Publicidade
Cotidiano
economia

Escoar a produção rural ainda é o principal desafio no Amazonas

Produtores que vivem da agricultura familiar ainda padecem com as dificuldade de logística 08/05/2016 às 19:32 - Atualizado em 09/05/2016 às 07:41
Show rural
O agricultor familiar Genildo de Oliveira Lopes, 26, buscou mercado fora de Maués e veio para Manaus vender guaraná (foto: Antonio Menezes)
Silane Souza Manaus (AM)

A demanda de produtos da agricultura familiar é grande e eles são bem aceitos pela população manauense. Mas quem vive dessa atividade, especialmente no interior do Estado, enfrenta muitas dificuldades para transportar esses alimentos até as feiras da capital, onde a comercialização é melhor. Para os especialistas, apesar dos avanços, ainda falta muito incentivo para impulsionar esse setor. 

Os sócios da Associação dos Agricultores Familiares do Alto Urupadi (AAFAU), em Maués (a 276 quilômetros de Manaus), comercializam quase toda a produção de guaraná em pó e bastão, além de outros produtos, no próprio município, uma vez que não têm condições e nem incentivo fazer essa atividade constantemente na capira Agroufam, realizada pelo Núcleo de Socioeconomia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). 

O agricultor familiar Genildo de Oliveira Lopes, 26, disse que a AAFAU foi fundada há cinco meses justamente para superar esse paradigma. O objetivo é expandir a produção e buscar mercado fora do município de Maués. “Estamos lutando para conseguir espaço no mercado em Manaus, mas a dificuldade é com o transporte. Da comunidade para Maués temos que pagar do nosso bolso, assim também como de Maués para Manaus”, afirmou. 
Obstáculos
O empreendedor individual Eduardo Silva, 43, que também faz parte da feira Agroufam, da mesma forma padece para escoar a produção de maracujá e mamão, que é cultivada na comunidade do Jandira (Iranduba), onde o pai dele mora, e de tucumã, em Rio Preto da Eva, que também é da família. “Nós utilizamos o transporte público, só que às vezes demora muito e sempre chegamos atrasados à feira em Manaus. Não adianta vender nos municípios, pois não tem demanda”, disse.

A agricultora familiar Lúcia Maura Ferreira do Amaral, 43, que mora na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Careiro da Várzea, também precisa vir à capital para vender a produção de hortaliças. “Venho todas as quintas-feiras e fico até sábado. Gasto em torno de 1h30 de viagem para ir e o mesmo tempo para voltar. Mas agora, graças a Deus, ficou mais fácil escoar a produção, pois temos mais opções de feiras, como a Agroufam e a Expoagro”, apontou.

Melhoria de ramais

A Secretaria de Produção (Sepror) informou que, em parceria com a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra),   executou um levantamento para a recuperação de pelo menos seis mil quilômetros de ramais e  vicinais no Amazonas. A proposta vem sendo considerada em diversas articulações do governo junto a entidades de fomento nacionais e internacionais, e demanda pelo menos R$ 350 milhões para as obras.

Blog – Airton Schneider – diretor técnico do Idam

Hoje o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) trabalha em todo o Estado com aproximadamente 90 mil famílias da agricultura familiar, sendo que 32 mil diretamente. Realizamos acompanhamento e assessoria técnica na atividade que elas desenvolvem e buscamos fazer com que a produção dessas famílias chegue ao mercado consumidor. Também auxiliamos quanto ao crédito rural e as políticas públicas do Governo Federal, que visam o aumento da capacidade produtiva, geração de emprego e escoamento do alimento. Entendemos que aliada às políticas públicas do Governo Federal a agricultura familiar tem mais espaço. Demos um salto nos últimos anos no aspecto produtivo, principalmente de hortaliças e fruticultura.