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Em quatro anos, número de meninas que deram à luz cresce 50% no Amazonas

Os dados constam no estudo Estatísticas do Registro Civil 2014, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 30/11/2015 às 21:32
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Especialista, Grasiela Leite recomenda a adoção de uma disciplina de orientação sexual nas escolas para que meninas evitem a gravidez indesejada e as DSTs
SILANE SOUZA Manaus (AM)

O número de mulheres com menos de 15 anos que tiveram filhos aumentou 50,3% no Amazonas, no período de 2010 a 2014. O crescimento também foi registrado em Manaus, onde o índice subiu 41% no mesmo intervalo de tempo. Os dados constam no estudo Estatísticas do Registro Civil 2014, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, esse grupo era de 640 adolescentes, em 2010, e de 962, em 2014. Em termos percentuais, o índice de crescimento passou de 1,04% para 1,29% em quatro anos. No caso da capital, o número de mães com menos de 15 anos passou de 298 (2010) para 422 (2014).

Para a diretora do Instituto da Mulher Dona Lindu, Grasiela Leite, não é por falta de informação que há aumento de adolescentes grávidas no Estado, pois muitas dessas jovens têm problemas na família e por isso querem se autofirmar com a gravidez. Outras acreditam que engravidando vai reconquistar o namorado.

“Normalmente ela se ilude com a gravidez. Acha que vai mudar a vida que ela tem, mas não vai. Pelo contrário, a mudança vai ser drasticamente e como consequência ela perde a vida social, escolar, convívio com amigos porque um recém-nascido requer todo o tempo dela. Ela passa a ser uma mulher quando na verdade ainda é uma criança”, comentou.

Para Grasiela, deveria haver maior orientação sexual, porém, é complicado querer tanto de uma família de baixa renda em que pai e mãe saem cedo para trabalhar e chegam tarde e não tem tempo para conversar. A saída seria uma disciplina de orientação nas escolas.

Nascimento

A cada ano o número de nascimentos no Estado vem aumentando, de acordo com o IBGE. Em 2014 nasceram 74,5 mil crianças, sendo 51% homens e 49% mulheres. O aumento em relação a 2010 foi de 21,6%%. Em Manaus, o número de nascimento foi de 41 mil pessoas no ano o que equivale a uma Arena da Amazônia lotada.

Mesmo sendo a sétima capital em população do País, o número de nascimentos em 2014 colocou Manaus na 4ª posição dos nascidos vivos, à frente inclusive de cidades com população bem superior.

Todos os tipos de mortes tiveram crescimento

A pesquisa do IBGE revela que de 2010 para 2014 o número de óbitos aumentou 18,4% no Amazonas. As mortes naturais tiveram um aumento de 18,7% na comparação com 2010. Já aquelas de natureza violenta cresceram 21,6% na mesma comparação. Muito embora tenha havido um pequeno declínio na comparação com o ano passado, o Estado teve em média 2,6 mortes violentas para cada dia do ano.

As mortes por causa natural atingiram principalmente as pessoas com idade acima de sessenta anos. E neste grupo aquelas que estavam no intervalo entre 70 e 79 anos foram as que mais tiveram ocorrência de falecimento. 

Por outro lado, 50% das vítimas de mortes violentas eram pessoas entre 0 e 29 anos, indicando a suscetibilidade dos jovens à violência. Neste grupo, o maior número de mortes ocorreu com as pessoas entre 20 e 24 anos (162).

Em Manaus, o número de falecimentos em 2014 atingiu 10.314 com uma média de 28 mortes por dia, o que representou um aumento de 18,9% em relação a 2010. As mortes naturais foram 9.968 durante o ano; os jovens entre 0 e 29 anos representaram 18,6% dos falecimentos, e os idosos acima dos sessenta anos foram 51,7%.

Registro civil tardio ainda é um problema

Apesar da redução de 8,8 pontos percentuais em três anos, o índice de registros tardios no Amazonas ainda é muito alto (17,4%), conforme mostrou o estudo Estatísticas do Registro Civil 2014. O Estado tem a pior colocação, em nível nacional, seguido do Pará (15,3%), Roraima (15,1%) e Amapá (15,1%).

De acordo com a pesquisa do IBGE, mesmo depois do grande esforço feito nos últimos anos para que recém-nascidos saiam da maternidade de posse da Certidão de Nascimento, ainda é grande o percentual de crianças que são registrados tardiamente.

Em 2014, por exemplo, este número alcançou 15.674 pessoas.O estudo revelou que 8.602 pessoas (54%) tinham nascido entre 2011 e 2013, ou seja, nos três anos anteriores a data do levantamento.

Em Manaus, o percentual de registros tardios foi de apenas 6,2% em 2014, e também vem apresentando redução de ano para ano, em 2010 era de 11,8%.“Portanto, pode-se deduzir que o alto passivo amazonense para os registros tardios, é impulsionado principalmente pelo interior. O que indica que em alguns municípios as ações públicas não foram implementadas.

Casamentos e divórcios têm alta

O número de casamentos entre homens e mulheres vem crescendo a cada ano no Amazonas, de acordo com o IBGE. Em 2010, foram 10.630 casamentos e em 2014 passou para 13.630. Em Manaus, houve aumento de 32% no número de casamento desde 2010.

Os homens solteiros ainda são a  maioria dos noivos (87,63%), bem como as mulheres solteiras (91%). Os divorciados que entram em um novo casamento representam 11,4% (homens), e 8,2% (mulheres). O número de divórcios no Estado também não ficou para trás e chegou a 5.781 em 2014, crescimento de 171% em relação a 2010, “muito em função de novas leis que facilitaram o acesso direto ao divórcio e eliminaram etapas que existiam anteriormente”. 

Considerando o tempo  em que ocorreram os divórcios, a pesquisa registra que a maioria (15,8%) está na faixa entre 10 e 14 anos de casados. Mas quando se verifica o ano específico, percebe-se que o terceiro ano de casamento é aquele em que os casais mais se divorciam.