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Cotidiano
Armadilha Financeira

Conheça os riscos por trás do cheque especial e entenda as mudanças nas regras do crédito

O limite pré-aprovado é concedido pelo banco e funciona como uma espécie de empréstimo ao cliente, mas pode gerar dívidas maiores 18/04/2018 às 18:28
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A taxa média de juros no cheque especial é de 324,1% ao ano, de acordo com o Banco Central. Foto: Agência Brasil
Rebeca Beatriz Manaus

Quando o orçamento fica apertado, boa parte dos brasileiros recorre a alternativas emergenciais para eliminar o saldo negativo. Uma delas é o cheque especial, limite pré-aprovado, concedido pelo banco, que funciona como uma espécie de empréstimo financeiro ao cliente. Pode parecer uma solução viável, o perigo é quando essa alternativa resulta em dívidas ainda maiores, devido às taxas de juros.

Quem já recorreu ao crédito, agora deseja passar longe da tentação. É o caso da universitária Laura Freitas. Segundo ela, o uso do cheque gerou uma série de restrições.

“Saber que tem um dinheiro extra ali mexe com a cabeça. Você vai lá, usa e depois se arrepende quando vem um dinheiro para cobrir ali junto com os juros. No fim, a situação gerou uma dívida com o banco, fiquei com inadimplência na faculdade, graças ao cheque”, comenta.

O técnico em informática Kássio da Silva, também já se endividou por fazer uso do cheque especial sem ter um controle dos juros. Ele acredita que o brasileiro, em si, não tem o conhecimento necessário quando o assunto é dinheiro.

“Eu vi que tinha dinheiro a mais e não me contive, saquei o valor. Não há um estudo sobre educação econômica no Brasil, então, só de ver aquele valor disponível, a pessoa vai acabar sacando, por impulso, infelizmente”, diz.

Para o presidente da Febraban, Murilo Portugal, o crédito deve ser usado para situações de emergência. “Funciona como uma reserva para ser usada em caso de emergência, sem precisar recorrer ao banco, já que a linha está pré-aprovada”, explica.

Mudanças no cheque especial

Em julho deste ano, serão feitas algumas mudanças nas regras do uso do cheque especial. A partir desta data, o banco irá emitir um alerta para o cliente que usar 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos, isso vale para as dívidas superiores a R$ 200,00. A informação é da Federação Brasileira de Bancos – (Febraban), e diz ainda que o usuário receberá uma proposta de mudança para uma linha de crédito mais barata.

Outra mudança prevista é que o limite do cheque especial será mostrado sempre à parte, no extrato, separado do saldo na conta. O valor exibido em conjunto, confunde facilmente o cliente, pois, a pessoa acredita que aquele dinheiro é dela, quando na verdade, é do banco.

De acordo com o Banco Central, em fevereiro de 2018, a taxa média de juros cobrada pelos bancos no cheque especial era de 324,1% ao ano, o que torna a modalidade uma das linhas de crédito mais caras do País, se considerada a redução da taxa Selic, que está na mínima histórica de 6,5% ao ano. As mudanças no cheque especial propõem redução do custo do crédito para permitir maior flexibilidade ao cliente.

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