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Delta ganha R$ 379 milhões do orçamento geral da União

A Delta Construções já recebeu do Governo do Amazonas este ano R$ 17,1 milhões de um total de R$ 30,1 milhões que foram empenhados. A empresa fornece equipamentos para o programa Ronda no Bairro 22/12/2012 às 09:09
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A empresa de Fernando Cavendish foi citada em diversas gravações da Operação monte Cristo da Polícia Federal
A Crítica Manaus, Am

Mesmo com as denúncias de corrupção e apesar de ter sido considerada inidônea, a empreiteira Delta Construções está terminando o ano de 2012 em terceiro lugar entre as construtoras que mais receberam recursos do Orçamento Geral da União (OGU), no Poder Executivo, segundo a Organização Não-governamental (ONG) Contas Abertas. A empresa somente foi superada pelas concorrentes Odebrecht e Queiroz Galvão.

Ao longo deste ano, até outubro, a Delta Construções recebeu R$ 379,2 milhões do Governo Federal. O valor, no entanto, é  inferior aos montantes recebidos pela construtora nos anos de 2011 e 2010, quando foram repassados R$ 862,4 milhões e R$ 753,2 milhões, respectivamente. De 2004 para cá, a empreiteira recebeu R$ 4 bilhões do governo federal.

O crescimento meteórico dos valores aconteceu a partir de 2007, quando foi iniciado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Desde então a empreiteira vinha liderando o ranking das construtoras em se considerando os recursos do OGU. O ranking não inclui os investimentos das empresas estatais.

Depois de ter sido considerada inidônea pela Controladoria-Geral da União (CGU), no dia 13 de junho de 2012, a Delta recebeu até o dia 14 deste mês,

R$ 185,4 milhões do Governo Federal. A maior parcela dos recursos repassada depois da declaração aconteceu no mês de agosto, quando a construtora adicionou R$ 46,7 milhões aos seus cofres.

Com a declaração de inidoneidade, a Delta foi impedida de participar de novas licitações ou ser contratada pela administração pública, nas esferas federal, estadual ou municipal. Segundo a CGU, a construtora violou o princípio da moralidade na administração pública e nos próximos dois anos não poderá assinar novos contratos com prefeituras, Estados e Governo Federal.

A decisão da CGU foi baseada na conclusão de Processo Administrativo aberto na Corregedoria-Geral da União, órgão da Controladoria, em abril, para apurar responsabilidades da Delta em irregularidades na execução em contratos para realização de obras rodoviárias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Contratos do Ronda no Bairro

A Delta Construções já recebeu do Governo do Amazonas este ano R$ 17,1 milhões de um total de R$ 30,1 milhões que foram empenhados. A empresa fornece equipamentos para o programa Ronda no Bairro. E possui, segundo o portal da Transparência do Governo, quatro contratos em vigor no valor total de R$ 143,8 milhões.

O primeiro de R$ 103,1 milhões para locação de veículos de quatro rodas tipo viatura de polícia, com equipamentos embarcados, sistema integrado de captura, registro de processamento e transmissão de dados e sinalizador multifuncional. Desse contrato, foram empenhados R$ 17,6 milhões e desembolsados R$ 8,9 milhões. 

De outros dois contratos, nos valores de R$ 16,4 milhões e R$ 16,2 milhões, a Delta  ganhou R$ 1,8 milhão e R$ 4,1 milhões, respectivamente. Tem ainda um quarto, de R$ 8 milhões, do qual já foram pagos R$ 2,2 milhões.

Denúncias

A empresa de Fernando Cavendish foi citada em diversas gravações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que resultou na instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. A construtora está envolvida em denúncias de corrupção que vão desde a associação com o contraventor Carlinhos Cachoeira a redes de influência em governos estaduais e na União, o que teria resultado na sua expansão meteórica dentro dessas esferas de poder.

O principal cliente da Delta Construções no Governo Federal é o Dnit, vinculado ao Ministério dos Transportes. Segundo a CGU, entre os anos de 2007 e 2010, foram encontradas irregularidades em 60 contratos, que somam R$ 632,3 milhões.

As irregularidades estão localizadas em 17 Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Sergipe, São Paulo e Tocantins.