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Criado na Holanda, amazonense volta a Manaus para procurar mãe biológica e conhecer suas origens

Entregue à adoção internacional em 1988,  Agosto Alfredo da Matta Kempen está de volta à terra natal para buscar informações que levem até a sua genitora 26/01/2016 às 18:20
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Na foto, o DJ e marceneiro Agosto Alfredo da Matta Kempen
Monica Prestes Manaus (AM)

Parece roteiro de filme ou um clássico conto de fadas: um bebê nascido em uma cidade pobre do terceiro mundo é adotado por uma família europeia. Quando cresce, começa uma “saga” em busca dos pais biológicos, de quem ele não sabe sequer o nome. Essa busca trouxe, 28 anos depois, o DJ e marceneiro Agosto Alfredo da Matta Kempen de volta à terra natal dele: Manaus. Esta semana, Alfredo, que mora na Holanda, desembarcou no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes atrás de qualquer informação que possa levar ao paradeiro da mãe biológica dele.

Quando decidiu, há cinco anos, investigar o passado e o motivo de ter sido entregue à adoção internacional, Alfredo tinha apenas uma certidão de nascimento sem o nome dos pais biológicos, algumas fotografias, relatos das semanas que viveu em Manaus antes de ser adotado por um casal de holandeses e dois nomes: Franciscus Cornelis Bouwman e “dona Tereza”.

Os pais adotivos pouco sabem da mãe biológica: ela morava em um município próximo a Manaus, era casada com um garimpeiro e, durante o parto, no antigo hospital São José - na avenida Constantino Nery - o bebê quebrou a clavícula. “Quem intermediou a adoção foi um senhor chamado Franciscus Cornelis Bouwman, que me levou para a ‘dona Tereza’ cuidar até que os pais adotivos viessem e o processo fosse concluído”, relata Alfredo, com base em relatos dos próprios pais holandeses.

Lembranças

A mãe holandesa, Anna Kempen, 60, lembra bem da primeira viagem que fez a Manaus, em setembro de 1988, com o marido Johannes. “Estávamos na lista de adoção internacional e um dia ligaram para a nossa casa dizendo que tinha um bebê disponível no Brasil. Era nosso segundo filho adotivo, o segundo brasileiro (Emanuel, irmão de Alfredo, nasceu em Pernambuco, em 1985). Ficamos muito felizes e viemos buscá-lo, foi quando conhecemos Franciscus e ‘dona Tereza’”, conta a fisioterapeuta e webdesigner, que acompanha o filho nesta visita a Manaus.

Esses dois nomes são a única pista que Alfredo tem da mãe biológica, uma vez que, na certidão de nascimento dele, ambos os pais são desconhecidos. “Tudo que ele sabe é que, quando nasceu, a mãe o deu para uma enfermeira do hospital, que o entregou a Franciscus, o intermediador da adoção. Como naquela época as leis não eram tão rígidas, o processo foi facilitado. Até a adoção, o bebê ficou na casa da ‘dona Tereza’. Mas depois nunca mais ouviram falar dela”, relatou Liza da Silva, fundadora da ONG Pessoas Desaparecidas Brasil-Holanda, que está ajudando a família de Alfredo nessa busca.

A expectativa é que alguém reconheça a história e entre em contato até o dia 30, quando eles retornam para Amsterdã.

Para Alfredo, se faltam informações sobre o passado, sobra esperança de que, um dia, essa busca tenha um fim. E feliz. “Não imaginava, nem nos meus sonhos mais loucos, que um dia estaria aqui, tão perto de encontrar minha mãe biológica. Estou vivendo um sonho, espero que ele tenha um final feliz”.

Como ajudar

Agosto Alfredo da Matta Kempen passou pela Fundação Alfredo da Matta ainda bebê, por isso ganhou esse nome. Se você reconhece o bebê ou já ouviu essa história antes, pode entrar em contato por meio do telefone (92) 99246 1726.