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Com juros nas alturas, consórcio se torna uma boa alternativa para aquisição de imóveis e veículos

Levantamento realizado pela Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) constatou que o consórcio é segunda opção dos clientes na hora de comprar bens 10/10/2015 às 19:51
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O consumidor deverá levar em consideração que, quando se trata de transações envolvendo bens de alto valor, “se por algum motivo você atrasar as prestações, a empresa credora poderá se apropriar do seu bem
Saadya Jezine ---

Diante da escalada dos juros, o consumidor pensa duas vezes antes de contratar um financiamento de longo prazo. Mas, nesse cenário, o consórcio se destaca como uma ótima alternativa para quem não tem pressa. Não é à toa que a modalidade cresceu 25% só neste ano.

Levantamento realizado pela Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip) constatou também que o consórcio é segunda opção dos clientes na hora de comprar bens como imóveis, carros e motocicletas.

Os dados são a comprovação que o consumidor está sendo cauteloso na hora de assumir uma nova dívida. Mas quais são as vantagens e desvantagens dessa modalidade?

A queda na utilização do financiamento bancário – de 11,6% de janeiro a agosto desse ano – reflete os contrapontos que a opção apresenta. Segundo o economista Igor Gonçalves, a hora é de evitar financiamentos. “Com os juros altos, a sua dívida acaba virando aquela ‘bola de neve’, difícil de ser quitada”, destacou o especialista.

O consumidor deverá levar em consideração que, quando se trata de transações envolvendo bens de alto valor, “se por algum motivo você atrasar as prestações, a empresa credora poderá se apropriar do seu bem. No entanto, existem leis específicas para isso, por isso, deverá consultar um profissional para evitar esse tipo de transtorno ou abuso por parte das empresas”, destaca o economista. Isso porque no consórcio, não existem juros, e essa é a grande diferença entre os financiamentos.

“Nessa última opção, você tem juros e uma taxa administrativa. É necessário que se tenha 30% do valor do produto para dar de entrada. No consórcio, você tem apenas a taxa administrativa. A mais baixa que temos é de automóveis (13%) e a mais alta são os imóveis (26%)”, destaca Luan Porto, gerente da Embracom em Manaus.

O consórcio sempre fez muito sucesso na venda de motocicletas, onde a maioria dos compradores prefere aderir a essa modalidade. Mas a modalidade também vem ganhando força no mercado imobiliário.

Vantagens e desvantagens

Além dos juros inexistentes nos consórcios, outros benefícios como menor burocracia, são um dos atrativos para a escolha dessa opção. Inicialmente, as empresas que utilizam esse meio, utilizam apenas os dados pessoais (RG, CPF), sem consulta aos órgãos de proteção ao crédito, SPC e Serasa. Só quando a transação é aprovada, para o crédito ser liberado, há consulta para verificar se está tudo bem com o seu nome e se há comprovação de renda para atestar que o cliente consegue assumir e quitar e a dívida.

“Eu mantive a calma. Inicialmente a minha vontade era adquirir um imóvel na planta. Para isso teria que aguardar em torno de três anos. Com isso, amadureci o pensamento em entrar no consórcio, depois que vi que o tempo de espera seria quase o mesmo e o dinheiro que eu pagaria como sinal, eu utilizei para dar o lance. O resultado foi satisfatório”, afirma Rosário Lima, autônoma.

A principal desvantagem do consórcio é a demora para a entrega do bem adquirido. Trata-se de uma modalidade que exige planejamento. O consultor de vendas Roberto Lima Aires pensou nisso na hora de trocar de carro.

“Quando terminal de pagar o financiamento do meu antigo carro, entrei logo no consórcio para comprar o próximo. Como eu já estava acostumado a não contar com o dinheiro da prestação, pagar o consórcio foi fácil”, lembra Aires, que já foi contemplado no consórcio e está de carro novo.

Outro fator é a sorte. Se o participante for contemplado logo nos primeiros sorteios, não precisará esperar muito. Por outro lado, quanto mais tempo ficar aguardando ser sorteado, mais tempo ficará pagando as taxas de administração.

Luan Porto, gerente da Embracom em Manaus

Consórcio: trata-se de uma poupança coletiva, na qual todos os participantes pagam uma parcela mensal, proporcional ao valor do bem. A cada mês, são sorteados membros do grupo que recebem o valor proposto. Além dos sorteios, há ainda a possibilidade de oferecer lances: o integrante responsável pelo maior lance do mês recebe a quantia combinada para a compra, e segue pagando as parcelas posteriores.

Financiamento: o financiamento nada mais é do que uma modalidade de empréstimo direcionado, operado por instituições bancárias. O comprador solicita ao banco a quantia exata para a compra do bem desejado. Após a aprovação do financiamento, o valor fica disponível para utilização imediata. O pagamento é realizado em parcelas, por um período pré-determinado, acrescido de juros, o que acaba onerando a operação.

Leasing: funciona mais ou menos como um contrato de aluguel. É mais usado na aquisição de automóveis. Nesta modalidade, o banco compra o automóvel e cede o direito de uso ao condutor, porém, mantém o carro em seu nome. O condutor pode utilizá-lo durante o período estabelecido em contrato, desde que pague pelas prestações. Após o término das parcelas, o condutor pode adquirir o carro ou devolvê-lo ao banco.