Publicidade
Cotidiano
Saúde e tecnologia

Novas técnicas possibilitam planejar virtualmente cirurgias faciais

Segundo especialista, o planejamento virtual de deformidades da face não atende só a parte funcional, mas sim as demandas estéticas do paciente 16/05/2016 às 09:16
Show paulo
A goteira (na mão do odontólogo) é uma tecnologia de manufatura aditiva (Fotos: Clóvis Miranda)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Na formação dos profissionais que fazem cirurgias bucomaxilofaciais – que lidam com ossos e deformidades da face-, os estudantes aprendem a planejar a solução do problema do paciente de forma laboratorial, com arcos faciais, articuladores e cortes em gesso. Este modo laboratorial deixou de ser a única forma de planejamento cirúrgico quando começaram as demandas de softwares para esse tipo de tratamento. Hoje já é possível usar a tecnologia no planejamento virtual das cirurgias faciais e garantir níveis maiores de praticidade, previsibilidade e precisão nos procedimentos.

Segundo o odontólogo cirurgião bucomaxilo Paulo Roberto Bártholo, da Smart Solutions, o planejamento virtual de deformidades da face não atende só a parte funcional, mas sim as demandas estéticas do paciente. “Utilizamos softwares específicos para a movimentação das bases esqueléticas. Um paciente que tem deformidades necessita fazer movimentações das bases, e pelo software você consegue elevar as bases esqueléticas onde você deseja, na melhor posição, de acordo com a deformidade que ele tiver”, pontua.

O primeiro passo é a criação do crânio composto – uma tomografia de face total do paciente, que vai dar base para o molde. “A criação do crânio composto é justamente isso: você ter a tomografia com os modelos sobrepostos e a partir daí, você começa a fazer as movimentações”, diz o odontólogo. Para transpor o molde do ambiente virtual para o ambiente cirúrgico, é necessário uma goteira – o molde em si. A partir daí, será feita uma incisão na face e o posicionamento da goteira na região disforme do rosto, para que a cirurgia seja feita a partir do seu molde.

“Pacientes que tem o queixo para trás tem uma deformidade que chamamos de deformidade dentofacial, porque não são os dentes que estão fora da posição, mas sim os esqueletos. É preciso uma cirurgia para a correção dessa deformidade. Com um paciente que tem o crânio composto montado, e mais os modelos sobrepostos da tomografia, eu consigo fazer as movimentações necessárias para esse tipo de paciente. Nisso, o paciente sai com o queixo para frente e a maxila avançada. Com o software, conseguimos aumentar as bases esqueléticas e o perfil estético se torna mais agradável após a cirurgia”, destaca Bártholo.

Além das indicações funcionais – onde a vida do paciente é afetada pela deformidade com dores e afins, existem as indicações estéticas para o uso do planejamento virtual, como por exemplo os pacientes que tem o queixo para trás. “A pessoa nesse quadro não foi submetida a uma cirurgia dita convencional para movimentação de base esquelética. Ela foi submetida a uma cirurgia apenas para o aumento do queixo dela, uma osteotomia – que chamamos de base larga da mandíbula. Eu considero isso uma cirurgia estética, onde se consegue melhorar o perfil do paciente”, destaca o cirurgião.

Segundo Paulo, uma coisa é o paciente precisar de movimentação de base; outra coisa é o paciente que precisa do avanço do queixo. “Nisso precisamos da goteira para posicionar a maxila e a mandíbula onde a gente deseja. Então a referência que tenho durante o procedimento cirúrgico é justamente um ‘splint’ que é gerado dentro desse software. Depois que a gente osteotomiza o osso, você não tem referência de onde colocar ele. É justamente a goteira que vai transpor o que a gente planejou no software para o procedimento cirúrgico”, pontua o odontólogo, lembrando que não existe contra-indicação para o uso do planejamento virtual.

Sobre a goteira

A goteira é uma tecnologia de manufatura aditiva. “Ela é impressa por uma impressora tridimensional com uma tecnologia chamada Polijet, que trabalha por adição de camadas, através de um laser. A precisão é muito interessante”, diz o odontólogo, lembrando que cada goteira é confeccionada conforme a fisionomia de cada paciente. “A tecnologia Polijet é considerada a mais precisa do mundo”, complementa. É o software quem planeja o formato correto da área disforme do paciente, mas ainda assim o método não simula fidedignamente o resultado final. “Mas chega muito perto do que é planejado”, coloca Paulo.

A cirurgia bucomaxilo facial, quando faz uso de métodos de planejamento para deformidades tradicionais, tem a duração de cinco a seis horas. “Esse método é usado por muitos cirurgiões, principalmente na fase de formação dos profissionais”, afirma. O que difere do método de planejamento virtual das cirurgias. “A partir do momento que temos a tomografia, os modelos escaneados, e as fotos para montarmos o caso, em 40 minutos estou com o arquivo pronto para impressão, dependendo da tecnologia utilizada. Uma goteira dessas demora de uns 30 a 40 minutos para ser impressa. Estamos com o paciente operado e pronto em 1h20 minutos”, revela.

Saiba mais

As cirurgias ortognáticas são indicadas para corrigir o padrão facial em pacientes que apresentam desenvolvimento ósseo (como da mandíbula ou da maxila) fora do ideal. O crescimento fora do padrão leva a problemas que não podem ser resolvidos apenas com o tratamento ortodôntico convencional.