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Deputados criticam Eduardo Cunha e falam em 'votações irresponsáveis'

Eles se reuniram no Salão Verde da Casa para fazer críticas à gestão do presidente da Câmara dos Deputados, e demonstrar insatisfação com os resultados apresentados nesses seis primeiros meses 16/07/2015 às 22:59
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Deputada Luiz Erundina (PSB-SP) apontou “o clima de autoritarismo” na Câmara
Carolina Gonçalves - Agência Brasil Brasília (DF)

As declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no balanço sobre os primeiros seis meses de trabalho neste ano provocaram reações instantâneas de parlamentares. Eles se reuniram no Salão Verde da Casa para fazer críticas à gestão de Cunha e demonstrar insatisfação com os resultados apresentados.

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) disse que ficou surpreso com a preocupação do PMDB com as eleições de 2018. Nomes de destaque no partido de Cunha anunciaram que não vão manter a aliança com o PT no próximo pleito eleitoral. “A principal preocupação é com eleições, em vez de garantir o mínimo de estabilidade ao governo. Estão se comportando como ponto de desestabilização do governo”, afirmou Molon.

Ontem (16), Eduardo Cunha disse que o PMDB não aguenta mais o compromisso firmado com o partido do governo, mas vai continuar ao lado da presidenta Dilma Rousseff até o final do segundo mandato, para garantir a governabilidade do país. Uma das reclamações de Cunha, que está no comando da Câmara desde fevereiro, é que, apesar da aliança, o PMDB não manda sequer nos ministérios que ocupa, ficando apenas com o ônus no acordo com o PT.

Para Molon, o que ocorre é o contrário. O PMDB quer apenas os bônus em vez de apoiar o governo. Ele criticou também a gestão da Câmara. Segundo ele, a sensação de que o Legislativo está fortalecido é um engano, e a Câmara concluiu “votações irresponsáveis” no primeiro semestre.

Pelo balanço da presidência da Câmara, nesse período, foram aprovadas 90 matérias entre projetos de lei, propostas de emenda à Constituição, medidas provisórias, projetos de decreto legislativo, de lei complementar e de resolução.

Entre os textos estão as medidas de ajuste fiscal defendidas pelo governo, a regulamentação da terceirização de mão de obra e as propostas de reforma política e redução da maioridade penal, que precisam ser concluídas em votação em segundo turno, antes de serem enviadas ao Senado.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) admitiu, como Cunha, que nunca se votou tanto, mas alertou que nunca se votou de modo tão atropelado. “Nunca se desrespeitou tanto as comissões especiais. A Câmara está sob suspeita”, afirmou.

Alencar disse que, quando uma matéria desagrada ao bloco de Cunha, é votada novamente na Casa. Ele se referia a sessões como as que aprovaram os projetos da terceirização e da redução da maioridade penal.

Júlio Delgado (PSB-MG) chegou a classificar Cunha de “déspota” e a deputada Luiz Erundina (PSB-SP) apontou “o clima de autoritarismo” na Câmara.