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Empreiteira que fará o monotrilho de Manaus é acusada de pagar propina em Cuiabá

O monotrilho de Manaus transportará 20 mil pessoas por hora em cada sentido 21/08/2012 às 13:52
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transporte coletivo
Florêncio mesquita ---

A empreiteira  CR Almeida S/A Engenharia de Obras, responsável pela construção do monotrilho em Manaus, é suspeita de fraudar a licitação para a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá pagando propina de R$ 80 milhões para vencer o certame. A fraude foi feita, conforme denúncia do portal “UOL”, pelo consórcio que a CR Almeida integra junto com as empresas Santa Bárbara, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda e Astep Engenharia Ltda.

O consórcio já está sendo investigado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal de Mato Grosso.

A empresa CR Almeida venceu a licitação do Monotrilho Manaus no consórcio formado com as empresas Mendes Junior Trading e Engenharia S/A, Serveng Civilsan S/A Empresas Associadas de Engenharia e a malasiana Scomi. O consórcio é responsável pelo projeto, construção, fornecimento e operacionalização do monotrilho em Manaus, que já é  alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) por suspeita de superfaturamento de R$ 686 milhões.

O consórcio Monotrilho Manaus foi homologado vencedor em agosto do ano passado com a proposta de preço de R$ 1.460.495.221,56. O valor ficou acima do estimado no edital de licitação no valor R$ 1.327.777.474,15, mas como foi o único classificado no processo foi aprovado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) depois da pasta indicar a possibilidade da Comissão Geral de Licitação (CGL) aceitar propostas de até 10% a mais do preço inicial.

A licitação do VLT de Cuiabá está orçada em R$ 1,47 bilhão e segundo denúncia tinha o vencedor conhecido um mês antes da entrega das propostas dos  concorrentes e  abertura dos envelopes. Uma mensagem cifrada publicada no dia 18 de abril deste ano no jornal “Diário de Cuiabá” revela, conforme denúncia, que o consórcio da CR Almeida seria  vencedor.

No último mês, o procurador do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM), Athayde Ribeiro Costa, voltou a apontar falhas no projeto do monotrilho de Manaus. Ele recomendou a anulação do contrato ao Governo do Amazonas devido às irregularidades detectadas. Entre as irregularidades, consideradas graves por Athayde, no projeto estão ausência de estudos e demandas, ausência de autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Amazonas (Iphan) para trafegar no centro histórico de Manaus, além de ausência de estudos tarifários, que segundo ele tornam a obra inviável economicamente.

A obra de construção do monotrilho de Manaus deve começar até o final do ano conforme informou ontem a Unidade Gestora do Projeto Copa 2014 (UGP COPA). Segundo o coordenador da UPGI, Miguel Capobiango, os trâmites dos dois financiamentos para a construção  estão sendo feitos na Caixa Econômica Federal para a liberação dos valores. A contratação do primeiro financiamento, no valor do R$ 600 milhões, estava aprovado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) desde o ano passado e o outro no valor de R$ 800 milhões foi aprovado também  no último mês. A contratação de empréstimos  passa pela aprovação da ALE-AM.

Sem interferência

Para o coordenador da Unidade Gestora do Projeto Copa 2014, (UGP COPA), Miguel Capobiango, o fato da CR Almeida S/A Engenharia de Obras ser suspeita de fraude na licitação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá não interfere na construção do monotrilho em Manaus.

 Resguardado

Capobiango informou que não sabia que a CR Almeida é alvo de investigação em Mato Grosso, mas garante que, como se trata de Estados e governos diferentes, o monotrilho não será afetado e não tem ligação  com a suposta fraude. “É outro ambiente, outro governo e o monotrilho não será prejudicado”, disse.

Custo de R$1,4 bilhão em obra no Amazonas

A UGPI informou ainda que o consórcio Monotrilho Manaus está elaborando o projeto  executivo e, inclusive,  apresentou elementos do projeto que devem ser aprovados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra).  “O financiamento é fundamental para a obra. Estamos trabalhando para cumprir toda a rotina burocrática. A ordem de serviço já foi feita e o consórcio começou a entregar elementos do projeto executivo”, disse Capobiango.

O procurador do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM), Athayde Ribeiro Costa, esteve no mês passado na ALE-AM momentos antes da votação dos projetos do governo estadual para contrair empréstimo de R$ 900 milhões para as obras do monotrilho e para a construção da cobertura da Arena da Amazônia para a Copa do Mundo de 2014. Na ocasião, Athayde Ribeiro disse que “a licitação saiu mais cara do que o projeto inicial pela ineficiência do projeto básico”.