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Estudo aponta que, apesar do aumento dos falantes do inglês, domínio da língua pelos brasileiros está entre os piores

Ao apontar esse fato como resultado da falta de investimentos na qualificação de professores e oferta de cursos de qualidade, o chefe do Departamento de Língua Inglesa da Ufam, diz que poderemos passar “vexame” durante a Copa do Mundo de 2014, caso essa realidade não mude de forma rápida 03/08/2012 às 08:01
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O ensino da língua nas escolas foi criticado por especialistas, que alegam que elas não preparam o aluno para conversação
Ana Celia Ossame Manaus

A informação divulgada pela Education First (EF) de que, apesar do número de pessoas estudando inglês ter crescido muito no Brasil, o domínio do idioma é dos piores se comparado a outros países da América Latina, não surpreende o chefe do Departamento de Língua Inglesa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor Wagner Teixeira, 34.

Ao apontar esse fato como resultado da falta de investimentos na qualificação de professores e oferta de cursos de qualidade, Wagner diz que poderemos passar “vexame” durante a Copa do Mundo de 2014, caso essa realidade não mude de forma rápida.

O índice mundial de proficiência em inglês medido pela EF revelou que o Brasil atualmente perde para cinco países da América Latina em relação ao domínio da língua inglesa. Isso ficou comprovado em uma avaliação feita entre 2007 e 2009, em 2 milhões de estudantes de inglês de 44 países. Os brasileiros ficaram na 31ª posição, no limite entre as categorias “proficiência baixa” e “proficiência muito baixa”, perdendo para países como Argentina, México, Costa Rica, Guatemala e El Salvador, além de Malásia e Arábia Saudita.

A falta de profissionais com domínio nessa língua, que está entre as mais faladas no mundo, já fez com que o Brasil perdesse oportunidades diversas de investimentos, pois empresas que tinham projetos para um dos Estados brasileiros acabaram optando por outros países pela falta de mão-de-obra qualificada.

Deficiência geral
Ao apontar que a deficiência dos brasileiros se estende também a outras línguas, mesmos as hispânicas faladas em países próximos, Wagner lamenta o fato de a existência de várias leis destinadas a incentivar o aprendizado de línguas estrangeiras, terem sido inócuas. Para citar algumas, ele fala da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e vários outros documentos do próprio Estado determinando a obrigatoriedade do ensino de línguas, inglesa ou espanhola, tanto no ensino fundamental quanto no médio.

“Aqui no Amazonas, por conta do Mercosul, (Mercado Comum do Sul, formado pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela), devia ser prioridade”, defende o professor, observando o peso de questões como o processo histórico vivido pelo Brasil diante da dominação por Portugal, na época da colonização.

Nesse processo, foi feito um forte trabalho para se manter uma língua única, apesar da existência de dezenas de línguas indígenas.

Oferta na escola é insuficiente
O presidente de um dos institutos mais tradicionais de língua inglesa, o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu), Luiz Fabian Barbosa, acredita que a simples oferta de uma língua estrangeira no  ensino médio não é suficiente para garantir o aprendizado,  porque as escolas não se preocupam com a capacidade de comunicação do aluno no outro idioma.

Mesmo com o crescimento do número de escolas oferecendo cursos de idiomas, Fabian diz faltar tecnologia e metodologia com foco nas necessidades do País.

Há 56 anos no ensino, o Icbeu está realizando oficinas gratuitas para trabalhar o inglês situacional abordando temáticas  como aeroporto, restaurante, hotel e comércio. As oficinas acontecem às sextas-feiras e pretendem despertar o interesse dos trabalhadores para atender melhor o turista.

A hora certa para investir na educação
Para Wagner Teixeira,  a realização dos jogos da Copa do Mundo seria uma grande oportunidade para investir nessa área, porque o inglês é dominante em todas as áreas de negócios. Ele critica o ensino das escolas públicas e particulares.

“Se a pessoa quiser aprender, tem que matricular numa escola particular, o que nem sempre é possível economicamente”. Ele teme que o País a passe “vergonha” durante os os eventos esportivos, já que até nos aeroportos há dificuldades dos trabalhadores nesse quesito.

“Somos uma cidade turística, isso merece atenção”. Segundo Wagner, pode-se estudar uma língua estrangeira em qualquer idade, mas a infância é a mais propícia.

Preparados
O Encounters, da editora americana MacMillan, foi criado especificamente para brasileiros e deve ser lançado em agosto próximo no País. Dividido em quatro módulos com um total de 160 horas, o curso não visa a fluência, mas conseguir que um funcionário de hotel ou restaurante consiga fazer um atendimento.