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Entre a maçã e o desbloqueio

A Apple não autoriza a instalação de programas não oficiais em aparelhos da empresa. Alheios à cartilha, usuários da marca tornaram o Jailbreak cada vez mais popular. Há vantagens nisso? 24/02/2013 às 16:55
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Josiel Silva era adepto dos Jailbreaks. No atual aparelho, preserva somente os aplicativos oficiais da Apple
André Alves Manaus (AM)

Liberdade, segundo o dicionário Michaelis, significa “Estado de pessoa livre e isenta de restrição externa”. Expressa também “o poder de exercer livremente a sua vontade”. Para usuários da Apple, e adeptos do Jailbreak (“fuga da prisão”), o termo é levado ao pé da letra. São os rebeldes digitais do novo tempo – que não suportam “coação tecnológica”.

Em fevereiro, na semana do Carnaval, sete milhões deles, em apenas quatro dias, se insurgiram contra as regras rígidas da Apple a fim de instalar em iPhones, iPads e iPods (com iOS 6 ou 6.1) aplicativos não-permitidos pela empresa. Usaram, desta vez, o Evasi0n, software que desbloqueia o aparelho e permite a entrada de programas limitados pela marca da maçã.

Conforme as regras da Apple, quem destrava o aparelho e inclui programas não “recomendados” em seu site, perde a garantia. Para usar o que a fabricante oferece, no entanto, é preciso pagar. A lógica tornou o uso de aplicativos não autorizados cada vez mais popular. Motivo: Ninguém quer pagar pelo que pode obter de graça. Mas vale a pena?

“Depende do usuário, objetivo e momento (época). O Jailbreak em si não prejudica o desempenho do iPhone, mas as mudanças (tweaks) que são feitas a partir dele, bem como os aplicativos e temas que são instalados, podem”, diz o professor de Ciência da Computação, Douglas Alencar, graduado em Processamento de Dados e pós-graduado em Desenvolvimento de Sistemas. Ele lembra que os aplicativos disponibilizados através do Jailbreak podem ser desenvolvidos por qualquer um, sem as boas práticas de desenvolvimento de software.

“É um engano pensar que todos os aplicativos são grátis, pois existem também aplicativos pagos e muita gente ganhando dinheiro no mundo Jailbreak, sem precisar pagar licença de desenvolvimento ou o “trízimo” - 30% das vendas para a Apple, 70% para o desenvolvedor”, reforça. “Muitos confundem Jailbreak com pirataria, pois existem aplicativos pagos que são “crackeados” e disponibilizados gratuitamente, sem permissão do autor. O Jailbreak permite ao proprietário do aparelho controle, mas com responsabilidade. Sou a favor do Jailbreak, mas contra a pirataria”.

‘Eu não faço mais’

O Técnico em Informática Josiel Silva, 20, do 5º período de Ciência da Computação, passou pelas duas experiências: utilizar Jailbreaks para, como diz, deixar o Iphone mais “atraente e funcional”, como manter o aparelho longe da “tentação”, preservando o hardware. Hoje, não aconselha o uso do artifício. Ele admite que o desbloqueio facilita a vida do usuário e permite, por exemplo, atalhos práticos para a lista de contatos, envio de mensagens e mudanças na interface do aparelho - “que deixam o iPhone muito mais bonito”. Mas, em sua avaliação, ao passar dos meses, o sistema alterado traz conseqüências: deixa o sinal instável, o aparelho lento, e, especialmente, dificulta a sincronização com o iTunes quando atualizações são necessárias. “Não vale a pena, especialmente para as versões 4s e 5. Não faço mais por experiência própria”.

Jailbreak: Fuga da prisão

Em apenas quatro dias, sete milhões de clientes da Apple baixaram o sistema alternativo para ter acesso a aplicativos não autorizados.

Cydia

Alternativa à Apple Store, tem três níveis de perfil de usuário: User (Apps, tweaks e temas); Hacker (Ferramentas de linha de comando) e Developer. Os especialistas aconselham: quem não sabe o que está fazendo, que fique no perfil User.

Um Jailbreak que permite a captura de foto utilizando a tecla de volume do Iphone, disponível há muito tempo, forçou a Apple a desenvolver o mesmo recurso.