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Cotidiano
Política

Dois deputados do AM participam da votação de impeachment pela segunda vez

Esta será a segunda vez que os deputados federais Átila Lins (PSD-AM) e Pauderney Avelino (DEM-AM) participam de um processo de impeachment 16/04/2016 às 14:10 - Atualizado em 17/04/2016 às 07:20
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O deputado Pauderney Avelino (DEM-AM) participou do processo de impeachment de Fernando Collor de Mello
Antônio Paulo Brasília

Neste domingo, 17, quando a Câmara dos Deputados decide se aceita o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, dois membros da bancada do Amazonas estarão revivendo o mesmo fato. Pela segunda vez, os deputados federais Átila Lins (PSD-AM) e Pauderney Avelino (DEM-AM) participam de um processo de impeachment. No primeiro mandado, em 1992, os dois parlamentares amazonenses votaram no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Como há 24 anos, Pauderney vai repetir o voto “sim”, agora contra a presidente Dilma Rousseff, enquanto Átila Lins mudará de posição. Fazendo hoje um mea culpa político, o veterano deputado, que votou “não” ao afastamento de Collor, diz que jamais cometerá novamente o mesmo erro político.  

“Há 24 anos, acatando decisão partidária, desconsiderei a extraordinária manifestação popular e votei contra o impeachment, numa atitude impensada que me proporcionou muitos transtornos políticos, com a estagnação de minha carreira política, impossibilitando-me de disputar mandatos majoritários (Senado, governo, prefeitura). Debito essa minha atitude à inexperiência, imaturidade política de quem estava no primeiro mandato de deputado federal e, por isso, adotei uma decisão equivocada ao votar contra o afastamento do presidente Collor”, justifica Átila Lins.

Em discurso ontem, na tribuna da Câmara, o parlamentar amazonense contou que dos 38 deputados que ousaram contrariar a vontade da maioria da população, somente ele e o deputado Nélson Marquezelli (PTB-SP) estão com mandatos para contar novamente a história. Entre os demais, alguns abandonaram as atividades políticas e outros perderam as eleições. Átila cita o ex-deputado Ézio Ferreira que, como ele, votou a favor de Collor e “não” impeachment. Após o episódio, ele não mais se elegeu deputado federal.

“Hoje, deparo-se com novo processo de impeachment, com alguns ingredientes a mais porque além do maciço apoio popular, temos uma crise econômica aguda, desemprego em alta, autoestima dos brasileiros baixíssima e mais o aspecto ético e moral. Não tenho o direito de cometer novamente um erro histórico, por isso, votarei a favor do impeachment, procurando me redimir do comportamento do passado, e com isso, reconciliar-me com o povo do Amazonas que nunca entendeu o posicionamento de 1992, além de me reconciliar comigo mesmo”, disse Átila Lins.

Bancada AM de 1992

Dos oito deputados federais do Amazonas que participaram do processo de impeachment do presidente Collor, seis votaram “sim”: Beth Azize (PDT), Eduardo Braga (PPR), Euler Ribeiro, João Thomé Mestrinho (PMDB), José Dutra  (PMDB), Pauderney Avelino (PPR) e Ricardo Moraes (PSB). 

Tramite

Sendo aprovado hoje o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, o processo seguirá para o Senado e, neste caso, um terceiro parlamentar da bancada amazonense poderá presenciar esse fato histórico pela segunda vez. O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, poderá voltar ao mandato de senador, do qual está licenciado, e participar da votação. A tendência é que, contrário de 1992, quando votou “sim” ao impeachment de Collor, Braga deverá votar “não” ao impeachment de Dilma Rousseff.

Pauderney Avelino, líder do Democratas na Câmara dos Deputados

Um dos líderes da articulação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado federal Pauderney Avelino (DEM-AM) relembra 1992 e diz que tanto naquela época quanto agora, o então presidente Collor e a presidente Dilma perderam as condições de governabilidade porque se comportaram de forma inadequada em relação à gestão pública.

“É um momento histórico na minha carreira política poder participar duas vezes de votação de impeachment de presidentes da República. E não o faço com alegria, pois, para mim, seria melhor que Collor e Dilma tivessem se conduzido de forma adequada e não cometido crimes de responsabilidade, mas também tem o conjunto da obra que a atual presidente transformou a economia brasileira em um caos”, argumenta Pauderney Avelino. 

Na opinião do parlamentar amazonense, as principais diferenças de ontem e hoje estão no fato da tecnologia, como Internet, redes sociais e meios de comunicação transmitindo ao vivo, levando as informações em tempo real e instantâneo. Outro fato é que Collor não tinha base política e Dilma tem o PT, “que mesmo em frangalhos, em ruínas”, tem uma base de deputados e movimentos sociais do seu lado. “Mesmo assim, a vontade da maioria da Câmara vai prevalecer neste domingo”, antecipa o líder do Democratas.