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Cotidiano
entrevista Átila Lins

Deputado Federal Átila Lins critica relação de presidenta Dilma com o Congresso Nacional

Deputado Federal pelo Amazonas, Átila Lins afirma em entrevista concedida ao jornal A Crítica , que o nome do vice- governador José Melo, tem a preferência do governador Omar Aziz e do senador Eduardo Bragaà Prefeitura de Manaus 07/02/2012 às 08:07
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Deputado Federal Átila Lins
Antônio Paulo Brasília

Seis meses depois de perder a eleição para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), ficando em terceiro lugar, com apenas 47 votos; e de ter trocado o PMDB pelo PSD, por causa da “traição” da bancada peemedebista, o veterano deputado federal Átila Lins sai da toca e resolve falar. E volta ao cenário político com outro perfil: deixa a parcimônia e a cautela pela crítica contundente e sem reservas. Na quinta-feira (2), na sessão de abertura do ano legislativo do Congresso Nacional, Átila Lins que está no seu sexto mandato conversou com A CRÍTICA e não se furtou a comentar sobre o que chamou de difícil relação da presidente Dilma Rousseff com o Poder Legislativo. Disse que há uma insatisfação generalizada dentro dos partidos e que os projetos do Governo Federal poderão sofrer obstrução nas votações de plenário. “Se isso se alastra, vira um caos”, afirma. Nas eleições municipais deste ano, Átila promete trabalhar para eleger e reeleger o maior número de prefeitos nas eleitos; põe o nome à disposição da bancada federal para ser o próximo coordenador e se prepara para concorrer ao Senado em 2018. A seguir, os principais trechos da entrevista:

É verdade que a sua relação com senador Eduardo Braga ficou estremecida porque o senhor saiu do PMDB e foi para o PSD, do governador Omar Aziz?

 Isso nunca aconteceu. Apesar de o senador Eduardo Braga ter lamentado a minha saída, ele reconheceu que não havia condições de eu permanecer no PMDB depois que os membros do partido não honraram o compromisso que fizeram comigo na eleição para o Tribunal de Contas da União. A prova maior é que logo depois da eleição, os principais líderes do PMDB, como o vice-presidente Michel Temer, o líder Henrique Eduardo Alves, o presidente do partido, Valdir Raupp, e o senador Renan Calheiros pediram ao Eduardo que intercedesse para que eu não deixasse o partido. O senador não aceitou a missão e disse que não tinha condição de fazer esse pedido a mim. A minha ida para o PSD não causou qualquer fissura entre o governador Omar e o senador Eduardo Braga. A relação contínua harmônica entre nós.

E no âmbito federal, como será o seu comportamento dentro do novo partido?

 Para mim é um momento diferente especialmente em relação ao Palácio do Planalto. O PSD não tem nenhum ministério. É um partido que terá um comportamento independente. Ajudará os projetos do Governo, mas pode não ajudar e votar contra porque não está alinhado ao Planalto, diferentemente de quando estava no PMDB. Agora, eu e os demais colegas do PSD estamos liberados para votar aquilo que é de interesse do País; não temos aquele compromisso partidário, de base aliada.

 Essa independência do PSD tem a ver com a difícil relação da presidente Dilma Rousseff com o Congresso Nacional criticada por grande parte do Parlamento?

Não podemos esconder que nesse primeiro ano de gestão da presidente Dilma a relação foi muito difícil. Ela não tem jogo de cintura; é uma técnica gabaritada e faz jus ao apelido de “gerentona”. Deduzo que essa falta de afinidade com a classe política ocorre em função da sobra de apoiamentos que a presidente detém no Congresso Nacional. Dos 513 deputados da Câmara, somente 120 são da oposição. Ela tem quase 80% de deputados alinhados, por isso, ela não dá confiança, não respeita e não dá bola aos parlamentares. A classe política é procurada e assediada quando quer aprovar os projetos de interesse do Governo e pedir votos em praça pública. Na hora de governar, os políticos são incompetentes. Eu não sei até quando o Congresso vai suportar essa atitude de indiferença da presidente Dilma.

 O senhor está dando um aviso, um prenúncio de que haverá uma revolta do Congresso Nacional para com o Poder Executivo?

A gente já percebe ruídos muito fortes de que os partidos vão começar a obstruir todas as votações dos projetos de interesse do Governo Federal. Isso significa dizer que há uma insatisfação generalizada no seio desses partidos. Se isso se alastra, vira um caos. Eu tenho receio que chegue o momento que se crie um impasse em que os parlamentares resolvam votar apenas projetos de interesse da Nação e não os de interesse do Governo e de seu partido (PT).

Essa insatisfação ocorre por que a presidente não libera as emendas, não atende aos pedidos dos parlamentares?

Não adianta o Congresso aprovar um orçamento em que os parlamentares têm direito a apresentar R$ 13 milhões em emendas individuais. Na hora, o Governo libera o que quer porque o orçamento é uma peça de ficção. Precisamos aprovar a proposta de Emenda Constitucional que torna o Orçamento da União impositivo. Aprovou tem que liberar os recursos. O Estado do Amazonas, por exemplo, cada parlamentar tinha direito a R$ 13 milhões de emendas, mas o Governo só liberou R$ 6 milhões pra cada um (são 11 parlamentares, oito deputados federais e três senadores). Os compromissos firmados com as comunidades, municípios para construir obras importantes ficaram pela metade.

 E as suas bandeiras políticas defendidas no PMDB vão continuar no PSD?

 Com certeza. Uma delas é a minha luta pela votação, em segundo turno, da PEC 300, do piso nacional dos policiais militares e do Corpo de Bombeiros. No primeiro dia de trabalho, encaminhei requerimento à Mesa Diretora, pedindo a inclusão da proposta na ordem do dia. Em 2012, ela não foi votada porque a presidente Dilma impediu que os aliados aprovassem essa matéria importante para a área de segurança do País.

 O atual coordenador da bancada do Amazonas, senador Eduardo Braga, vai convocar uma reunião, na próxima semana, para discutir o nome que vai sucedê-lo em 2012. O senhor é candidato a coordenador?

 Se a bancada federal quiser homenagear o decano (mais antigo), estou pronto para a missão. Não vou ficar disputando nem enfrentando companheiro. Se houver um consenso em torno do meu nome, alguém que é o mais antigo e com experiência necessária para conduzir a bancada em um ano difícil, por causa da eleição, já que somente eu e o deputado Carlos Souza não somos pretensos candidatos a prefeito de Manaus, estou pronto.

Quais as suas pretensões políticas futuras, após a derrota para o TCU?

 Em 2012, vou trabalhar para eleger e reeleger o maior número de prefeitos no interior do Estado, consolidando minha base política há mais de 30 anos; caminhar para a minha décima eleição em 2014, como deputado federal; e penso, mesmo estando longe, trabalhar uma candidatura ao Senado em 2018. Esse é o meu cenário.

E o sonho de ser ministro do TCU foi abandonado depois das duas derrotas?

 Não digo dessa água não beberei. Se aparecer alguma vaga, por que não? É um sonho que acalento. Não é financeiro porque sou auditor e já tenho a aposentadoria garantida, então, terei assegurado meu ganha-pão pra minha velhice.