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'Eu acho que sou mais preparado que os outros'

Identificado com o eleitorado mais carente, o prefeiturável do PR afirma que, se eleito, irá fortalecer projetos sociais como Leite do Meu Filho e criar outros como o Bolsa Cursinho. 01/09/2012 às 16:51
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Entrevista com Henrique Oliveira
Mariana Lima Manaus (AM)

Campeão de votos na eleição de 2008 para a Câmara Municipal de Manaus (CMM), o catarinense Henrique Oliveira (PR) disse que decidiu concorrer a prefeito este ano por que se sente politicamente  amadurecido para governar o  município que possui quase 2 milhões de habitantes.  

Há dois anos no cargo de deputado federal, o comunicador que construiu sua base eleitoral graças a  atuação no  programa de TV Fogo Cruzado, disse, em entrevista A  CRÍTICA, que, se for eleito, irá  priorizar políticas de atendimento às camadas sociais  mais vulneráveis socialmente, com a criação de projetos como o  “Bolsa Cursinho”. A seguir trechos da entrevista.

Por que o senhor decidiu  ser prefeito de Manaus?

Eu tenho 51 anos de idade e acho que cheguei à maturidade política e de vida para enfrentar um desafio como esse. Eu moro nessa cidade, amo essa cidade e vivo nela há 20 anos. Eu vim para fazer a diferença, para colocar o meu nome como solução desses problemas. Eu acho que sou muito mais preparado do que os outros para administrar estes problemas. 

O que o senhor considera como carro-chefe da sua campanha?

A cidade não vai se transformar do dia para a noite. Eu acho que tem uma trajetória. Eu acho que a Copa do Mundo é o recomeço de uma história, um novo caminho. Eu acho que com o advento da Copa a gente pode criar um modelo de turismo pra cá. E é esse mote que é propagado pela minha administração.

O senhor acha que Manaus  estará preparada para a Copa do Mundo?

No que depender da prefeitura sim. A partir do dia primeiro de janeiro vou estar nas ruas, com as nossas equipes, deixando a cidade mais limpa, colocando o BRT para funcionar, cuidando do Centro, com o Centrão Popular. Vamos cuidar dessa questão visual da cidade, tirar placas. Nós vamos deixar essa cidade um brinco. Essa joia que existe e que está lameada, suja e opaca, que não foi lapidada, nós vamos deixar que essa joia que se chama Manaus seja a joia da Amazônia. Ela vai ser conhecida lá fora como uma das cidades mais limpas e bonitas do Brasil.

Como será resolvido a questão dos vendedores ambulantes em sua administração? 

A gente vai desapropriar prédios que estão abandonados e nesses prédios vamos fazer os “Centrões Populares” os centros de comércio popular no Centro. Na periferia vamos fazer os “T-shoppings” são os terminais para abrigar os camelôs da periferia, os camelôs que ficam nos bairros Compensa, Alvorada, Zona Leste, iremos abrigá-los nos T-Shoppings. Então a cidade vai ser organizada.

O senhor acha que Manaus tem recursos para trabalhar todos os investimentos da Copa?

Esses investimentos que são inerentes à prefeitura, sim. BRT, limpeza pública, calçadas, tapa buracos. Agora os outros são do Governo Federal. A construção do aeroporto, a duplicação e triplicação dos leitos de hotel, a questão da Arena Amazônica que é do Governo do Estado. A parte da prefeitura será feita com excelência, não tenha dúvida e recursos existem porque temos 3 bilhões e 300 milhões de reais de orçamento que daria para ser investir 15% daria cerca de R$ 400 milhões ou  R$ 500 milhões. Fora isso nós temos convênios com o Governo Federal. 

O senhor acha que o maior legado da Copa vai ser a Arena da Amazônia?

O maior legado da Copa vai ser a estrutura turística que vai ser deixada. As pessoas vão querer vir pra cá para conhecer a Amazônia. E eu não quero que essas pessoas se decepcionem, a gente não pode se envergonhar disso. Um agente de turismo que levar o turista na Manaus Moderna vai passar vergonha, é um Adolpho Lisboa em construção, é uma sujeirada na frente. 

Na sua gestão terá espaço para o BRT? E qual é a sua opinião sobre o monotrilho?

Eu acho que o BRT é a solução para agora. O monotrilho é a solução de ‘top’ para a mobilidade urbana. A passagem do monotrilho é muito cara, custa quase R$ 7 e a prefeitura teria que desembolsar pelo menos 2/3 desse dinheiro o que não ia dar certo, além de poluir a cidade. Eu acho que Manaus não merece mais esse desastre de R$ 1,5 bilhão jogado fora.

O que o senhor pretende fazer pela saúde básica?

Nós estamos pensando em chegar a até 300 casinhas de saúde que é um modelo que deu certo. A gente precisa duplicar o número de UBS, criar pelo menos umas três ou quatro policlínicas e umas duas ou três maternidades. A gente precisa aumentar o número de médicos, enfermeiros. Nós vamos criar concurso público para isso. Vamos ampliar a questão dos ambulatórios, análises clínicas, o programa que existe de odontologia também será preservado. Os modelos que deram certo vão ser preservados e ampliados. 

 Então o senhor pretende continuar com os projetos sociais?

Esses projetos sociais como o “Leite do meu Filho” nós vamos ampliar melhorando a qualidade deste leite. Outro pro grama que precisa ser mantido e ampliado é o “Bolsa Universidade”. Nós vamos fazer o “Bolsa Cursinho”, para que as pessoas de baixa renda possam fazer o cursinho pré-vestibular para ingressar na universidade pública.

O sistema de cobrança de pedágio (Zona Azul) será aplicado no seu governo?

É o que eu falei no último debate. As pessoas estão pirateando ideias. Buscam ideias de candidatos de outras cidades que tem uma solução no trânsito, na mobilidade e quere colocar aqui. Manaus é uma situação totalmente diferente e nós temos que encontrar soluções que caibam tanto no orçamento quanto no dia a dia dessas pessoas. O Zona Azul deu certo em outros locais, mas como você vai resolver o problema dos flanelinhas no Centro da cidade? O Zona Azul cria um problema social para os flanelinhas, que devem ser hoje cerca de dois mil  pais de famílias. É  preciso dar a eles opção de trabalho. 

Que solução o senhor daria para a falta de estacionamento no Centro da cidade?

Nós vamos fazer estacionamentos naquelas praças. Na Praça da Saudade, por exemplo, vão ter três andares pra baixo na praça com estacionamento. Têm empresas internacionais interessadas nisso. A empresa vem, faz o estacionamento e depois recompõe a praça do jeito original que ela estava. Aí, a empresa passa dez anos utilizando aquele espaço como privado. 

 Quais são os seus projetos para o centro histórico?

O Centro vai ser revitalizado. Nós vamos levar incentivos para a periferia da cidade para que estabeleçam empresas nesses bairros.  Vamos revitalizar, como foi feito no Teatro Amazonas. O Centro pode ser todo do jeito que é o Teatro. A gente pode chegar e viajar e sonhar de repente com o próprio bonde e com ônibus turísticos.

O senhor é a favor da cobrança da Taxa do Lixo?

Eu fui um dos poucos vereadores que votou contra a taxa do lixo porque não concordo.  Nós pagamos 160 milhões de reais por ano na coleta do lixo, gastaremos menos e cuidaremos melhor do lixo. Vamos reciclar, reaproveitar e reutilizar e fazer coleta seletiva, vamos ensinar o povo a ganhar dinheiro com o lixo.

O que pretende fazer com o contrato da Consladel?

Todos os contratos suspeitos ou não serão reavaliados pela nossa administração. O contrato da Manaus Ambiental, esse da Consladel, todos eles vão ser reavaliados. Se esses contratos forem suspeitos há uma grande possibilidades de serem suspensos ou cortados definitivamente. Quem vai trabalhar com a gente tem que ser honesto e tem que ter uma transparência total.

Qual é a sua opinião sobre o aborto?

Eu sou contra o aborto. 

E sobre a legalização da maconha?

Sou contra também.

O que o senhor pensa sobre o casamento entre homossexuais?

Eu sou contra. Eu sou cristão e minha fundamentação é toda cristã e eu não consigo encontrar abrigo na minha formação como homem que ache que isso é uma coisa que pode ser entendida como natural. Não consigo. Droga, casamento homossexual e aborto pra mim não terá nunca a minha permissividade.

O senhor está lendo algum livro?

Eu estou lendo a biografia do diretor da Globo, Boni.

Qual é o livro favorito?

A Bíblia. É ela que me acompanha constantemente. E ganhei ultimamente uma Bíblia de um amigo que tem uma linguagem popular e que você consegue entender. Eu tinha dificuldade de entender a Bíblia porque tinha uns versículos que você passava meia hora para poder conseguir entender. Essa Bíblia agora tem uma linguagem simplificada e fica mais fácil de entender.

Que tipo de música o Henrique ouve?

Eu sou bem eclético no meu gosto musical. Gosto de música sertaneja,  clássica para dormir, música erudita e pop. Eu só não gosto de samba.

O que o senhor faz em seu momento de lazer?

Eu gosto de ir tomar banho de rio. Gosto de curtir a natureza maravilhosa que o Amazonas tem. Gosto de ir para um flutuante desses e ficar de bubuia com a minha família curtindo. O que me sobra  mesmo é o tempo pra ficar com a minha família e com meus amigos.

O senhor costuma assistir  TV?

Não, não assisto mais. Só os meus programas.

O senhor se considera festeiro?

Não, já passei dessa fase. Já gostei muito disso quando eu era mais jovem, mas agora já acabou.