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Em 2015, violência contra jornalistas no Brasil cresceu

Região Norte, que em 2014 foi classificada como a quarta mais violenta para jornalistas, ano passado apareceu em terceiro lugar 22/01/2016 às 21:00
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Truculência policial está entre os principais casos de violência contra profissionais de imprensa no exercício da profissão
Antônio Paulo Brasília (DF)

Aumentaram no Brasil as agressões contra os profissionais da mídia. Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa-2015, divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), revela 137 ocorrências contra profissionais da imprensa, televisão, rádio, blogs e demais mídias digitais. São oito casos a mais do que os 129 registrados no ano anterior.

Na Região Norte, que em 2014 foi classificada como a quarta mais violenta para jornalistas, ano passado apareceu em terceiro lugar. Foram registradas 22 (16,06%) ocorrências. O Pará foi o estado com o maior número de casos: 13 registros. No Tocantins, foram outros quatro casos e, no Amazonas, dois. Já nos estados do Acre, Rondônia e Roraima foi registrado um caso, em cada.

O Sudeste liderou o ranking, com 57 casos, o que representa 41,6% do total; o Nordeste ficou em segundo lugar entre as mais violentas para os jornalistas, com 29 casos, equivalente a 21,16% do total; no Sul houve 18 tipos de agressões (13,14%) e na região Centro-Oeste, 11 casos de violência contra jornalistas (8,03%).

Relatos

Em 12 de maio de 2015, os jornalistas Débora Holanda e Roberto Araújo, repórter e repórter cinematográfico da TV A Crítica/Record, da Rede Calderaro de Comunicação, foram vítimas de agressão de policiais militares, inclusive, alguns à paisana. Eles tentavam fazer a cobertura jornalística de uma reunião entre os policiais, na Comunidade Jesus me Deu, Zona Norte de Manaus.

O segundo caso no Amazonas ocorreu em 5 de julho, quando o delegado da Polícia Federal (PF), Leon Emerich tomou de forma abusiva o telefone celular e o cartão da máquina fotográfica de uma repórter do jornal Diário do Amazonas, em sessão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas.

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Amazonas, Wilson Reis, a agressão de policiais à repórter da TV A Critica/Record, Débora Holanda, e ao cinegrafista Roberto Araújo, foi denunciada ao Comando da Polícia Militar do Amazonas que instaurou inquérito interno para apurar o caso. O comandante da época comprometeu-se a informar o Sindicato dos Jornalistas quando as investigações chegarem à conclusão. A entidade também fez nota de repúdio quando a violência ocorreu.

No caso da agressão contra a jornalista do jornal Diário do Amazonas, Wilson Reis informou que fez contato com a direção do veículo colocando o sindicato à disposição para tomar as providências. Um diretor do jornal disse que as ações seriam tomadas pela assessoria jurídica.  

Assassinatos

O número de assassinatos de jornalistas caiu, mas cresceu o de assassinatos de outros comunicadores.

Em 2014, três jornalistas e quatro comunicadores foram assassinados. Já em 2015, houve duas mortes de jornalistas e nove mortes de outros comunicadores. Foram registrados 16 casos de agressões verbais, 28 de ameaças e/ou intimidações, nove atentados, 13 ocorrências de impedimento do exercício profissional, nove cerceamentos à liberdade de expressão por meio de ações judiciais, oito prisões e ainda um caso de censura.

Agentes públicos agressores

Seguindo a tendência verificada em 2013 e 2014, as agressões contra jornalistas tiveram como principais autores os policiais militares, especialmente nos casos registrados em manifestações de rua. Ao todo, a categoria policial foi responsável por 28 (20,44%), das 137 agressões.

Seguranças privados foram os agressores em quatro ocorrências. Em segundo lugar, aparecem os políticos/assessores/parentes com 21 (15,33%) ocorrências.

Criminosos de aluguel foram os responsáveis diretos pelos dois assassinatos de jornalistas ocorridos no País e também pelos atentados, chegando a 11 casos de violência (8,03% do total). Procuradores/juízes foram responsáveis por seis (4,37%) casos de violência e empresários por outros sete (5,11%).

No lançamento do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa 2015, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestou preocupação com o crescimento das agressões à categoria e defendeu medidas para combater a violência, entre elas, a criação do Observatório da Violência contra Comunicadores, a instituição de um Protocolo de Segurança a ser adotado pelas empresas de comunicação e de outro protocolo direcionado às forças de segurança no País.