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"De Amazonino, eu não me aproximo, não"

Presidente da Câmara Municipal de Manaus,   Isaac Tayah , critica  prazo para discutir o anteprojeto do plano diretor da cidade e avisa que vai pedir a anulação do contrato da prefeitura com a Águas do Brasil.   26/05/2012 às 19:53
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O vereador diz que vai tentar evitar que o texto seja aprovado sem as correções e emendas necessárias
Rosiene Carvalho ---

Em meio a proximidade da campanha eleitoral, o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Isaac Tayah (PSD), chama para si a responsabilidade de evitar que a definição do Plano Diretor de Manaus seja contaminada pelo processo eleitoral apontando várias lacunas no documento que podem causar prejuízos à cidade.

Em entrevista a A CRÍTICA, Tayah diz que vai tentar evitar que o texto seja aprovado sem as correções e emendas necessárias, mas também comenta os bastidores da política nas definições de nomes para a disputa pela Prefeitura de Manaus.

O vereador afirma que esta semana vai entrar com uma ação civil pública pedindo a anulação do novo contrato para concessão do serviço de distribuição de água em Manaus e acusa o prefeito Amazonino Mendes (PDT) de crime de advocacia administrativa (consiste em patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário). Confira a seguir trechos da entrevista concedida na sexta-feira:

O senhor pode ser alvo de uma ação de improbidade  movida pelo Ministério Público caso o plano diretor não seja votado até 3 de novembro?

Sim. Mas temos meios jurídicos de questionar isso também. Em Curitiba e em Uberlândia os políticos só discutem mudanças na cidade baseados no plano diretor. Gostaríamos de ter Manaus também assim. Mas nessa hora estou com uma batata quente na mão. Preciso da ajuda da sociedade.

O senhor já procurou o MPE?

Sim. Mas, caso o MPE não interprete as nossas dificuldades, temos que ver outros meios jurídicos. De imediato estamos discutindo com as entidades, entregando o anteprojeto do plano diretor para que, em seguida, a gente possa reunir todo esse grupo que faz o diferencial e melhorar o texto.

Existe boa vontade dos parlamentares de ampliar a discussão sobre o plano diretor?

Existe uma divisão partidária. Não queremos puxar uma corda para dizer quem é mais forte. Queremos que eles entendam que tecnicamente os vereadores representam a caixa de ressonância de quem está lá fora. Essas pessoas estão te avaliando. Quem não tiver correspondendo pode ter um prejuízo inclusive eleitoral.

Quais os prejuízos à cidade, se o plano diretor for aprovado dessa maneira?

Muito grande. Seria triste. Vamos continuar tendo dificuldades como a do trânsito e não adianta colocar ônibus novo. O problema nosso é planejamento.  Só dá certo se fizermos uma política de Estado e não de governo.

E sobre o novo contrato da água? Como a Câmara acompanha tudo isso?

Eu vou entrar com uma ação civil pública alegando a ilegalidade. Ela é pública e não é privada.  Temos que ter uma ação mais rápida e cancelar. Isso que o prefeito fez é advocacia administrativa. Vou alegar isso e vou até as últimas instâncias com o respeito a legalidade. Agora, enquanto está correndo isso chega uma lei na Câmara para liberar no futuro a cobrança de poços.

Em relação ao Proama?

Tinha que ser aproveitado o Proama. A população continua sem a tarifa social. Ela está prevista a partir do momento que eles começam a cobrar o poço.

Como estão as discussões dentro do PSD em relação à Prefeitura de Manaus?

Nós não sabemos. O governador (Omar Aziz) é um político antigo, sabe como funcionam os bastidores. Vamos aguardar a posição do PMDB para ver a situação. O PSD tem sua composição. Quem vai ser o apontado a gente não sabe.

Tem nomes sendo discutidos...

Nos outros partidos temos vários atores que podem integrar chapas. Temos o deputado Marcos Rotta (PMDB) a deputada federal  Rebecca Garcia (PP)...

Nos bastidores, não se descartou a possibilidade de o PSD se aproximar da candidatura de  Amazonino ou de quem ele indicar. Como ficaria sua situação?

Me aproximar de outras pessoas até posso. De Amazonino não. Não vou. Não vou. Infelizmente, não vou. Mesmo sendo política, isso eu não encaro.

É visível a desarmonia entre o senador Eduardo Braga e o governador Omar Aziz. Se cogita a possibilidade de o PMDB sair com um candidato e o PSD com outro. O senhor acredita nisso?

Eu acredito que não. Vamos torcer para manter o mesmo ritmo. A não ser que tenha um combinado de você escolher mais atores para que você possa vencer num grupo. Não acredito que tenha racha.

Então, tem um laranja?

Não. Não sei se laranja ou uma opção. Se não consegui contemplar uma chapa de união, a chapa pode ser diversificada. Não sendo laranjas, um dos dois vai ganhar. São opções de aposta. Mas acredito na amizade dos dois (Omar e Braga). É uma amizade firme.

Os prazos são curtos...

Estamos aguardando esses 12 dias que faltam para definir.   Doze dias para entrar em junho. Já vemos a Rebecca se posicionando, o Rotta se posicionando.  De repente há uma junção, a gente não sabe. Ou talvez os dois saiam separados. A saída do Amazonino que vai deixar uma continuidade. Então, são 12 dias que precisamos estar atentos. Não ficar fora do processo, para saber qual direcionamento vamos tomar.