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Cotidiano
Panorama incerto

Especialistas revelam suas perspectivas econômicas para o Brasil com a crise política

Dilma ou Temer terão que reconquistar a confiança do mercado para viabilizar cenário favorável aos negócios 16/04/2016 às 19:23 - Atualizado em 17/04/2016 às 12:08
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Ainda é cedo para saber quando voltaremos a crescer, mas há tempo de fazer projeções (arte: Helinaldo Mascarenhas)
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

A economia brasileira está paralisada desde que a crise política dominou o cenário com o envolvimento de diversos setores na operação Lava-jato, que investiga corrupção na gestão da Petrobras, participação de parlamentares, financiamento ilegal de campanhas políticas, entre outros.

Com o rito do impeachment prestes a ser votado no plenário da Câmara dos Deputados, qual cenário se desenhado com a saída ou a permanência da presidente Dilma Rousseff? Como sairemos da crise? O que devemos fazer? Qual é a lição de casa a fazer?

Ainda é cedo para saber quando voltaremos a crescer, mas há tempo de fazer projeções. Especialistas ouvidos pelo + DINHEIRO indicam como medidas para trilhar os eixos do crescimento reformas estruturais, ajuste fiscal, redução de gastos, recuperação da credibilidade do mercado e incentivo à produção.

Membro do Conselho Federal de Economia, consultora e professora universitária, Denise Kassama defende um conjunto de reformas para o País se recuperar, que precisa ser adotada pelo atual governo ou pelo próximo. “Todo mundo sabe o que tem que ser feito. O que falta é força política para implantar. Precisa haver reforma fiscal, reforma tributária, reduzir o déficit público, cortar cargos, reduzir ministérios. O governo Dilma não conseguiu fazer isso”. Segundo a economista, o governo precisa estimular a produção industrial e o consumo.

O doutor em Economia Luiz Roberto Coelho Nascimento, chefe do departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), avalia que a crise econômica deu munição para a crise política que provocou o processo de impeachment. Entre as lições de continuidade ou novo governo estão em recuperar a política industrial, competitividade e manter uma taxa cambial na casa dos R$ 3, favorável às exportações, diz o doutor.

Mas a estabilidade econômica não será instantânea. “A recuperação não virá no mês de maio, nem nos próximos meses. Esperamos quatro anos para recuperarmos o equilíbrio das contas públicas. No entanto, qualquer governo não poderá deixar de lado os programas sociais que foram implantados”, opina o professor.

“O governo atual não defende as premissas indispensáveis para a sustentabilidade da matriz econômica atual, que são: meta de inflação e superávit primário. Sem isto, nenhuma economia pode sobreviver, hoje em dia, e o mercado internacional sabe disto. Espera-se que qualquer outro governo possa romper com essa matriz expansionista e pouco ortodoxa e trazer novamente a economia para o caminho correto”, declara Fernando Bergallo, diretor da assessoria de câmbio FB Capital.

Mercado financeiro à espera

O mercado financeiro está surfando nas ondas da instabilidade política. Conforme crescem nos noticiários a piora do governo, o mercado reage positivamente com dólar em queda e elevação do índice Ibovespa.

Para Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital, “o mercado financeiro vê com bons olhos a troca do governo porque toda a política econômica adotada pela atual equipe se mostrou equivocada. Há uma expectativa que, com a confirmação do impeachment e a troca do executivo, a equipe econômica será totalmente reformulada e adotará medidas que vão mais de encontro com o que o mercado entende como correto a se fazer no atual cenário. Apesar de não ser uma certeza, em um primeiro momento, a saída do atual governo causaria uma euforia no mercado, afetando a bolsa, o câmbio e a curva de juros”.

“Devido à série de problemas com empresas estatais e com a cúpula do governo, que impactaram diretamente na condução da política econômica como visto, até mesmo, no descontrole fiscal dos últimos tempos, já não inspira a menor confiança no mercado financeiro”, afirma Pedro Paulo Coelho Afonso, Headcomercial da Gradual Corretora.

Blog: Pedro P. Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora

 “Creio que será uma política mais amigável ao mercado, com um Banco Central mais avesso à inflação e que deve manter a taxa de juros no patamar atual (14,25%).   Acho que teremos um Ministério da Fazenda avesso ao déficit público e então deve promover um ajuste fiscal. O dólar deve cair de para menos de R$ 3. Vamos ter um cenário de fluxo muito grande de capital estrangeiro, comprando ações e títulos públicos no País, e a queda no risco do país pelas agências de rating. Creio que um novo governo terá visões diferentes de política econômica. Caso Dilma fique, a Bolsa de Valores deve cair 40 mil pontos e o dólar ir para a casa dos R$ 4,20, com saída de capital muito grande”

Blog: Roberto Indech, analista da corretora Rico

 “É difícil prever alguma coisa no momento.    Precisamos saber quem será o ministro da Fazenda e do Banco Central. Uma das principais dificuldades de um possível novo governo  será recuperar a confiança do consumidor e do investidor. Isso só vai vir com o tempo e com as reformas que devem ser anunciadas: previdenciária, política e fiscal. Com a reforma fiscal precisamos gastar menos, diminuir o número de ministérios e de cargos comissionados. Pelo comportamento do mercado nesses meses, seria mais benéfico a troca de presidente para o País. No caso da presidente ficar no cargo, não há confiança dos setores porque não se cumpre o que se promete e ela não possui maioria da Câmara para aprovar nada atualmente”.