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Empresas avaliam como retomar o prestígio

Especialistas e analistas do ramo afirmam que a empresa vai recuperar o espaço perdido no mercado. Mas avaliam que os produtos têm que ser mais atrativos para os usuários 05/05/2012 às 19:01
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CEO da Nokia, Stephen Elop apresentou em janeiro de 2012 o Lumia 900, que deve chegar ao Brasil no mês de junho
Priscila Mesquita Manaus

O fim do reinado de 14 anos da Nokia no mercado global de celulares e a nova liderança da Samsung, confirmados no último dia 27, não surpreenderam especialistas e analistas do ramo de telecomunicações. No entanto, o desempenho da atual vice-líder no 1° trimestre de 2012 e a própria dinâmica do setor deixam claro que a Nokia precisa superar sérios desafios para se manter na “briga” pelo topo do mercado, atrás da Samsung e à frente da Apple. 

Fontes ouvidas por A CRÍTICA pontuaram as vantagens e as desvantagens da companhia finlandesa em relação aos concorrentes. Em tom unânime, os analistas afirmam que a Nokia tem boas chances de reverter o quadro de perda nas vendas, sobretudo no segmento de dispositivos móveis inteligentes.   

Para o professor do curso de Engenharia em Telecomunicações da Fucapi, Thiago Araújo, a parceria da Nokia com a Microsoft pode ajudar a empresa na retomada das vendas. Utilizando projeções da consultoria IHS, Thiago afirma que até 2015 o Windows Phone (sistema operacional da Microsoft) será a 2ª plataforma na opção dos usuários.

“A Microsoft, que assistiu de camarote aos erros e acertos da Samsung e da Apple, buscava há muito uma parceira que pudesse embarcar o seu Windows Phone. O celular Nokia Lumia 800 representa o primeiro passo para que a Nokia se recupere. O aparelho possui uma interface bem interessante e diferenciada em relação aos padrões da Apple”, avaliou. 

O sistema Android, da Google, e o iOS, da Apple, são os atuais líder e více-líder do ranking mundial dos sistemas operacionais móveis. Além do grande número de usuários, Thiago lembra que as duas plataformas têm a seu favor a quantidade de aplicativos disponíveis nas lojas Google Play e App Store. “A Nokia e a Microsoft terão que criar mecanismos para reinventar os produtos e atrair usuários”, disse.

Uma das vantagens criadas pela parceria entre a Microsoft e a Nokia é a possibilidade de integração de plataformas tecnológicas. Segundo especialistas em tecnologia, o diálogo dos celulares com o sistema Windows e com aparelhos como o X-BOX pode gerar experiências interessantes para os usuários e, assim, se transformar em um diferencial competitivo.  

Nesse sentido, um dos problemas da Nokia (que recebeu US$ 1 bilhão da Microsoft para adotar o Windows Phone) será a concorrência, já que o sistema já integra aparelhos de outros fabricantes, como a HTC. Por outro lado, a plataforma vem sendo preterida por algumas empresas. É o caso da LG, que recentemente decidiu abandonar o Windows Phone e optar pelo Android, sob a justificativa de que não obteria retorno financeiro com a opção anterior.

Outra dificuldade, segundo uma fonte de mercado que preferiu não se identificar, é que o desenvolvimento de novos aparelhos ocorre de forma lenta na Nokia. 

“Os asiáticos da Samsung são máquinas de fazer produto. Em quatro meses eles encerram o período de maturação de um celular. Na Nokia, esse processo chega a durar quase um ano. Além disso, o sistema Windows Phone não é o mais desejável na opinião de usuários e desenvolvedores”, disse a fonte.

Já o analista de sistemas e diretor executivo da Divus Tecnologia da Informação em Manaus, Juci Frank Rodrigues, afirma que há um grande número de profissionais interessados na plataforma da Microsoft. “Eles já estão acostumados com esse ambiente de desenvolvimento, por causa do mercado de PCs”, explica.