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Deputados pedem intervenção em Coari após novas denúncias de exploração sexual

Encontro com cidadãos e empresários do município levou parlamentares a pedir, mais uma vez, o afastamento da cúpula administrativa e a nomeação de um interventor para a Prefeitura 11/06/2014 às 12:24
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Deputados da CPI da Pedofilia colhem depoimentos de vítimas da rede de exploração sexual em Coari
Renildo Rodrigues* Coari (AM)

Dez deputados estaduais, membros da CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), entraram, na manhã desta quarta-feira (11), com um novo pedido de intervenção no município de Coari, a 363 km de Manaus. A solicitação foi dirigida ao Ministério Público Estadual (MP-AM), após o recebimento de novas denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes pelos parlamentares.

Na terça (10), o Foro Social Permanente de Coari, constituído por representantes de entidades não governamentais, esteve na ALE-AM para relatar o clima de violência e coação que, de acordo com eles, impera no município mesmo após a prisão do prefeito Adail Pinheiro, acusado de chefiar uma rede de prostituição de menores que alimentava a cúpula da administração municipal.

A comerciante Raimunda Socorro Lima de Moura, 53, denunciou que há cerca de seis meses teve a banca de revistas arrancada por funcionários da Prefeitura de Coari, por comercializar uma edição do jornal A CRÍTICA contendo denúncias contra Adail. 

“Estou aqui hoje pedindo socorro, porque o que eu estou vivendo em Coari ser humano nenhum consegue suportar. Eu tinha a minha banca de revistas há 17 anos, mas agora, o jornal que vem pra cidade falando alguma coisa a respeito da vida do prefeito ou dos atos dele você não pode vender. Existe uma ditadura em Coari, e as coisas pioraram depois da prisão dele (Adail Pinheiro)”, disse Socorro.

Outra das denúncias relatadas no encontro foi a de uma servidora do município, cuja filha foi vítima da rede, e que, por ter denunciado a situação, passou a sofrer perseguição política e intimidação da Prefeitura, tendo seus subsídios cortados, embora os documentos atestassem o pagamento.

Situação extrema

Empresários de Coari também denunciaram a corrupção e o coronelismo da administração. Embora seja um dos municípios mais ricos do Amazonas, dono de jazidas de petróleo e gás natural, as escolas de Coari sofrem com a falta de merendas, os hospitais estão com falta de medicamentos, e comerciantes vêm fechando estabelecimentos por conta da escalada de violência e roubos na cidade.

 
Movimentos sociais de Coari fazem protesto contra a exploração sexual e a corrupção no município, nesta quarta (Divulgação)

A Prefeitura de Coari, em nota, contesta o que chama de “informações equivocadas e deturpadas que têm sido divulgadas pelo deputado Luiz Castro (PPS, membro da CPI da Pedofilia) com a intenção de fomentar imagem de instabilidade e corrupção na administração municipal, visando induzir órgãos federais e estaduais a promoverem uma intervenção no município.

O primeiro pedido de intervenção em Coari foi feito em fevereiro deste ano pelo procurador Francisco Cruz. A intervenção do Estado nos municípios é um ato de exceção, só admitido em casos excepcionais expressamente previstos nas Constituições federal e estadual. É um recurso extremo, visando sobretudo a manutenção do Estado Democrático de Direito e a proteção da administração e dos administrados em face de atos abusivos e ilegais dos governantes locais. Nela, o governador do Estado pode afastar o gestor municipal e nomear um interventor para restaurar a normalidade administrativa.

Ainda na manhã desta quarta-feira (11), movimentos sociais e inclusive alguns parlamentares que compõem a CPI da Pedofilia da ALE-AM participaram de um protesto contra a exploração sexual e a corrupção pelas ruas do Centro de Manaus.

* Com informações da repórter Janaína Andrade