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Crise deve fazer 100 mil alunos migrarem da rede privada para a pública no Amazonas

Na rede pública, serão ofertadas 169.211 vagas para novos alunos. Pela Seduc, serão 64.260 para Manaus e 62.968 no interior. Na Semed serão 41.983 mil novas vagas 16/01/2016 às 14:51
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A crise levou a dona de casa Gicele Frota a transferir o filho para a rede pública
Hellen Miranda ---

No primeiro semestre do ano passado, a auxiliar administrativa Maria de Lima, 32, perdeu o emprego e precisou tomar a decisão de mudar o filho de sete anos da escola particular para a pública. Em 2016, o menino deixará de frequentar o Centro Educacional Jeova Jiré, no Manoa, Zona Norte, onde estudava há quatro anos.

“Colocamos no papel e vimos que nosso orçamento não daria mais para bancar todos os custos da escola. Tivemos que abrir mão pela questão financeira”, afirma Maria, que previa um gasto superior a R$ 2 mil com renovação de matrícula, material escolar, fardamento e livros, isso sem falar na mensalidade.

O filho da auxiliar administrativa estudará pela primeira vez na rede pública e ela se prepara para o período de matrícula, que começa nesta segunda-feira e é bem diferente da rede particular.

“Estou na expectativa de conseguir vaga aqui perto de casa. Amigos relataram que gostaram do ensino lá e os filhos se deram bem na escola pública”, conta Maria, que buscou alternativas para suprir qualquer deficiência no ensino e está pronta para mudar, inclusive, a rotina em casa. “Matriculei-o em aula de reforço, além de intensificar o acompanhamento das tarefas”.

Migração aumenta

Maria não é uma exceção. A crise econômica e o reajuste nas mensalidades levaram outros pais a trocarem a rede de ensino privada pela pública. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe) estima que, este ano, de 30 a 35% dos alunos da rede particular de Manaus devem migrar para a pública, o que representa aproximadamente 100 mil estudantes.

Um deles é o filho da dona de casa Gicele Frota, que também optou pela migração do pequeno Vivaldo Frota Neto, 9,  por questões financeiras. “Com a crise, tudo ficou mais complicado. As nossas despesas aumentaram e não tive outra alternativa. Na escola pública, só vou me preocupar com o material escolar, porque os livros e lanche eles dão e também são de boa qualidade”. A expectativa é garantir uma vaga para o menino, que vai cursar o 5º ano do Ensino Fundamental  em um escola pública a cinco minutos da casa dela, no Parque Dez,  Zona Centro-Sul.

Na rede pública de ensino, este ano, serão ofertadas 169.211 vagas para alunos novos. Pela Secretaria de Estado do Amazonas (Seduc), serão 64.260 para Manaus e 62.968 no interior. Na Secretaria Municipal de Educação (Semed) serão 41.983 mil novas vagas para atender a demanda.

Estratégias das escolas

Para driblar a “crise”, a direção de algumas escolas privadas decidiu apostar em novas estratégias para evitar a migração. Uma escola particular da Zona Centro-Sul incluiu, entre essas medidas, antecipar o período de rematrículas para junho de 2015, como forma de fidelizar os alunos. Facilitar a renegociação de dívidas e reduzir a lista de material escolar foram outras mudanças.

“Apostamos nas bolsas de estudo para manter nossos alunos e atrair os que estão saindo de escolas mais ‘caras’”, revelou a gestora de uma escola infantil particular na Zona Norte, que preferiu não se identificar. Ela explica que os alunos ganharão bolsa de 10% ao renovar a matrícula, os novos alunos têm desconto especial e, para os pais que têm mais de um filho, foi criado um programa de descontos cumulativos. “Um filho tem 10%, o segundo 20%, o terceiro 30%... Foi a forma que encontramos para evitar perder quase 30% dos nossos alunos: boa parte ia sair porque os pais têm mais de um filho na escola e a mensalidade estava pesando no orçamento”, revelou.

Informatizado

Segundo o secretário da Seduc, Rossieli Soares, o atendimento informatizado ganha destaque neste ano. “Não precisa de filas, a população deve utilizar o serviço de atendimento via internet”, disse.

Início do ano letivo

A Seduc e Semed orientam os estudantes e responsáveis, que ao solicitarem, via Internet (www.matriculas.am.gov.br), a vaga para a escola desejada, terão acesso a um código e deverão apresentar-se na escola onde obteve a vaga no prazo de até três dias para efetivar a matrícula. As aulas do ano letivo de 2016 terão início dia 15 de fevereiro na rede estadual e 11 de fevereiro na municipal.

Blog

Marcus Evangelista, economista

“Essa crise vem sendo anunciada e agora estamos no ápice dela,  mas os pais  podem buscar meios de vencer esse momento, sem afetar a educação dos filhos.  São ajustes pequenos que darão uma economia substancial, por exemplo, os lanches rápidos fora de casa, se formos colocar na ponta do lápis, gasta-se cerca de R$ 2.800. Outro detalhe é a economia de R$ 40 ou R$ 50 em cada lavagem do carro no posto. Para as mulheres dá para poupar nos cuidados com a beleza, reduzindo a ida ao salão.  Mas, o principal é reunir a família e juntos criarem estratégias de economias em que todos participem. Possuir um bom planejamento é fundamental para o conforto financeiro”