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Cotidiano, Justiça, Defensoria Pública do Amazonas, 2º Tribunal de Júri Popular, Julgamento, deficiente auditivo, Libras

Defesa utiliza Libras em julgamento de réu no Amazonas

Acusado de tentar matar duas adolescentes em 2010, Renato Prado foi preso na ocasião, entretanto teve acesso a um intérprete de Libras apenas durante a instrução do processo e nesta quinta (21), em seu julgamento 24/03/2013 às 17:10
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Defensoria Pública utilizou intérpretes de Libras no julgamento de Renato Prado
Síntia Maciel Manaus

Um julgamento inédito está sendo realizado nesta quinta-feira (21), na 2ª Vara do Tribunal do Júri Popular (2ª TJP), no Fórum Henoch Reis, localizado no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde uma equipe de intérpretes de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) auxilia a defesa do réu Renato da Silva Prado, 33, deficiente auditivo.

Acusado de tentar matar duas adolescentes em dezembro de 2010, na comunidade Campo Dourado, na Zona Norte de Manaus, Renato foi preso e encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP), localizado no quilômetro 8, da BR-174 (Manaus – Boa Vista), onde estava à disposição da Justiça.

Afora esta quinta-feira, dia do julgamento, o outro momento em que o deficiente auditivo teve acesso a um intérprete, de acordo com o defensor público Antônio Ederval de Lima, foi durante a instrução processual.  

“Na ocasião em que ele foi preso a primeira providência da autoridade policial seria a de viabilizar um intérprete para que ele pudesse se comunicar, uma vez que o delegado que efetuou a prisão (Jamilson Nunes Pacheco Filho) identificou durante o depoimento, que se tratava de uma pessoa surda e muda, que não sabia ler, e apenas escrever o nome”, destaca.

Ainda segundo o defensor público, Renato nega o envolvimento na tentativa de homicídio contra as duas adolescentes, além de expressar não saber o porquê está sendo acusado pelo crime.

Dificuldades
“Esta é a primeira vez em que trabalhamos num julgamento, auxiliando um Tribunal de Júri, acredito que é uma grande oportunidade para que o público conheça as Libras, e que outros órgãos possam contar com o trabalho dos intérpretes, quando se depararem com casos envolvendo deficientes auditivos”, salienta o professor de Libras Edilson Gomes, 45.

Uma das dificuldades encontradas pela equipe que auxilia a defesa do réu está no fato de Renato não dominar Libras, bem como a Língua Portuguesa, uma vez que ele também não sabe ler, nem escrever.

A comunicação entre o réu, a juíza que preside a audiência (Rosália Guimarães); a defesa (Antônio Ederval); a acusação (promotor de Justiça Davi Jerônimo) e os jurados estava se dando por uma interpretação das mímicas e gestos de Renato.

Um dos intérpretes, o professor Getúlio Caldas Pessoa Filho, 39, também é deficiente auditivo, e a partir dos gestos feitos pelo réu, os interpretava e por meio de Libras repassava aos demais intérpretes que não são deficientes.

Por meio de Libras, interpretadas por Edilson, Getúlio revelou que ao ter contato com Renato nesta quinta-feira, durante o julgamento, lembrou da época em que não dominava a linguagem de sinais, e que tudo mudou após ter se alfabetizado chegando a fazer Pós-graduação na área.

“Infelizmente a maioria dos deficientes auditivos não está em sala de aula, mas sim em casa. Nem todos sabem Libras, o que é uma pena, utilizando apenas uma comunicação formal”, salienta Edilson.