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Cotidiano
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Dona de Casa é mais uma vítima de negligência na saúde pública em Manaus

A dona de casa Eliete Silva teve a bexiga comprometida durante uma cirurgia feita na rede pública e hoje junta latas para se manter  17/06/2012 às 15:58
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Eliete Silva sustentava a família toda, mas agora sofre sem assistência do Estado
Ana Célia Ossame ---

Há dois anos sem poder trabalhar no lanche que mantinha no Conjunto João Paulo 2º, na Zona Norte, a dona de casa Eliete Ferreira da Silva, 53, está catando latas para poder comprar as fraldas que precisa usar continuamente.

Vítima de erro médico, ela teve a bexiga comprometida após cirurgia para retirada de um mioma no útero e, hoje, não consegue mais nem receber o absorvente na rede pública. O problema é motivo de desespero, pois nem o médico e nem o poder público foram responsabilizados pelo que ela chama de “mutilação”, sofrida numa unidade pública de saúde.

O drama de Eliete começou no dia 11 de fevereiro de 2010, quando foi para a cirurgia de esterectomia no hospital Francisca Mendes. Após o procedimento, ela avisou o médico que não conseguia mais parar de urinar, mas nenhuma providência foi tomada.

“Disseram que era normal. Em setembro de 2010, fui encaminhada para uma cirurgia de reconstituição da bexiga, mas os resultados não aconteceram devido aos danos causadospelo primeiro médico”, relata a dona de casa, que é mãe de uma menina portadora de deficiência e tem ainda outros dois irmãos com problemas psiquiátricos e uma neta, que não podem trabalhar. “Eu era o esteio da casa, agora preciso juntar latas para colocar comida na mesa.”

SEM RESTAURAÇÃO

Depois de lutar muito, Eliete vislumbrou a possibilidade de fazer uma cirurgia para a retirada da bexiga e implantar uma bolsa, o que a permitiria trabalhar. Mas há um ano com exames feitos, não consegue mais consulta no hospital. Ela levou o caso à Justiça, mas há tempos não vê o processo evoluir. O processo corre em segredo de justiça e a última movimentação, feita no dia 4 de junho, registra a recusa do perito em atuar no caso.

Apesar da ordem judicial que determina que a Susam forneça as fraldas a ela, o repasse não acontece desde julho de 2011.Ela nem chegou a levar o caso ao Conselho Regional de Medicina (CRM) por incredulidade.

A assessoria de imprensa da Susam informou que a Cema não pode entregar as fraldas para Eliete porque ela não está mais internada e a orientou a buscar o produto na Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas).