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Em Manaus, menino de seis anos era acorrentado pelo próprio pai com ajuda da madrasta

Polícia está à procura do pai do menino, que tinha as mãos presas a uma corrente e cadeado. Conforme depoimentos da criança, ele também passava fome 29/12/2012 às 12:56
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Segundo o delegado Rafael Guevara, o pai e a madrasta serão indiciados por cárcere privado, tortura e maus-tratos
maria derzi ---

Uma criança de apenas seis anos de idade era mantida presa acorrentada dentro de casa e sem alimentação adequada pelo próprio pai no bairro São José, na Zona Leste.

O caso está sendo investigado pelos policiais da Delegacia Especializada na Proteção à Criança e ao Adolescente (Deapca) e foi, inicialmente, denunciado ao Ministério Público Estadual (MPE) no mês de novembro por uma fonte anônima, que chegou a tirar fotografias da criança acorrentada, na residência onde ela mora com o pai e a madrasta. As fotos revelam que o menino ficava com as duas mãos presas numa corrente, trancada a cadeado.   

Como a denúncia ao MPE foi feita no dia 29 de novembro, é possível que o menino venha sendo submetido a maus-tratos e a cárcere privado há pelo menos dois meses.

Promotoria

A denúncia feita ao MPE, que continha as fotos do menino acorrentado, foi encaminhada para a Promotoria da Infância e da Adolescência. A juíza Nilda Silva de Souza determinou que o caso fosse investigado e um representante do Conselho Tutelar da Zona Leste foi à casa do menino. “Hoje só estavam na casa o menino e a madrasta, mas a criança não estava acorrentada. Mesmo assim, ambos foram encaminhados para a delegacia e o menino confirmou que vinha sendo acorrentado pelo pai”, disse o delegado plantonista da Deapca, Rafael Guevara.

 De acordo com o delegado, o menino disse que o pai o acorrentava porque ele tinha costume de fugir de casa. Rafael Guevara explicou que a madrasta, que foi encontrada em casa com o menino, era conivente com o comportamento do pai. “O menino falou ainda que passava fome. Ele, inclusive, disse que hoje (ontem) não tinha tomado café e nem almoçado”, salientou.

De acordo com informações prestadas pela polícia, o menino foi criado pela avó paterna e só depois passou a viver com o pai e com a madrasta.

A criança foi encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML), na Zona Norte, onde seria submetida a exame de corpo de delito, para confirmar a tortura.

O pai não foi encontrado para prestar esclarecimentos. Mas ele e a madrasta serão indiciados por cárcere privado, tortura e maus tratos contra a criança.