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Em um ano, 130 mil novos casos de câncer de pele devem ser diagnosticados no Brasil

Fundação Alfredo da Matta tem 500 cirurgias agendadas até setembro, mas demanda passa do dobro da capacidade 28/04/2015 às 20:35
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Primeiros sinais são manchas e feridas
cinthia guimarães ---

No país tropical ensolarado onde se proteger dos efeitos nocivos do sol não é regra, pelo menos 130.000 brasileiros devem ser diagnosticados com câncer de pele em 2015.

Responsável por 25% da incidência de câncer no Brasil, o câncer de pele é o mais tratável e com menor risco de mortalidade, mas dá sinais que não podem ser negligenciados.

O diagnóstico precoce de um tumor externo, que geralmente começa com uma pequena lesão no corpo, aumentam as chances de cura e evitam danos drásticos ao paciente, como deformações e mutilações.

Por isso, a Fundação Alfredo da Matta (FMT) realizou no último fim de semana um mutirão de cirurgias para extração de tumores, a fim de reduzir a fila de espera de pacientes. Há 500 cirurgias agendadas até setembro, mas a demanda passa do dobro.

Com cerca de 30 anos de experiência, o cirurgião dermatologista Carlos Chirano é referência médica no tratamento de câncer de pele no Amazonas. Ele conta que a maioria do casos ocorre em pessoas idosas que trabalharam durante toda a vida em atividades insalubres com exposição ao sol, como agricultura, extrativismo, construção naval e construção civil, ou em pessoas de pele mais clara que não se protegeram do sol.

É o caso de Adalberto da Costa, 71 anos, que foi garimpeiro na juventude na região de Itaituba (PA) e Roraima. Há aproximadamente três meses, ele foi à Fundação Alfredo da Matta em busca de ajuda e foi diagnosticado com câncer de pele. Ele havia sentido um nódulo na região do tórax e, achando se tratar de um furúnculo, resolveu estourá-lo, aumentando o tamanho da lesão. O tumor, que já estava do tamanho de um limão pequeno, foi extraído no último sábado, durante o mutirão.

A vida de agricultora trouxe consequências sérias para Maria Teixeira, de 88 anos, que foi diagnosticada com câncer de pele há quatro anos. Ela participou do mutirão para extrair, pela terceira vez, um câncer na região do crânio.

Raimundo Batista de Souza, 78 anos, estava na fila para ser operado de um câncer que surgiu do lado esquerdo do nariz. A vida inteira ele trabalhou exposto ao sol, desde quando colhia juta da região do Careiro, depois quando veio para Manaus para ser soldador na indústria da construção naval, sem usar protetor solar ou equipamentos de proteção individual. “Pensei que fosse uma espinha e fui espremer.  Isso já tem mais de um ano”.

Segunda a Fuam, são realizadas mensalmente 60 cirurgias em pacientes com cânceres do tipo carcinoma espinocelular, carcinoma basocelular e melanona, que é a forma mais agressiva da doença.

Chirano recomenda: “Sempre que aparecer alguma coisa diferente no seu corpo, que esteja crescendo e não desapareça em um mês, tem que procurar saber o que é. Porque não dá pra saber se é um caroço ou uma mancha. O câncer tem várias representações, como nódulo, caroço ou feridas”, explicou.

Em números

25% de incidência é quanto representa o câncer de pele no Brasil, que é o mais tratável e com menor risco de mortalidade. No Amazonas, 70% dos casos são de carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular, que são os tipos menos agressivos. O diagnóstico precoce reduz as deformações no paciente e risco de morte.