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Empresas no Amazonas continuam importando mais do que exportando

Assim está o fiel da balança comercial do Amazonas, entre janeiro e abril, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (21) pelo MDIC 22/05/2012 às 08:09
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Empresas no Amazonas continuam importando mais do que exportando
Cimone Barros Manaus

As exportações do Amazonas apresentaram crescimento praticamente estável (0,65%) nos quatro primeiros meses deste ano comparado com igual período do ano passado. Empresários e consultores não veem reversão significativa deste cenário nos próximos meses, em função dos problemas de infraestrutura logística do Estado, concorrência com os produtos importados, principalmente os asiáticos, e o alto custo Brasil. A expectativa é que o dólar acima dos R$ 2 dará um fôlego maior à indústria.

De janeiro a abril de 2012, as vendas do Amazonas para outros países atingiram US$ 278,1 milhões ante US$ 276,3 milhões do primeiro quadrimestre de 2011, alta de 0,65%, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Argentina, Colômbia e Venezuela são os principais destinos dos produtos locais.

Já as importações , apesar do ambiente adverso, atingiram US$ 4,1 bilhões no acumulado do ano, aumento de 7,97% frente igual período do ano passado.

Ainda no acumulado do ano, a balança comercial apresenta um déficit de US$ 3,8 bilhões, que é o resultado das exportações menos as importações. Em abril, as importações alcançaram US$ 990,7 milhões queda de 4,39% frente igual mês de 2011, enquanto as exportações registraram US$ 73,1, o que representa uma alta de 42,2% ante igual mês de 2011. Abril do ano passado assinalou US$ 51,4 milhões, o pior resultado das exportações daquele ano e mês seguinte ao terremoto e tsunami que devastou parte do Japão.

“O nosso maior foco é recuperar a nossa condição de competir no mercado interno e depois pensar em exportação. Se temos dificuldade no mercado brasileiro avalie como é a nossa condição nas exportações”, avaliou o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

Turbulência
Para o presidente Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus (Simmmem), Athaydes Mariano Félix, ano passado foi um ano “muito bom” e este ano a economia brasileira e amazonense está sentindo os reflexos também da crise europeia e americana. “Estamos passando por uma turbulência. As medidas de Governo Federal de redução de taxas de juros (Selic e dos bancos) e mexida no câmbio só darão sinais daqui a dois, três meses. Por isso, empresas do Polo de Duas Rodas já trabalham com banco de horas, por exemplo”.

Segundo o consultor econômico José Laredo, a tendência do desempenho das exportações do Estado é de “declínio”, em decorrência, especialmente, da deficiência logística do Estado no tocante a portos, aeroportos e rodovias. Laredo lembra que  as multinacionais instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) fazem exportação, mas optam por fazê-la de unidades fixadas em países com melhor infraestrutura.

“As fábricas poderiam exportar mais por aqui se houvesse pressão dos governos Federal e Estadual associando aos incentivos fiscais. Por exemplo, ganha mais quem exportar mais. Outra alternativa é criar  estímulos adicionais novos, como alongamento do prazo de pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços”, sugeriu Laredo.

Concentrado para fábricas de bebidas
O topo da lista de produtos mais exportados do Amazonas é ocupado pela Recofarma, com concentrado para preparação de bebidas, que atingiu US$ 48,8 milhões de janeiro a abril de 2012, com 17,57% de participação dos valores exportados do Estado. Uma alta de 8,27% em relação ao primeiro quadrimestre de 2011.

Com a mesma base de comparação, as motocicletas de 125 cilindradas seguem na segunda posição (16,3%), com elevação no valor exportado de 62,8%, seguido dos terminais portáteis para telefone celular (9,52%) que registraram queda no valor de venda de 13,18%. O consumo de bordo: combustíveis e lubrificantes para aeronaves estão na quinta posição (5,14%) ao assinalar alta no valor exportado de 36,23%.