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Em Brasília, parlamentar encampa luta de coariense contra candidatura de Adail Pinheiro

Frente Parlamentar quer mais rapidez no julgamento do caso de Coari e dos prefeitos brasileiros que foram eleitos, mas estão “pendurados” no TSE 01/12/2012 às 19:20
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Morador de Coari Joel de Souza Rocha está acampado em frente ao TSE há 40 dias
Antônio Paulo/Jornal A Crítica Manaus (AM)

BRASÍLIA (SUCURSAL) – A Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, do Congresso Nacional, tem reunião marcada para a próxima terça-feira (11/12),  e na pauta estará uma solicitação do coordenador do grupo, deputado federal Francisco Praciano (PT): pedir uma audiência com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Dias Toffoli, relator do Recurso Especial nº 15105 que trata do pedido de inelegibilidade do prefeito eleito de Coari, Adail Pinheiro (PRP). Condenado em processos no Tribunal de Contas da União e do Estado (TCU e TCE), o Ministério Público Eleitoral quer enquadrar Adail na Lei da Ficha Limpa (LC 135/2010).

Se for confirmada a reunião com Dias Toffoli, a Frente Parlamentar vai pedir mais rapidez no julgamento do caso de Coari e dos prefeitos brasileiros que foram eleitos, mas estão “pendurados” no TSE.

A proposta de Praciano, a ser levada à Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, surgiu depois que ele fez uma visita ao coariense Joel de Souza Rocha, 42, que desde o dia 22 de outubro está em frente ao Tribunal Superior Eleitoral em um protesto que pede a aplicação da Lei da Ficha Limpa. Solteiro, com uma filha de 19 anos, Joel saiu de Coari e chegou a Brasília com recursos próprios e ajuda de amigos. De segunda à sexta-feira, alimenta-se somente de líquidos. Evangélico, ele diz que não está fazendo greve de fome, mas jejum e muita oração para que o TSE julgue favorável o pedido do Ministério Público e torne Adail Pinheiro inelegível.

“Um dia, a corrupção será tratada como crime hediondo, pois, para mim ela mata e escraviza muito mais, tirando o sonho, a oportunidade de moradia, de emprego e renda, saúde e educação. Se eu não voltar mais para minha cidade, o que importa é que a Lei da Ficha Limpa pode dar oportunidade aos que estão lá e que mude a vida deles”, declarou Joel. Segundo ele, o protesto vai terminar no dia que o processo de Adail Pinheiro for julgado pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

Para Praciano, o protesto e a indignação de Joel Rocha mostram que os filtros da sociedade e do Estado não são suficientes para barrar a corrupção. “Primeiramente, passou pelo povo que o elegeu novamente, depois passou pelas instâncias da Justiça. Diversas instituições como a Igreja, OAB, Associação de Magistrados e do Ministério Público, movimentos sociais e mais de dois milhões de pessoas pediram a aplicação da Ficha Limpa, aí vem Coari e ratifica, a própria sociedade o libera e o Estado não tem mecanismos mais ágeis para barrar essa triste e lamentável história”, disse.

Casos

Adail Pinheiro é um dos cinco prefeitos eleitos no Amazonas que aguardam o julgamento de recursos pelo TSE sobre o registro de candidatura. Os outros quatro são: Washington Régis, de Manacapuru; Abraham Lincoln, de Codajás; Antônio Lima, de Boca do Acre; e Raimundo Sampaio, de Autazes. Sem data definida, o recurso do MPE contra Adail está pronto para ser julgado pelo ministro José  Dias Toffoli.

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