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Estados da Região Norte têm baixo desempenho no IDEB

O estudo foi divulgado pelo MEC, reconhecendo que isso pode gerar um descompasso entre idade e aprendizagem e comprometer toda a vida escolar do estudante 06/07/2012 às 07:37
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Salas de aulas lotadas, sem espaço para brincadeiras e metodologias desenvolvidas em outras regiões são alguns dos problemas para alfabetizar as crianças
ana celia ossame Manaus

Da forma como está organizado o trabalho nas escolas, com salas superlotadas, falta de espaço para brincadeiras, falta de bibliotecas e metodologias elaboradas sem levar em conta as diferenças regionais, é impossível as crianças aprenderem. A afirmação é da professora doutora Arminda Mourão, diretora da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao comentar o dado de que pelo menos 15,2% das crianças brasileiras chegam aos oito anos de idade sem estar alfabetizadas.

O estudo foi divulgado pelo MEC, reconhecendo que isso pode gerar um descompasso entre idade e aprendizagem e comprometer toda a vida escolar do estudante. Para combater o problema, foi proposto o “Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa”, sugerindo medidas como capacitar e valorizar os 315 mil professores alfabetizadores do País e premiar os melhores, produzir material diversificado e adequado e avaliar a habilidade de alunos de 7 ou 8 anos na leitura, escrita e nas primeiras contas.

Estudo revelador
Para a doutora Arminda Mourão,  não é com pactos que se vai chegar à raiz deste problema grave. No livro que se prepara para lançar a respeito do tema, a diretora da Faced diz que o Ministério da Educação (MEC) é “surdo” a propostas sérias que podem alterar essa realidade. 

A primeira conclusão da sua pesquisa é  de que o financiamento da educação pública é insuficiente para a manutenção do ensino de qualidade. Outro problema detectado é organização do trabalho nas escolas.

“Há uma monotonia que torna impossível a criança se manter interessada no aprendizado porque as salas superlotadas e a maioria das escolas não tem lugar para brincadeiras e nem tem bibliotecas”, explicou.

Outros fatores que apontam para o fracasso das medidas anunciadas é que as políticas são elaboradas em Brasília sem ouvir os professores e sem levar em consideração as diversidades regionais. E as secretarias aceitam as imposições sem fazer qualquer questionamento. “Os pactos nacionais só servem para exibições na mídia, sem efeito prático”, diz, afirmando não acreditar em pactos federais.

“Nós sugerimos o ensino em ciclos. Vários estudos apontam para a eficiência dessa metodologia, mas o MEC não ouve o que falamos”, acrescentou a professora, citando que o lúdico é fundamental para o aprendizado das crianças nessa idade, mas sem espaços para isso, as escolas de educação infantil são tristes e num ambiente de tristeza não há condições para se ter um aprendizado adequado.

No Norte situação é mais grave
O levantamento revela que a Amazônia brasileira tem um dos piores indicadores do País em educação. A taxa de analfabetismo no Acre é o dobro da brasileira, contabilizando quase 17 iletrados no universo de cem pessoas. Segundo a análise, todos os Estados da região  encontram-se abaixo da nota média do País no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), da primeira etapa do ensino fundamental (da 1ª a 4ª série).

Em Matemática, de cada cem estudantes da 8ª série na região Norte, menos de dez têm desempenho adequado (14,8 na média nacional). Já a Língua Portuguesa é dominada bem por menos de 15% dos alunos, quase metade da média nacional, que é de 26,3%.

Taxa de analfabetismo é de 7%
Na Região Norte, segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo é de 7% em pessoas com idade entre 10 a 14 anos e 11,2 em pessoas com 15 anos ou mais. No Amazonas, é de 8,2% em pessoas com idade de 10 a 14 anos e 9,9% em pessoas com 15 anos ou mais.

Sem assegurar a alfabetização na idade certa, o Brasil não conseguirá evoluir nas outras etapas do ensino, dizem os responsáveis pelo Movimento Todos pela Educação. Eles afirmam que colocar o foco na alfabetização organiza o trabalho de todo mundo. O movimento critica ainda a existência de muitos planos no Ministério da Educação, mas poucos saem do gabinete e são realizados com excelência.

10% dos recursos do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública é a reivindicação dos educadores brasileiros. A proposta deve ser incluída no Plano Nacional de Educação (PNE) em votação no Congresso, mas o Governo Federal poderá  vetá-la.