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Cotidiano
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'Coração de Pai' acolhe crianças rejeitadas

Ong dá abrigo e atenção a meninos e meninas em risco 23/02/2013 às 19:48
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Barry e Vania mantêm, com a ajuda de colaboradores, o abrigo que acolhe crianças em situação de vulnerabilidade
Florêncio Mesquista Manaus (AM)

Há nove meses a organização não-governamental (ONG) “O Coração do Pai” recebe e dá abrigo a crianças indígenas e não-indígenas em situação de vulnerabilidade social. O abrigo atende atualmente 14 crianças, sendo seis recém-nascidas. A criança mais velha tem 7 anos, sendo que a maioria tem seis meses de idade.

A sede do Coração do Pai foi inaugurada no dia 24 de junho do ano passado, no bairro Japiim, Zona Sul, pelo casal de missionários Vania e Barry Hall, que transformou a própria casa em um abrigo.

No dia seguinte a inauguração, o casal comemorou com alegria o que classifica como “inexplicável” a acolhida do primeiro bebê. Logo buscaram doações de mais berços e, no dia 11 de julho, receberam dois recém-nascidos.

Segundo Vania, o trabalho começou com a paixão por crianças, principalmente indígenas, e com o sonho de salvar vidas. Anualmente, conta Vania, dezenas de crianças que nascem com deficiências físicas são rejeitadas.

Experiência

Ela passou 16 anos trabalhando com índios junto com o marido, na região de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus). Eles prestavam assistência médica e social aos índios. Barry é americano e por mais de dez anos foi paramédico no País e passou a usar seus ensinamentos para ajudar indígenas.

O Coração do Pai só recebe crianças encaminhadas por conselhos tutelares e pelo Juizado da Infância e da Juventude que constataram risco social, maus tratos, violência e abandono. Os pequenos passam a morar no abrigo e recebem assistência psicológica, médica, nutricional e religiosa. Tudo é feito por profissionais e voluntários que vão ao abrigo que sobrevive 100% de doações.

Fragilidade

Algumas crianças chegam doentes. Por sigilo judicial as histórias de vida delas não podem ser contadas. Algumas são encaminhadas para adoção e outras em risco social recebem os atendimentos e são reintegradas as famílias, mas passam a ser monitoradas pela ONG.

O casal mantém contato constante com líderes indígenas para monitorar casos de crianças que nascem doentes. Todos dão retorno ao casal e fazem a intermediação da entrega da criança junto com os órgãos legais. Hoje, o abrigo tem seis funcionários e cinco voluntários.

Abrigo funciona por meio de doações

O abrigo funciona 100% por meio de doações que surgem de grupos de estudantes, igrejas, pessoas da sociedade civil, entre outros. Manter o abrigo aberto é um desafio que diariamente Vania e Barry Hall tentam superar. Segundo Vania, nunca chegou a faltar nada, mas tem momentos que precisam intensificar os pedidos de ajuda.

Com o aumento de crianças, por exemplo, o número de cuidadoras e funcionários também precisou aumentar. As despesas com água, luz e alimentação também saltaram de valor rapidamente. Para tentar manter as contas em dia, eles promovem bazares, feijoadas e outros eventos para arrecadar dinheiro. Com o objetivo de mobilizar o maior número de pessoas, o casal criou o perfil “O coração de Pai”, na rede social Facebook, no qual divulgam os eventos e pedem ajuda quando estão com uma situação urgente como fraldas especiais ou medicamentos para uma criança que acabam de receber. Em todos os casos eles tiveram retorno.

As crianças do Coração do Pai precisam, principalmente, de fraldas e alimentos perecíveis como leite e carne, além de frutas e legumes. O abrigo também fica aberto para visitação do público todos os sábados das 14h às 17h.