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Droga apreendida com brasileiro condenado à morte passou por Manaus antes de ir à Indonésia

Filho de família tradicional amazonense, Marco Archer Cardoso Moreira ficou dois dias em Manaus antes de viajar com a droga para a Indonésia 27/06/2012 às 17:17
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Ciente da execução, Archer já teria feito o último pedido, uma garrafa de uísque, segundo jornal indonésio
jornal a crítica* Manaus

Antes de ser preso por tráfico de drogas na Indonésia, em 2003, o instrutor de voo livre Marco Archer Cardoso Moreira, 50, ficou dois dias em Manaus, na casa da avó, com o asa-delta recheado de cocaína, aproximadamente 13,5 quilos. A droga havia sido retirada no Peru, em um hotel no norte do País, na cidade de Trujillo.

Archer entrou no Amazonas de barco e embarcou para São Paulo pelo aeroporto internacional Eduardo Gomes. De lá, ele viajou rumo a Jacarta, na Indonésia e fez uma escala em Amsterdã, na Holanda.

Marco é neto de Lourdes Acher Pinto, último membro da família a assumir os negócios iniciados pelos irmãos Agnaldo e Henrique Archer Pinto, com a fundação de “O Jornal”, um dos principais veículos da mídia impressa do Estado. A mãe dele, Carolina Acher Pinto, morreu em 2011, vítima de câncer.

Na última semana, o governo indonésio anunciou sua execução para o mês de julho. Ele foi condenado em 2004 e já teve dois pedidos de clemência, feitos pelo então presidente Lula, negados pelo governo indonésio.

Ontem, em entrevista publicada pela “Folha de São Paulo”, ele fez um apelo à presidente Dilma Rousseff, para que interceda por ele. “Peço para ela ao menos tentar. A única pessoa que pode me salvar é ela.”

Dívida
O brasileiro saiu do Rio de Janeiro, onde morava, com destino ao Peru para transportar droga até a Indonésia para pagar um dívida de um hospital em Cingapura, contraída em 1997. Na ocasião, ele sofreu uma queda de parapente em Bali, e foi levado para o país vizinho para tratamento. Como não conseguiu pagá-lo integralmente, era constantemente cobrado.

Sem dentes
Quase nove anos detido na Indonésia transformaram Marco Archer. A aparência não é mais sadia: o cabelo está ralo e o brasileiro quase não tem mais dentes que eram, na verdade, implantes feitos depois do acidente de parapente. Sem tratamento dentário, os implantes caíram. Além disso, ele adquiriu o hábito de fumar cigarros, o que não fazia quando estava livre.

Uma tia é a responsável pela ajuda mensalmente em dinheiro por ligações quase diárias.

Negociação
O embaixador brasileiro em Jacarta, Paulo Soares, disse que não foi notificado da execução nem da recusa, pelo presidente Susilo Bambang Yudhoyono, ao segundo pedido de clemência feito para tentar livrá-lo da morte, mas isso só significa que Marco pode ganhar algum tempo, já que o País tem de ser notificado.

Paulo Soares deverá se encontrar na segunda-feira com o procurador-geral de Justiça local para obter mais detalhes sobre a decisão.

*Com informações de agências e da Folha de São Paulo.

Marco Archer

1 Alguém te avisou sobre a possibilidade de execução?
Não. Ninguém me avisou de nada. Sei que saiu na imprensa aqui, só. Mas, faz um mês, veio um procurador aqui e me fez assinar um papel sem timbre.

2 Você sabe como é a execução?
Houve dois nigerianos aqui que foram executados em 2008, os dois últimos a morrer na Indonésia.

3 E como foi?
O comandante da prisão veio e falou para eles que tinha uma visita. Quando eles foram até os policiais, agarraram eles e levaram para fuzilar. Um deles tentou fugir, mas não adiantou. Aí, à noite, eles foram executados. Avisaram um mês antes. A execução foi aqui na ilham mesmo.

4  E você tem medo?
Medo, não... Tenho um medinho. Qualquer um que está aqui pode ser executado a qualquer hora. Só quem sabe é Deus. E tem como evitar isso.

5 O que você diria para quem está torcendo por você no Brasil?
Que nunca percam a esperança, vou aguentar, se Deus quiser.

Detalhes
A execução é feita por 12 soldados. Apenas dois fuzis são carregados, sem que os atiradores saibam quais.

Cada soldado atira no peito do condenado uma vez.

Se ele sobreviver, leva um tiro na cabeça.

Corpo é entregue à família.