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Consumidores prejudicados com 'apagão' em Manaus podem cobrar Amazonas Energia

Consumidores conseguem na Justiça ganhar indenizações por conta de ‘apagões’ como os que aconteceram domingo e segunda 20/03/2012 às 07:14
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Dauton Coronin faturou R$ 1 mil, mas destaca o exemplo dado pela Justiça e que deve ser seguido pelos clientes
Ana Paula Sena e Florencio Mesquita Manaus

Os consumidores prejudicados com a falta de energia em Manaus, como aconteceu nos últimos dois dias,  conseguem ‘abocanhar’ de R$ 1 mil a R$ 6 mil em processos contra a Eletrobras Amazonas Energia. Na maioria dos casos os clientes que ingressaram a ação receberam a indenização em menos de três meses.

Sobre os blecautes seguidos, o diretor de Geração, Transmissão e Operação da Amazonas Energia, Tarcisio Rosa, disse que  há fortes evidências de que o blecaute da manhã desta segunda-feira (19) foi conseqüência do apagão do último domingo.

“O nosso sistema está pequeno demais para atender a cidade. A empresa está investindo no crescimento, mas estamos passíveis de falhas”, justificou.

Enquanto as falhas continuarem, é bom seguir o exemplo de consumidores que foram à Justiça. Um dos casos que ganhou sentença favorável é o do advogado Dauton Coronin, que mora no Planalto, Zona Centro-Oeste. Segundo ele, há três meses todo o bairro ficou sem energia por mais de 12 horas, das 7h às 20h, o que causou um desconforto muito grande para a sua família.

“Só este ano a energia já faltou oito vezes no bairro, cansei de aguentar calado. Fiz uma petição alegando danos morais, solicitando 40 salários mínimos, a juíza Naira Neila de Oliveira deu o parecer favorável e ganhei R$ 1 mil”, relatou.

Segundo o consumidor o valor pode ser pouco, mas só em ver que a Justiça está sendo feita já vale a pena.

“Quero que o meu caso sirva como exemplo para outras pessoas que estão sendo lesadas por essa empresa, se todos fizessem o mesmo, a Amazonas Energia pensaria melhor antes de cometer erros com a população”, desabafou Coronin.

Mais um caso
Outro processo movido contra a prestadora foi do industriário Gilson Gonçalves, 53, que morra no Japiim, Zona Sul. No caso dele a queda de energia - por conta de um raio -, danificou um aparelho de televisão.

Após fazer um Boletim de Ocorrência (B.O.) e todos os tramites exigidos pela empresa, o consumidor aguardou dez dias para receber um novo aparelho, como o valor oferecido foi bem abaixo do preço do equipamento o cliente resolveu continuar com a ação na Justiça.

O industriário recebeu R$ 6 mil como indenização e danos materiais.

“Todos precisam saber de seus direitos e lutar por eles, eu tentei fazer tudo o que a empresa exigiu, apresentei nota fiscal, levei em duas assistências técnicas e mesmo assim, queriam me pagar um valor mínimo, não aceitei e em menos de dois meses recebi o dinheiro que merecia”, afirmou.

Prejuízo alto na indústria
Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, os apagões prejudicaram “significativamente” a produção das fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Os apagões paralisaram temporariamente a produção e obrigaram as empresas a operarem por meio de geradores até o restabelecimento do sistema. As fábricas que sofreram os maiores impactos foram dos setores de injeção plástica e placas de componentes eletrônicos. Ao todo, o PIM conta com 540 empresas.

Apesar de não ter como mensurar os valores do prejuízo, Períco explica que a interrupção da energia fez com que as linhas de montagem que estavam em processo fossem paralisadas por 5 a 6 segundos até o acionamento dos geradores. O pouco tempo, segundo Períco, é suficiente estragar peças que estavam em processo.

“Máquinas de placas de componentes, por exemplo, são programadas em uma sequência. Quando a energia é cortada, a máquina reinicia o processo em cima daquele que já estava em andamento e acarreta em perda de produtos”, disse.

Algumas empresas se mantêm por até quatro  horas por meio de geradores com capacidade para 1,2 mil litros de óleo diesel.

Sem energia, água desaparece
Sem energia e sem água. Esse é reflexo causado por dois apagões no sistema de energia elétrica registrados na cidade, em menos de 24 horas, e que, além de deixar a população às escuras causou prejuízos no comércio e na indústria.

Em dois dias seguidos de blecaute a população ficou sem o serviço durante 7h30. O período foi suficiente para causar inúmeros transtornos na cidade, deixar o trânsito caótico com semáforos apagados, além de obrigar empresas e hospitais e operarem apenas com geradores.   

O primeiro apagão ocorreu no domingo por conta do rompimento de um cabo para-raios da linha de transmissão que interliga as subestações Distrito Dois e Cachoeirinha, na Zona Sul.

O sistema só começou a ser restabelecido, segundo a Eletrobrás Amazonas Energia, por volta das 7h14. No entanto, vários bairros da cidade ficaram de seis horas sem energia.     

Na madrugada desta segunda (19) a população voltou a ser surpreendida com o blecaute em toda a cidade. O sistema foi interrompido por volta das 4h e só voltou a ser restabelecido em alguns bairros a partir das 6h30.

Apesar dos apagões terem atingido toda a cidade, as Zonas Norte e Leste foram as mais prejudicas. Até as 16h de segunda (19), moradores de bairros como a Cidade de Deus, ainda estavam sem água. Alguns tiveram que improvisar armazenando água da chuva para tomar banho e usar e lavar a louça.

“Não tinha para onde correr, era falta de água e luz e sem isso ninguém vive. São dois dias nessa peleja. O jeito foi pegar a água da chuva, senão, estaria sem tomar banho até agora”, disse doméstica Maria Ribeiro, 53.

Segundo o padeiro, Isac de Souza, 32, a energia foi interrompida justamente no horário de fazer os pães. Ele explicou que a produção ficou paralisada porque o forno é da padaria é elétrico.

“Fazemos normalmente 60 telas de pão e hoje conseguimos fazer só 15. Quando a energia voltou o horário do café, o de melhor venda, já tinha passado", conta.

A cabeleireira Rosana Oliveira, 35, amargou um prejuízo entre R$ 500 e R$ 900 só na segunda-feira. Ela tem um salão de beleza no bairro Nova Cidade e conta que tinha clientes com horários agendados e teve que cancelar os serviços porque não tem como trabalhar sem energia e água.