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Cores e formas ilustram ruas de Manaus

Intervenções artísticas, aos poucos, estão deixando as ruas da cidade cheias de bossa 07/01/2012 às 16:11
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Projeto Muros Vivos enfeitam da Manaus Moderna, Constantino Nery e Djalma Batista
Daniela Tipiti ---

O hábito de pintar as paredes para expressar os sentimentos acompanha o homem desde a época em que se vivia nas cavernas. De lá pra cá, a humanidade evoluiu e transformou esse velho “hábito” em arte. Arte urbana, urbanografia ou street art é a expressão que se refere às manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público e que se diferenciam da manifestações de caráter institucional ou empresarial e do mero vandalismo, a pichação.

Atualmente, a maior vitrine desses artistas, ou melhor, “galeria” a céu aberto da América do Sul, é a cidade de São Paulo, berço de artistas como Osgemeos (Otávio e Gustavo Pandolfo), Mateu Velasco e Binho Ribeiro, que deixam as tradicionalmente engarrafadas avenidas da metrópole muito mais divertidas. É claro que ainda existe muito muro de concreto imprimindo um ar acinzentado à paisagem de Manaus, mas aos poucos o cenário está se colorindo.


Projeto Muros Vivos

No final do ano passado, um grupo de 18 alunos da graduação do curso de Design, da faculdade Fucapi, coordenados pela professora Bruna Rocha, desenvolveu um projeto para dar vida às ruas do Centro. Em parceria com a ManausCult, eles puseram as mãos nas tintas e pintaram um painel na rua Governador Vitório, esquina com a rua Bernardo Ramos e a avenida 7 de Setembro, em frente à Praça Dom Pedro II, no Centrão.

A iniciativa agradou a população e encheu de orgulho a mentora do projeto. “Eu fiz mestrado na Faculdade Belas Artes do Porto (Portugal). Quando morei lá eu participava de tanta coisa que a cidade proporcionava que fiquei com vontade de fazer algo parecido por aqui. O legal é que desmistifica a ideia de que a arte de rua é marginal ou coisa só de grafiteiro. O profissional de design também pode desenvolver essas interferências”, analisou a professora.


Efeito surpresa

 O secretário de Cultura do Estado, Robério Braga, também concorda que Manaus pode e deve entrar nesse movimento e afirmou que, em março deste ano, o governador Omar Aziz deve anunciar uma ótima novidade para os amantes do gênero. “Muita coisa ainda precisa ser feita, mas já fizemos várias intervenções como a do Parque Jeferson Peres e até uma exposição de grafiteiros”, comentou. O empresário e escritor de graffiti Rodrigo Pot tem uma loja de produtos especializados em cultura urbana e participa do tímido movimento que está querendo mudar a cara de Manaus. “Eu conheço pelo menos 50 grafiteiros que atuam e nós temos um projeto nessa área, que envolve vários artistas, e deve acontecer ainda este ano”.