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Detentos são mantidos em escola depois de rebelião em Parintins

Após rebelião que terminou com dois internos mortos, um deles decapitado, e o presídio incendiado, 123 presos foram encaminhados para salas de aula 03/09/2014 às 11:58
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No dia da rebelião, policial carrega saco onde estava a cabeça de um detento
Jonas Santos ---

Os amotinados da rebelião em Parintins estão presos na escola estadual senador João Bosco, localizada na avenida Nações Unidas, no Centro, ao lado do presídio que foi incendiado e parcialmente destruído pelos internos. A unidade, com capacidade para 36 presos, abrigava 138.

São 123 presos que estão recolhidos em três salas de aula, até que a Secretaria de Segurança Pública recupere o pavilhão do setor administrativo e as grades quebradas, por eles, durante a manifestação. A rebelião durou oito horas e terminou com um saldo de duas mortes brutais.

“Iremos ficar com a tropa até que a situação fique completamente normalizada”, afirmou o major Franciney Bó, que comanda a operação. Os policiais do Batalhão de Choque da PM, de Manaus, chegaram a Parintins na segunda-feira, por volta das 21h, quando os policiais locais já haviam negociado a rendição dos líderes do motim. “Estamos agora fazendo a limpeza da cadeia e, somente após a recuperação das celas e do pavilhão, os presos serão reconduzidos à unidade prisional”, afirmou Bó.

Nos protestos recentes não foram registrados óbitos, bem diferente da rebelião de segunda, em que os detentos Admil Silva, 59, preso por tráfico de drogas, e Paulo Elizer, acusado de crime de estupro, foram assassinados. O primeiro teve a cabeça e mão decapitadas e o corpo jogado na fogueira do incêndio dentro da unidade. O segundo foi morto com sinais de afundamento no crânio, segundo relatório final da PM.

Dois detentos passaram mal e foram internados no hospital Padre Colombo, dentre os quais o vereador João Bacú, que está detido no presídio, condenado por crime de estupro. A PM identificou que os internos conhecidos por “Cícero”, “Fion” e “China” foram quem comandaram o motim. Esses dois últimos é que teriam decapitado Admil e lançado a cabeça dele e a mão para fora do presídio. Eles e mais três encarcerados estão separados dos demais e foram recolhidos às celas da Delegacia de Polícia.

O comandante do Batalhão da PM do município, tenente coronel Valadares Junior, informou que o Ministério Público Estadual e a direção da unidade prisional solicitaram ao juiz André Campos, da Comarca de Parintins, a transferência dos presos que comandaram a rebelião. “Houve o pedido de transferência e estamos aguardando a decisão do juiz”, afirmou o comandante.