundo Costa, a paróquia tinha conhecimento de que novos grupos de haitianos chegariam no decorrer da semana em Manaus, vindos do município de Tabatinga – situado a 1.105 quilômetros da capital. Entretanto, a expectativa era a de que os refugiados viessem em grupos pequenos de 40 a 60 pessoas.

“Infelizmente não teremos como acolher todos eles”, disse o padre, salientando que teria apenas uma sopa para oferecer ao grupo, além de estender uma lona na quadra da igreja, para abrigá-los das intempéries.

O clérigo também fez um apelo às demais igrejas cristãs, para que mostrem o  seu lado social, ajudando a acolher os refugiados, com abrigos e alimentação, e caso seja possível, com  empregos.

Auxílio
“Essas pessoas precisam de emprego. Se cada um fizesse a sua parte, acredito que a igreja não estaria tão sobrecarregada”, declara o arquiteto Antero Sá Neto, que em meio a movimentação dos 208 haitianos, distribuía alguns produtos comestíveis aos refugiados.

O arquiteto também informou que já empregou oito haitianos em construções diversas da cidade, além de estar com a possibilidade de empregar outros 15, nas obras de um hotel.  

Melhorias
Há três meses no Brasil, o pintor haitiano Coleus Elusmé, 36, é um dos 208 haitianos, que desembarcaram hoje em Manaus.

Carregando uma pasta com os documentos em baixo do braço, Elusmé se disse esperançoso em conseguir u emprego em terras brasileiras, para poder trazer a mulher e os cinco filhos, que ficaram na capital haitiana Porto Príncipe.

“Estou há três meses no Brasil, mas tenho esperanças de conseguir um emprego e ficar por muito mais tempo aqui”, salientou.   

Atendimento humanitário
Por meio de uma nota divulgada na tarde desta terça-feira (24), pela Agência de Estado de Comunicação (Agecom), o Governo do Amazonas tem prestado atendimento humanitário aos haitianos com ações de acolhimento na Casa do Migrante Jacamim, localizada no bairro de Flores, Zona Centro-Sul de Manaus, com encaminhamento para vagas de emprego, doações de colchões, beliches, cestas básicas, entre outros itens.

Ao mesmo tempo, o Governo do Estado tem mantido contato com o Governo Federal, a quem cabe atender a demanda dos imigrantes, para uma solução ao problema, agravado com o aumento da entrada de haitianos em Manaus.

Anda de acordo com a nota, o Ministério do Desenvolvimento Social informou ao Governo do Estado  que enviará a Manaus no próximo dia 1º de fevereiro uma equipe de técnicos para avaliar a situação dos haitianos no Estado e definir medidas para atender esta demanda social.