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Cotidiano
ECONOMIA

Economia do Amazonas está entre as que vão encerrar o ano com saldo positivo

O PIB do Amazonas foi puxado pela Agropecuária, que encerrará o ano com alta de 7,2%, um resultado melhor que o de vários Estados 12/09/2017 às 06:23 - Atualizado em 12/09/2017 às 12:41
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Agropecuária foi o setor que vem apresentando maior crescimento no Estado (Foto: Evandro Seixas)
Joubert Lima e Larissa Cavalcante Manaus (AM)

O Amazonas vai fechar este ano com alta de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A projeção é de um estudo do Banco Santander que coletou dados econômicos de todos os Estados e do Distrito Federal. Apesar de pequeno, lideranças empresariais do Amazonas avaliam que o resultado deve ser comemorado, uma vez que seis Estados terminarão o ano com economias encolhidas. 

É o caso de Pará (-0,2), Acre (-0,3) e Rio de Janeiro (-1,4) que apresentou o maior recuo do País, devido ao esfriamento do setor de serviços, principal componente do PIB carioca. Por outro lado, Mato Grosso terá o melhor desempenho por conta da grande safra de grãos.

 O PIB do Amazonas foi puxado pela Agropecuária, que encerrará o ano com alta de 7,2%, um resultado melhor que o de vários Estados. A indústria, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pela Zona Franca de Manaus, mostra crescimento de 1,1%, algo que não anima a classe empresarial, que só projeta retomada do crescimento a partir de 2018.

O aspecto negativo ficou por conta do setor de serviços que deve encolher 0,7% neste ano, segundo o estudo. 

A projeção para o Amazonas é exatamente o que o estudo projeta para o Brasil: alta de 0,5% no PIB. A resultado é muito próximo do que foi apontado, ontem, pelo boletim Focus, documento divulgado semanalmente pelo Banco Central com as principais instituições financeiras. Segundo o Focus, a alta do PIB neste ano deve ficar em 0,6%. A projeção anterior era de 0,5% e foi reformada diante do comportamento que se espera da inflação (-3,14%) e da Selic (7%). Para 2018, o crescimento esperado do PIB nacional subiu de 2% para 2,10%.   

Agropecuária puxou desempenho do PIB amazonense

Sobre o desempenho do setor agropecuário - que puxou o crescimento do PIB amazonense -, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, avalia que a projeção confirma a tendência positiva de crescimento da atividade rural no Estado. “É um resultado alvissareiro confirmando o nosso potencial agropecuário. Isso é motivo de alegria porque o Amazonas precisa viabilizar alternativas econômicas mais interiorizadas que possam diminuir a dependência da Zona Franca de Manaus”, disse. 

A produção de abacaxi, guaraná, açaí, pecuária de leite, pecuária de corte, castanha, piscicultura, fruticultura como um todo apresentam potencial agrícola e são culturas com tradição no Estado. Deixar o extrativismo para entrar no gigante mercado do agronegócio é um dos desafios do setor. 

“É preciso intensificar as políticas públicas de fomento à atividade rural no Estado no que diz respeito à regularização fundiária, titulação das terras, fortalecimento da assistência técnica para o produtor rural e também maiores investimentos em infraestrutura, por exemplo, energia elétrica no interior e recuperação de ramais, vicinais e estradas para que os empreendimentos do agronegócio possam florescer cada vez mais”, pondera Muni. 

Momento é de cautela, diz vice-presidente da Fieam

Na avaliação do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, o momento requer cautela, pé no chão e não euforia por parte da classe empresarial diante das projeções para o PIB. Ele afirma que a indústria do Amazonas está vivendo um momento de estabilidade e o crescimento 1,1% da indústria é um pequeno termômetro. 

“A recuperação muito reduzida não reflete em investimentos e na geração de novos postos de trabalho. Diante do quadro nacional que vivemos, não dá para dizer que o Amazonas está bem. Para isso acontecer, o Brasil precisa estar bem. A maioria da nossa produção é para abastecer o mercado externo”, explicou o empresário.

O economista afirma que, enquanto o País não apresentar tranquilidade política, o momento de dúvida para os empresários não será passageiro. Azevedo ressalta que a cadeia como um todo ainda não sentiu os reflexos desse crescimento. “Dentro das montadoras já se observa a redução da capacidade ociosa, no entanto o trabalhador não sentiu os efeitos dessa projeção, pois não está crescendo o número de vagas de trabalho”, frisa.

Rodrigo Zamperlini, diretor conselheiro da  Abrasel-AM

“Para nós,   é preocupante, pois dependemos muito da recuperação econômica como um todo.   No momento em que outros setores estão crescendo e nosso segmento não, ficamos com a luz laranja acesa, buscando alternativas para atravessar esse momento”, explica o diretor conselheiro da Associação Brasileira de Bares e Restaurante no Amazonas (Abrasel), Rodrigo Zamperlini. A projeção de redução de 0,7% no setor de serviços preocupa empresários locais do segmento. 

Conforme, Zamperlini a retomada do crescimento  econômico e de empregos implicará em melhores resultados para o setor de serviços. 

“O crescimento do setor está relacionado à sobra de dinheiro das pessoas para assumir um custo de ticket médio maior no consumo de alimentação no dia a dia. Assim, para o cliente continuar mantendo uma rotina de diversão, lazer e frequentando bares, boates e demais empreendimentos, dependemos muito da retomada da economia para navegar em águas mais tranquilas”, finalizou o empresário. A projeção para o Amazonas reflete o desempenho do setor em todo o País, que deve fechar o ano com recuo de 0,1%, com destaque para o Rio (-2,3%).