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‘É preciso olhar para frente’, diz empresário Mário Guerreiro, aos 95 anos de idade

Em plena atividade, Guerreiro fala com propriedade sobre empreendedorismo, liderança e postura diante dos desafios impostos pelo momento econômico 10/10/2015 às 16:44
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Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, ele contou um pouco sobre como alcançou o patamar de um dos maiores administradores do Estado e como avalia o panorama econômico atual
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Por mais de 70 anos, o sucesso do empresário Mário Guerreiro tem muito que ensinar aos jovens empreendedores que hoje enfrentam um período de crise. Não é de se espantar também que, aos 95 anos, Guerreiro – bacharel em direito e especialista em administração de empresas – ainda faça parte de três grandes grupos, entre eles o negócio consagrado criado por ele nos anos 50, que é a plantação e tecelagem de juta por meio da Brasiljuta da Amazônia, atual Brasjuta.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA, ele contou um pouco sobre como alcançou o patamar de um dos maiores administradores do Estado e como avalia o panorama econômico atual.

Qual foi o seu primeiro emprego?

Meu primeiro cargo  foi como datilógrafo  na Prudência Capitalização, em São Paulo, na década de 40. Antigamente, pra você conseguir emprego, tinha que saber escrever na máquina, hoje é preciso saber de informática. Apesar dessa função, era eu quem fazia contratos de trabalho para cada funcionário categorizado. Depois voltei pra Manaus e fui convocado pelo Exército.

Com pouca idade, como era sua postura na empresa?

Era esforçado. Aos poucos fui sendo reconhecido como eficiente, capaz, inteligente, e ganhando sempre fama de bom funcionário e com vontade de progredir.

E o seu primeiro negócio? Quando o senhor começou a crescer, de fato?

Foi a Brasiljuta. Eu ajudei o produtor a plantar juta e introduzi a malva na Amazônia, no Solimões. Houve uma luta muito grande para introduzir a malva e associá-la à juta, mas com muito trabalho fiz isso para que ela fosse longe e oferecesse maior rentabilidade ao caboclo.

Que momento o senhor considera o mais desafiador da sua trajetória?

Todo tempo pra mim foi um desafio. Na minha vida inteira eu só conheci trabalho. É até engraçado dizer que minha vida foi fácil. Perdi meu pai com dez anos de idade e já cheguei a trabalhar em quatro empresas ao mesmo tempo. Naquela época não havia trabalho mole. Eu não tive essa oportunidade de ser um marajá da República.

Para o senhor, o que uma pessoa precisa fazer para se tornar um bom líder?

Ela precisa olhar para frente, enfrentar os problemas e procurar boas soluções. O dia a dia tem problemas que precisam ser enfrentados. Hoje mesmo nós estamos sentindo com tristeza o que está acontecendo com o Brasil e gostaríamos que aparecesse uma inteligência e uma liderança que tivesse capacidade de encontrar soluções para acabar com as nossas dificuldades.

Como o senhor avalia a crise que atinge o nosso País?

É resultado de uma falta de vergonha que envolve uma falta de patriotismo, falta de liderança e falta de vontade de ver o Brasil crescer e ser uma grande nação. Quando digo isso me refiro aos líderes brasileiros que estão deixando o nosso Brasil se tornar uma Venezuela.

O senhor acha que o povo se tornou menos patriota? Por quê?

Acho que sim, e isso acontece pela falta de conhecimento do que é ser cidadão. O cidadão tem que conhecer seu País e a pátria que vive, para ele poder fazer uma pátria justa e perfeita, capaz de transferir pra novas gerações. A pátria precisa ser olhada como a própria imagem de Deus. Você vive de duas coisas: da pátria que você nasce e cresce, e daquilo que você acredita.

Na sua opinião, é possível lidar com esses problemas?

É sim. Um dos maiores aliados são os jornais, que devem continuar a publicar os verdadeiros problemas brasileiros e incitar os políticos a darem a solução o mais rápido possível.

Para o senhor, qual a receita para o ser humano vencer na vida?

Enfrentar os problemas, ter coragem e vontade de trabalhar.

Naquela época, imagino que ascender profissionalmente era como ganhar na loteria.

Como foi para o senhor conciliar esse crescimento profissional com os deveres familiares?

Foi com muito amor. Fui casado por mais de 60 anos em um casamento perfeito. Sinto muita falta da minha esposa, que sempre foi uma belíssima companheira e ótima mãe. A educação dos meus filhos sempre foi muito objetiva, realista, e muito voltada para a humanidade e amor ao próximo.

Que mensagem você deixaria para empresários que estão vivendo esse momento de instabilidade econômica?

A época de ganhar dinheiro é a época de perder também. Nem sempre se ganha. Acredito que o essencial mesmo é sempre estar focado em encontrar soluções e não desistir.

É difícil fazer essa pergunta, mas como o senhor encara o fim da vida?

Com naturalidade. É muito mais fácil terminar a vida do que começar.