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Cotidiano
SUPERAÇÃO

Dia Mundial do Albinismo reflete sobre preconceito e afirmação perante a sociedade

Milhões de pessoas convivem com a situação de serem observadas diferentemente das outras pessoas, de conviver com o preconceito mas, acima de tudo, de saber superá-lo 11/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 11/06/2017 às 18:10
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O jornalista Daniel Jordano: bloqueio mental contra o preconceito / Foto: Antonio Lima
Paulo André Nunes Manaus (AM)

No próximo dia 13 será celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Albinismo, que é a incapacidade de uma pessoa produzir melanina, filtro solar natural e que dá cor à pele, cabelos e olhos. Em todo o mundo milhões de pessoas convivem com a situação de ser observado diferente pelas outras pessoas, de conviver com o preconceito mas, acima de tudo, saber superar isso se impondo como pessoa dentro da sociedade.

Uma dessas pessoas é o jornalista Daniel Jordano da Silva Miranda, 31. Tendo passado a infância e adolescência driblando o preconceito.
“Tudo que é diferente acaba tendo disso; hoje em dia nem tanto, mas na época de infância e adolescência tinha bullyng, tinha preconceito; é por pura falta de conhecimento de saberem que isso é característica da herança genética familiar, depende da hereditariedade”, garante Jordano.

“Hoje em dia não sofro mais preconceito, até porque criei um bloqueio mental quanto a isso. Hoje, na fase adulta, é mais tranquilo e as pessoas encaram com mais naturalidade, mas claro que quando anda nas ruas as pessoas olham, tem aquele olhar diferente. Nem muito pelo lado preconceituoso, mas é porque dizem ‘aquele cara tão branco’, e comentam”, ressalta. 
A situação hoje é bem diferente da época de escola, quando ele sofria preconceito, sim, num tempo em que esse tipo de comportamento irracional não se chamava bullyng.

“Minha mãe teve que conversar com professores, e foi pedido intervenção da diretoria, que reuniu os pais para explicar o que era o albinismo. Ela disse pra mim que, naquela época, pensavam que o albinismo era doença. Foi feita uma conscientização com pais. Comigo, ou os alunos tinham medo ou não chegavam perto. Acho importante que isso seja feito nas escolas, pois acredito que ainda deve haver isso hoje em dia, em termos de bullyng”, destaca ele.

O jornalista ressalta a importância da data. “Esse dia é preciso ser lembrado no aspecto de combate ao preconceito, assim como tem preconceito racial, infelizmente. A data serve para colocar na sociedade que o albinismo é uma característica genética como qualquer uma. Essa questão deveria ser mais difundida, e matérias como esa colaboram para esse processo. Há, por exemplo, o dia 20 de maio, da luta contra o racismo. Da mesma forma queremos que os albinos sejam lembrados para políticas públicas que os contemplem”, declarou. 

Jordano confirma que tem cuidados redobrados por conta dos efeitos do Sol. “O protetor solar não pode faltar, bem como o chapéu, óculos escuros, camisas de mangas compridas. É um cuidado que qualquer pessoa precisa fazer para se proteger, só que redobrado, um cuidado natural para todos, ainda mais em Manaus”, frisa Daniel Jordano. 

Frase

"Hoje em dia nem tanto, mas na época de infância e adolescência eu sofria bullyng, preconceito” (Daniel Jordano, 31 anos, jornalista)

Hermeto Paschoal se orgulha de ser 

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2015, o dia 13 de junho, também Dia do Albino, quer sensibilizar a condição dos albinos, que em todo mundo enfrentam preconceitos e até superstição, decorrentes da pouca ou nenhuma pigmentação da sua pele. 

O albinismo é a incapacidade de um indivíduo em produzir melanina, que é um filtro solar natural e que dá cor à pele, pelos, cabelos e olhos. O albino não consegue se defender da exposição ao sol e a consequência imediata é a queimadura solar, principalmente na infância quando o controle é mais difícil. Sem a prevenção, os portadores envelhecem precocemente e desenvolvem cânceres da pele agressivos e precoces.

Estima-se que a incidência mundial do albinismo seja 1 em cada 20 mil pessoas no mundo, sendo a maior número de casos na África: 1 albino para cada 1.500 pessoas. Apenas uma, em cada 20 mil pessoas no mundo, apresenta alguma forma de albinismo, o que torna essa característica algo raro. 

Para celebrar o Dia Mundial de Conscientização do Albinismo, em 13 de junho, a Sociedade Brasileira de Dermatologia lança campanha nas redes sociais e realiza evento com associações de portadores de albinismo.

Em vídeo, o conhecido compositor, arranjador e multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal, 80, que é albino, manda um recado para a sociedade a fim de diminuir o preconceito vivido pelos albinos.

“Eu gosto muito da minha cor, eu acho que ela que me influencia para fazer muitas coisas. Nunca senti preconceito, porque quem sente preconceito não se sente feliz com si próprio. Os momentos que são aparentemente mais difíceis, para mim são os mais maravilhosos. Porque são a provação. O mundo é provação, meu amigo”, encerra o artista. Você pode assistir ao depoimento de Hermeto Pascoal na íntegra pelo link www.youtube.com/watch?v=IRL-vYO4fAA.