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Em Manaquiri (AM), crianças da Zona Rural conseguem ir à escola com ajuda de empresário

Criança sem escola? Não se depender de pessoas como o empresário dono de uma lancha ajato, que sente-se feliz em servir alunos sem cobrar nada pelo trajeto de ida e volta ao colégio dos pequenos 12/10/2015 às 10:37
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Alunas são gratas a um dos donos de uma empresa de barcos que transportam, de graça, alunos que perderam o transporte escolar que, obrigatoriamente, deveria ser fornecido pela Prefeitura de Manaquiri
Nelson Brilhante Manaus (AM)

A Constituição Brasileira obriga os administradores públicos, de todas as instâncias, a oferecer educação gratuita ao brasileiros. Isso é lei federal e um direto para qualquer aluno  comemorar, independentemente da idade, se sentindo uma criança. Entretanto, a maioria das escolas do interior de Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus em linha reta) está fechada por falta de transporte dos alunos.

Hoje, os estudantes que moram na área rural e que estudam na sede do Município vão e voltam graças à generosidade do dono de uma lancha ajato, que não cobra passagem deles. Seis donos de barcos, contratados pela Prefeitura para o transporte de aluno, há oito meses não recebem. A maioria decidiu interromper o serviço. Mais de 500 crianças estão sem estudar porque os pais não têm transporte para leva-las.

Ana Cláudia Santigo, de15 anos, aluna do primeiro ano do Ensino Médio, confirma a informação. “Os donos de lanchas não estão mais transportando a gente porque estão sem receber. Ele (Heraldo de Souza Pereira, 39, dono da lancha Jeane III) leva gente de graça”, confirmou a aluna.

Heraldo, que comanda a lancha família, reconhece que acaba tendo prejuízo porque interrompe a viagem, parando em residências do interior para deixar alunos, como comprovou a reportagem de ACRITICA. “A cada parada, perco cerca de cinco minutos, mas é muito gratificante”, revela o empresário.


Lindoval de Oliveira, 55, um dos donos de embarcações contratadas pela Prefeitura para transportar alunos, não fez rodeios quanto ao problema. “No ano passado eu fiz um contrato de dez mesesmassó me pagaram dois. Neste ano, fiz de novo e nada. Depois de dez meses sem receber, eu parei. Eu transportava, em média, 15 alunos. A única coisa que me falam é que não tem dinheiro. Ele (o prefeito) falou que não vai pagar não porque não tem dinheiro.

Cadê?

“O prefeito de Manaquiri sumiu. É igual orelha de freira. O vice (Jair Bercil) há quatro anos eu não vejo. Quando ele aparece é de noite e não amanhece.Estamos abandonados. Quem manda no Município é o Clodoaldo Martins, irmão do prefeito. Um colega me falou que o prefeito tem uma chácara, nas redondezas que vale mais de dois milhões de reais”, disse o comerciante Itamar Cunha Reis, 54.


Uma das maiores escolas no interior de Manaquiri, está sem professor por falta de pagamento por parte da prefeitura

Ramal complicado

O ramal do Manaquiri, que tem 25 quilômetros, único acesso terrestre entre o lago do Janauacáe a sede do Município, é um problema para qualquer suspensão dos muitos carros que transitam na via, diariamente.  O motorista de lotação Mário Antônio Silva, 34, relata a situação de todos os anos.

“Todos os candidatos prometem resolver esse problema do ramal, mas, até hoje, ninguém fez nada. Quando o rio enche, só dá pra ir ao quilômetro quatro, porque o resto do ramal fica no fundo. Nós estamos abandonados porque quem administra o Município pouco vem aqui. Eles têm que cumprir com as promessas de campanha”, declara o motorista.

Difícil

Após várias tentativas, não conseguimos falar nem com o secretário de administração, identificado apenas como Luís, nem com o secretário de infraestrutura, Adroaldo, secretário de finanças,e muito menos com o prefeito,  Mas, moradores disseram que um deles é irmão do prefeito.