Publicidade
Cotidiano
Dia das Mães

Conheça histórias de mães que se tornaram sócias em negócios com seus filhos

 “A vantagem  de ter a mãe como sócia nos negócios  seria a confiança em ter um familiar  para dividir uma empresa, seus afazeres e responsabilidades”, avalia especialista em marketing 08/05/2016 às 13:43
Show 1079943
Fernanda Chami propôs à mãe Márcia investir na franquia da Grand Cru, que funciona desde outubro no Shopping Mundi. (Arquivo pessoal)
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

Mãe é uma parceira pra vida inteira. Disso ninguém tem dúvidas! Mas essa parceria pode ultrapassar os laços afetivos e seguir também para a vida profissional. Por que não? O +DINHEIRO  traz neste domingo, Dia das Mães, uma coleção de histórias de mães que viraram sócias e apostaram no mundo dos negócios com seus filhos.
Essa é a prova que a cumplicidade e a confiança da relação familiar podem ser os ingredientes essenciais para fazer a sociedade dar certo.

É o que dizem Luiza (52) e Bárbara Monteiro (34), sócias da Casa Monteiro - uma oficina de reparo de roupas, sapatos, bolsas e malas que funciona há um ano no shopping Mundi, na avenida Ephigênio Salles, Aleixo. Mãe e filha já são empresárias de outro ramo e decidiram diversificar os negócios ao tirar da gaveta um projeto em comum, cuja inspiração foi a experiência da mãe e da avó de Luiza que eram costureiras. “Queríamos algo com cara de casa de vó”, explica Bárbara.

“Moramos nessa região, então resolvemos abrir a oficina porque pesquisamos com vizinhos e vimos a necessidade desse tipo de serviço”, explicou Luiza, que também é sócia do filho numa corretora de seguros.

A ideia da oficina de consertos tem sido um sucesso, ao oferecer para o público da região um serviço que não é tão fácil de se encontrar. “Estamos tendo uma ótima demanda. Podemos dizer que estamos na contramão da crise. Estamos crescendo cerca de 30% ao mês e conquistamos uma clientela fiel”, assegura Bárbara.  No espaço trabalham um sapateiro, uma recepcionista, duas costureiras e mais uma costureira freelancer. 

Confiança e amizade

“Minha mãe e eu sempre fomos amigas. Confiamos uma na outra e temos um ótimo relacionamento”. É assim que Fernanda Chami descreve a parceria com a mãe e empresária carioca Márcia Chami. Juntas elas abriram, em outubro de 2015, a franquia da importadora de vinhos Grand Cru, em Manaus. Fernanda mora aqui, enquanto Márcia vive no Rio de Janeiro, onde atua no segmento hoteleiro.

"Conversamos diariamente por telefone, whatsapp. Todas as decisões são tomadas em conjunto. Ela acompanha a tomada de decisões, as parte econômico-finaneira e as questões operacionais”, revelou Fernanda, que também é dona do restaurante  La Coquette, especializado em e gastronomia francesa na capital amazonense.

Fernanda acompanha de perto o atendimento da Grand Cru, que funciona de segunda a sábado como loja, distribuidora e um espaço de ‘wine bar’, onde é possível degustar boas entradas que podem ser harmonizadas com mais de 600 rótulos de vinhos de várias origens e castas. “É um espaço pequeno, acolhedor e intimista com custo bacana para o cliente”, disse a jovem empresária Fernanda. 

Segundo o sócio da Alliance Coaching, Alexandre Rangel, no Brasil, as pequenas e médias empresas são, na maioria, estruturas familiares. Alexandre explica que para o negócio crescer e sobreviver por várias gerações, é preciso adotar um modelo de gestão baseado em princípios e técnicas que possam ser seguidos por todos. “Só assim ela se libertará da personalidade do seu fundador e das influências familiares, fortalecerá seus controles internos e crescerá com suas próprias pernas”.

Leonardo Mattos- Especialista em marketing - FDC

 “A vantagem  de ter a mãe como sócia nos negócios  seria a confiança em ter um familiar  para dividir uma empresa, seus afazeres e responsabilidades”, avalia o professor da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, existe diferença entre ter uma “empresa familiar” para uma “empresa da família”. “Uma empresa familiar a família trabalha; uma empresa da família vive os problemas familiares”, simplifica. “Outro cuidado está no contrato social quando se leva em consideração casamento e separações, pois no casamento o cônjuge passa a ter direito à parte da sociedade e isso pode interferir no ato de uma separação. A ideia de se ter mãe e filha também tem suas vantagens quanto às preferências nos produtos escolhidos, mas dependendo do mercado, isso pode ser uma desvantagem, uma diversificação pode ser interessante. O fato de serem próximos pode gerar problemas e divergências de ideias e conceitos mais facilmente do que um sócio comum.  Duas gerações podem trazer uma experiência inovadora para o mercado.

Investir em um sonho e colher os frutos

Ser chefe de cozinha sempre fez parte dos planos de Érika Rodrigues, 27. A mãe Olívia Rodrigues, 58, patrocinou seu sonho e ela embarcou para São Paulo onde cursou gastronomia e mais tarde foi para a França cursar uma especialização em panificação e doces. De volta a Manaus, aos 23 anos e com a bagagem cheia de conhecimentos e ideais, Érika convenceu a mãe a apostar no projeto. Esses foram os ingredientes principais para abrir a Miss Doçura, uma delicatessen e boutique especializada em doces e pães artesanais que funciona há quatro anos no Adrianópolis. 

Érika, que é a caçula da família, foi persistente com a mãe. “Para abrir um negócio precisa ter um pouco de experiência e uma certa estrutura. E aí mãe quer o sucesso do filho, faz tudo pelo filho... Érika conversou comigo e propôs abrir a Miss Doçura”. A mãe cuida da parte administrativa e a filha fica à frente da cozinha e da criação do cardápio da delicatessen.

Mas a convivência diária também impõe desafios. “Sempre fomos cúmplices e amigas. Na hora de trabalhar não é tão fácil porque as gerações são diferentes. Ela (filha) aposta mais porque é mais nova, teve outra vivência, morou fora, tem muito segurança do que quer. Às vezes a gente discorda e isso é muito bom pra que consiga amadurecimento nesse relacionamento profissional. Mas se tivesse que resumir trabalhar com filho eu diria que a convivência é intensa e muito compensadora. A gente termina construindo uma relação muito boa e firme entre mãe e filha”, completa a empresária.