Publicidade
Cotidiano
Notícias

Cheia inibe os compras no centro e estimula vendas em bairros e shoppings

Com ruas alagadas e mudanças no trânsito, o comércio do Centro sente o impacto às vésperas do Dia dos Namorados. Shoppings e bairros têm a preferência. 07/06/2012 às 14:33
Show 1
Movimento é menor pelas dificuldades de acesso e estacionamento no Centro
Cimone Barros Manaus

Com as mudanças no Centro de Manaus, por conta da enchente, uma parte dos consumidores passou a dar preferência aos centros comerciais dos bairros e aos shoppings da cidade. A pesquisa de intenção de compras do Dia dos Namoradores realizada pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus) já traz um indicador dessas mudanças, que paulatinamente já vinham ocorrendo e foram intensificadas nos últimos dias.

O Centro, que historicamente está na frente nas opções de compras, cedeu lugar, por uma pequena diferença, para o shopping, com 39,3% e 39,5%, respectivamente. Já o comércio de bairro ficou com 16% das preferências. Na pesquisa anterior com vistas ao Dia das Mães, 46,3% dos consumidores disseram que preferiam comprar no Centro, 28,1% nos shoppings e 21,8% nos bairros.

A professora Iza Carvalho, 50, é uma dessas consumidoras. Morando no Parque 10, Zona Centro-Sul, um bairro bem servido de comércio e de infraestrutura de serviços, ela disse que vai poucas vezes ao Centro fazer suas compras e agora com as mudanças no trânsito e dificuldade de ônibus vai “menos ainda”. Houve uma redução de cerca de cem vagas de estacionamento nas ruas do Centro. “Vim hoje porque o consultório do meu médico é aqui”.

Lojistas sentem o impacto nas vendas. “Hoje temos uma queda em torno de 10% comparada a igual período do ano passado”, disse o gerente da loja Shop do Pé, na rua Marechal Deodoro.

De acordo com o presidente da CDL-AM, Ezra Benzion, a situação do Centro não é confortável nem para s lojista nem para o consumidor. “Desde a última semana, com as mudanças no trânsito, mais pessoas procuraram os shopping e os comércios de bairro. Mas o rio dá sinais de  vazante e esperamos que nos próximos 15 dias a situação seja outra e que o Centro volte a ser o maior local de compras da cidade”.

 Opinião de Abdel Kader Ismail ,dono do Atacadão Globo, no Centro

 “Com a cheia  que alagou aí na frente  (trecho da Eduardo Ribeiro próximo ao prédio da Receita Federal) e as alterações no trânsito, minhas vendas caíram uns 80% e há uns 15 dias meus cheques começaram a voltar. O movimento aqui nessa área morreu e não vejo melhoras de curto prazo. Acho que vai melhorar mesmo só em dezembro. Tudo isso que aconteceu espantou uma parte sociedade do Centro, que foi para os shoppings e para os bairros. Com isso já demiti oito funcionários (algumas passaram mal com esse mau cheiro da rua, outros pediram para sair) e hoje temos apenas cinco funcionários na loja. A situação está muito difícil e é preciso que a prefeitura e o governo cheguem junto e nos ouçam".