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Cotidiano
MULHERES DA FLORESTA

Encontro discute novas ações das mulheres para reafirmarem espaço na sociedade

O 5º Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor) reuniu pesquisadores que refletiram sobre os novos feminismos durante a semana na Ufam 24/11/2017 às 21:56 - Atualizado em 25/11/2017 às 09:04
Show mulher
O 5º Emflor encerrou nesta sexta-feira (24), com a apresentação de 450 trabalhos. Foto: Euzivaldo Queiroz
Silane Souza Manaus (AM)

Saíram do 5º Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor) grandes reflexões para o Feminismo. Esta é a sensação que os pesquisadores e estudantes ficaram ao fim do evento científico, realizado entre os últimos dias 21 e 24, na Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas (FES/Ufam), pelo Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social: Gênero, Política e Poder (Gepos).

A coordenadora do Emflor, Iraildes Caldas Torres, destacou que o tema “Novos Feminismos e o Pós-Moderno na América Latina”, trazido para debate nesta edição, mostrou que as mulheres não querem mais saber de luta de classe tradicional, de ir para a rua, mas se expressar por meio da cultura – arte, música, teatro. “Uma voz que ecoa e vem de encontro à bandeira de luta das mulheres é o novo feminismo”, apontou.

Ela evidenciou que um dos avanços para as reflexões do feminismo foi a discussão sobre psicanálise e emancipação da mulher, um tema que não é trabalhado nos congressos de gêneros. “Nós percebemos que tem mulher que sofre por não saber sair de certas situações, mas, se ela se entender, a psicanálise pode ajudar nisso, e tendo grupos que ajude ela, certamente, ela vai ser protagônica, sujeita da sua vida”.

Para a representante do Fórum Permanente de Mulheres de Manaus, Luzanira Varela, o evento deixou um conhecimento importante para a sociedade civil organizada sobre os trabalhos desenvolvidos na academia acerca do feminismo. “Eles mostram o empoderamento do público feminino em todos os espaços e também a opressão que a mulher sofre no dia a dia. Isso ajuda muito na nossa luta”, disse.

O professor Henrique Nardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirmou que o Emflor apresentou também a importância de encontrarmos alternativas, nesse momento político, de uma união dos movimentos sociais, sobretudo, no campo feminista, com enfoque em temas importantes como a ecologia, o trabalho solidário e o trabalho das mulheres da floresta, da água e do campo.

Isso resume, conforme ele, do ponto de vista global, poder pensar de outra forma, não a partir de um pensamento colonial, ou seja, que vem da Europa, dos Estados Unidos, mas um pensamento que surja dessa relação com a natureza, do trabalho de cuidado das mulheres como uma nova forma de organização da sociedade. “Esse é o forte ético-político que o evento deixou”, afirmou.

Contudo, os desafios são muitos, especialmente políticos. “A gente precisa construir um novo sistema político porque com o que temos hoje certamente à ecologia, os direitos das mulheres, os direitos das minorias estão sendo todos desrespeitados, assim como os direitos das trabalhadoras estão indo por terra. São anos de conquistas que a gente não vai deixar derrubarem”, garantiu.

Evento ganha destaque

Para a coordenadora do Emflor, Iraildes Caldas Torres, esta edição foi um sucesso, com participação de pesquisadores de diversos estados brasileiros.

“Nosso objetivo é fazer a divulgação das pesquisas que são realizadas neste lado do País, além de dar visibilidade às mulheres das florestas e das águas e suas práticas sociais. Desde o seu primeiro ano, o Emflor tem elaborado diálogos contando com cada vez mais mentes imbuídas de pensar a mulher da região”, afirmou. 

Iraildes Torres comemorou o êxito nas discussões. “Este ano tivemos 350 inscrições de trabalhos orais e mais de 100 de banner. Ora, se considerarmos que os grandes eventos da Ufam reúnem de 600 a 700 participantes com trabalhos, o Emflor com mais de 400 está caminhando para ser grande”, destacou.

Concurso premia fotografia

O 5º Encontro de Estudo sobre Mulheres da Floresta (Emflor) foi encerrado ontem, com a cerimônia de premiação dos participantes dos banners e do concurso de fotografia, que contou com a participação de 15 fotógrafos profissionais e amadores dos estados do Amazonas, Pará e Roraima. A temática foram as “Mulheres da Floresta”. 

A grande vencedora foi a jornalista Kamila Souza, com a fotografia intitulada “Rosana Bombonzeira”. O registro feito em março deste ano mostra a rotina de uma trabalhadora autônoma de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus). Ela explicou  que a foto faz parte de um projeto desenvolvido em conjunto com o repórter fotográfico Paulo Coelho e que tem por objetivo mostrar o ambiente de trabalho de mulheres autônomas daquela cidade, bem como a forma que esse trabalho é exercido.

“Também queremos dar visibilidade para trabalhadoras autônomas e promover o debate sobre a inserção da mulher no trabalho autônomo, como agente econômica mesmo de sua família. Estamos em busca de parceria para viabilizar a impressão do fotolivro, assim como a ampliação do projeto”, disse.

Dez minicursos

O 5º Emflor contou com dez minicursos: 1. Feminismos e Trincheira na América Latina; 2. Mulheres na Política: Indicadores de Gênero; 3. Movimentos Sociais de Mulheres na Amazônia; 4. Mulheres da Floresta e das Águas: Perspectivas da Agroecologia; 5. As Masculinidades na Amazônia; 6. Gênero, Corpo e Sexualidade; 7. O Feminismo Indígena; 8. Gênero, Erotismo e Subjetividade; 9. Ecoteologia Feminista e Direitos Reprodutivos; e 10. Gênero, Trabalho e Práticas Sociais. O evento, bianual, é uma iniciativa do Gepos, grupo de estudos acadêmicos liderado pelas professoras doutoras Iraildes Caldas Torres e Artemis Soares, ambas da Ufam.

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