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Cotidiano
ELEIÇÕES

Um terço dos parlamentares da Assembleia Legislativa deve sair pela ‘janela partidária’

Pelo menos oito de um total de 24 deputados estaduais estão de mudança para outros partidos nas eleições 2018. Na CMM, dois já confirmaram mudança 11/03/2018 às 15:37 - Atualizado em 11/03/2018 às 19:39
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Deputados estaduais e também vereadores vão aproveitar a janela partidária para mudar de legenda visando as eleições de outubro (Arte: Thiago Rocha)
Camila Pereira Manaus (AM)

Quatro dias após a abertura da “janela partidária”, cerca de 33% dos membros da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) se movimentam nos bastidores para mudar de legenda. A troca de partido pode ocorrer até meia-noite do dia 7 de abril, de acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

A Lei dos Partidos Políticos e a Resolução 22.610/2007 do TSE, que trata de fidelidade partidária, estabelecem que parlamentares só podem mudar de legenda para incorporação ou fusão do partido; criação de novo partido; desvio no programa partidário ou grave discriminação pessoal. Contudo, durante a “janela partidária”, essa troca isenta o parlamentar de processo por infidelidade. 

As mobilizações acontecem, principalmente, para a reeleição ao cargo de deputado estadual, mas também para tentar uma vaga à Câmara Federal. 

O primeiro a realizar a troca foi o deputado Platiny Soares (PSL), que ao longo dos últimos dois anos fez parte do Democratas (DEM). Com a ida para o novo partido, o parlamentar assume a presidência estadual do PSL, além da coordenação de campanha de Jair Bolsonaro (PSL) no Amazonas. O parlamentar esteve ao lado do presidenciável em sua vinda à capital amazonense.

“Cheguei à Assembleia Legislativa do Amazonas, pelo Partido Verde (PV), indo em seguida para o Democratas, onde fui recebido com muito carinho por todos os partidários”, afirmou Platiny em nota oficial. “Me sinto preparado para o desafio, feliz e orgulhoso de estar em um partido em confluência com meus ideais, princípios éticos e morais”.

Na última semana, o presidente da ALE-AM, deputado David Almeida (sem partido), anunciou a desfiliação do Partido Social Democrático (PSD), onde estava desde 2011. O racha com a sigla aconteceu durante as eleições suplementares do ano passado. Não disputando cargo majoritário, Almeida apoiou Rebecca Garcia (PP), que era adversária de Amazonino Mendes (PDT), o qual o PSD apoiava. 

As costuras políticas com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) estão avançadas e as chances que Almeida vá para a sigla de Serafim Corrêa (PSB) são grandes. Nos bastidores, há informações de que ele possa disputar para deputado federal ou governo.

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) deve perder Vicente Lopes (MDB) e Wanderley Dallas (MDB). Ainda sem definição sobre nova  legenda, a tendência é que se apoiem na base aliada de Amazonino Mendes (PDT), como vem ocorrendo desde o ano passado, dentro da ALE-AM.

Os deputados Sidney Leite (PROS) e Belarmino Lins (PROS), já anunciaram a saída da sigla. Assim, o PROS ficará sem representação na casa. 

Informações dos bastidores também apontam a volta de Dermilson Chagas (PEN) para o PDT. O que foi negado pela assessoria do parlamentar. Outra possível saída seria de Orlando Cidade (PTN), que não foi confirmada.

Vereadores de Manaus

O vereador Plínio Valério já confirmou a sua saída do PSDB. Segundo ele, houve convites do PMN, Avante, PSL, Patriota e Rede. “Eu devo sair, porque não tenho espaço. Minha pretensão é disputar o Senado e no PSDB tem o Artur (Vírgilio) e a vaga é guardada pra ele”, enfatizou.

Já o  vereador Marcel Alexandre (MDB), que mira uma vaga na Câmara Federal, está em busca de nova legenda.

MDB é um com mais tem perdas

No primeiro dia das migrações partidárias, três deputados federais deixaram o MDB e há estimativa que as perdas possam chegar a 11, reduzindo o tamanho do partido na casa. A redução também pode acontecer dentro da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM). Hoje, o MDB - sigla comandada pelo senador Eduardo Braga no Amazonas - possui três deputados, dois deles devem sair: Wanderley Dallas (MDB) e Vicente Lopes (MD). 

Em agosto do ano passado, Dallas e Vicente deixaram exposta a revolta por terem sido arrancados da liderança e vice-liderança do PMDB, dentro da ALE-AM. O caso acabou provocando um bate-boca entre os deputados e a colega de partido, Alessandra Campelo (MDB), no plenário da Casa. 

A saída de Vicente Lopes já foi confirmada pelo próprio parlamentar. “Vou aguardar o andamento das coisas e a condução do governador Amazonino Mendes (PDT), que fará a orientação partidária do caminho que vou tomar. Para onde vou ainda não sei”, afirmou o parlamentar. 

Lopes destaca que hoje o partido passa por dificuldades. “A sigla não tem culpa por nenhum dos mal feitos de seus filiados, mas a verdade é que o partido está comprometido no que diz respeito aos problemas que o País enfrenta. Tem algumas condutas que nos incomodam e como diz o dito popular, ‘os incomodados que se retirem’. Eu estou me retirando”, afirmou. 

Especialista em Marketing

“O que vemos é a migração de aliados”, diz Afrânio Soares. Para o especialista em Marketing, Afrânio Soares, o que se pode observar na primeira semana de abertura da janela partidária é a migração de aliados, conforme as composições  de candidato para o governo. 

“É provável que haja pelo menos três candidatos acima dos ‘pequenos’, digamos assim. Devem ser Amazonino Mendes (PDT), candidato à reeleição com o apoio do MDB e, por isso, com fundo partidário e tempo de TV suficiente para fazer campanha; o outro seria Omar Aziz (PSD), com PSDB que tem um fundo e tempo suficiente e o terceiro seria David Almeida (sem partido) pelo PSB com o apoio do PT”, afirma Soares. 

O especialista destaca que aqueles parlamentares que estão saindo de seus partidos, já têm a plena certeza para onde deverão migrar. E, por isso, é preciso ficar de olho, nos próximos capítulos. “Outro momento da janela é quando está perto do fechamento. Digamos que essa primeira semana é palpitante, teremos dias de calmaria e perto da última semana e na própria última semana, as emoções voltarão a ficar mais fortes. Algumas incertezas dissiparão e é um jogo de muita conversa, proposta dos caciques para com seus parlamentares de interesse”.

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