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Cotidiano
drama haitianos

Entidades que assistem imigrantes haitianos pedem providências às autoridades

Refugiados do Haiti que estão em Tabatinga vivem drama na fronteira, boa parte deles estão no Brasil em condições precárias 05/01/2012 às 17:28
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Pelo menos 6 mil haitianos vivem hoje em Manaus. Maioria não conseguiu emprego e vive da ajuda da igreja e de doações da sociedade
Felipe Libório Manaus

A organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) se reuniu ontem, em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), com a Pastoral do Imigrante e outras entidades que atuam na assistência aos mais de 1,7 mil haitianos que esperam na cidade pela permissão para entrar no Brasil. No encontro, foi discutida a situação dos imigrantes que, segundo a MSF, estão vivendo em condições precárias no município.

De acordo a Polícia Federal, uma média de 3,6 mil haitianos cruzaram a fronteira desde 2010. Eles chegam pelo Peru e a maioria é composta por homens em busca de trabalho e moradia. A PF já atendeu 2.364 haitianos para requerir a permissão de permanência no País, mas uma média de 1,9 mil ainda está na fila. O período de espera leva pelo menos três meses e, enquanto isso, os imigrantes têm de ficar em Tabatinga, a maioria em condições precárias.

“Alguns recebem ajuda de parentes no Haiti e podem alugar locais para morar. Mas há pessoas vivendo em casas pequenas, sem banheiro ou cozinha. Numa delas, 40 pessoas dividiam a mesma latrina”, diz a coordenadora do projeto da MSF em Tabatinga, Renata Silva. “Como Tabatinga é uma cidade pequena, alguns começaram a dormir na rua porque faltam cômodos para alugar.” De acordo com Renata, não há uma política de assistência por parte das autoridades e toda a ajuda que os imigrantes têm recebido vem da ação de entidades civis, principalmente da Igreja Católica.

Para o prefeito de Tabatinga, Saul Bemerguy, o dever de prestar assistência aos haitianos é do Governo Federal. “Até agora nós não tivemos nenhuma ajuda dos governos federal ou estadual. Em Tabatinga, 20% da população estão abaixo da linha de pobreza. Nós não podemos ajudar a todos”, diz ele. O prefeito afirma, ainda, que a chegada em massa dos imigrantes à cidade deixou o município super populoso. “Os postos de saúde estão cheios, há várias pessoas na rua atrás de emprego, mas não encontram”, afirma ele.

 De acordo com Renata Silva, a MSF não tem previsão para deixar o município e pretende continuar pressionando as autoridades para que assumam a responsabilidade pela assistência aos haitianos na cidade. “As autoridades federais precisam se responsabilizar por estas pessoas enquanto elas aguardam uma decisão sobre sua permanência no Brasil”, afirma ela.

População é esclarecida da situação

 A Médicos Sem Fronteiras tem realizado, além da assistência médica, ações de promoção de saúde entre os haitianos em Tabatinga através de palestras em crioulo, sua língua materna. Também têm sido realizadas reuniões com a sociedade civil com o objetivo de esclarecer à população de Tabatinga a situação dos imigrantes na cidade. “O nosso próximo passo é oferecer apoio em saúde mental a essa população. Vários deles estão apresentando distúrbios de sono e crises de ansiedade”, afirma Renata Silva.

A MSF já distribuiu 1.258 kits de higiene pessoal e hoje serão entregues pelo menos 50 kits com produtos de limpeza para os haitianos. A Pastoral do Imigrante tem distribuído duas refeições diárias a uma média de 400 imigrantes durante a semana.

 Para o secretário de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), Wilson Alecrim, os problemas dos haitinaos em Tabatinga são sociais. “As maiores necessidades deles são de alimentação, moradia, vestuário e documentação. No tocante à saúde, está à disposição a rede pública de atendimento”, afirma ele.