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Ex-namorada do goleiro Bruno é interrogada no Tribunal de Júri

Fernanda está sendo acusada pelos crimes de seqüestro e cárcere privado de Eliza Samudio e Bruno Samudio 22/11/2012 às 18:38
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Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Souza
Ascom / Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais Contagem (MG)

No quarto dia de julgamento do Caso Eliza Samudio, nesta quinta-feira (21), a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, titular do Tribunal do Júri de Contagem, deu prosseguimento à fase de interrogatórios dos réus com o depoimento de Fernanda Gomes de Castro. O outro réu que está sendo julgado neste momento, Luiz Henrique Romão (Macarrão), foi interrogado por cinco horas seguidas entre a noite de ontem e a madrugada desta quinta-feira. O julgamento acontece no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem.

Logo no início do interrogatório, que durou três horas, a ré negou as acusações. Contou que na primeira semana de junho de 2010 ela estava hospedada na casa do goleiro Bruno Fernandes, no bairro Recreio dos Bandeirantes, na cidade do Rio de Janeiro. Havia ido até lá para conhecer familiares do goleiro. Na noite do dia 4 de junho, Fernanda disse que já estava na própria casa dela, quando, por volta das 21 horas, Macarrão ligou pedindo que ela retornasse à casa de Bruno, mas não quis dizer o motivo.

Ao chegar na casa do Bruno, Fernanda afirmou que foi informada por Macarrão dos seguintes fatos: que Macarrão tinha ido encontrar com Eliza, para tentar negociar com ela, que vinha pedindo dinheiro ao goleiro. O então menor Jorge, primo de goleiro, estaria junto e, em função de uma discussão entre o menor e a mulher, dentro do carro, Jorge teria agredido Eliza. Macarrão contou também à Fernanda que, naquele momento, perguntou à Eliza, que sangrava o nariz, se ela preferia ir embora ou se queria se dirigir à casa de Bruno Fernandes. Eliza teria optado por ir para a casa do goleiro. Macarrão teria dito que estava com receio de Eliza procurar novamente a mídia e, com isso, prejudicar a carreira do Bruno.

Segundo Macarrão, o bebê Bruninho estava chorando e Eliza estava com dor, por isso ele precisava da ajuda de Fernanda, já que sairia para comprar remédios e tinha receio de Jorge e Eliza começarem a brigar novamente. Fernanda afirmou que Macarrão entregou o bebê para ela, que cuidou da criança, enquanto Eliza permaneceu num quarto fechado. A ré não soube dizer se a porta estava trancada. Macarrão teria dito à ré que Eliza estava com dor de cabeça, e por isso Fernanda recebeu o bebê das mãos de Macarrão e permaneceu com o bebê por toda a noite. Só viu Eliza pela manhã, conversando com Macarrão e Jorge. Bruno chegou pela manhã – passara a noite na concentração. Tão logo chegou, segundo Fernanda, o goleiro conversou a portas fechadas com Macarrão e, em seguida, também a portas fechadas, com Eliza. No mesmo dia, todos seguiram para Belo Horizonte, em carros separados: Fernanda e Bruno seguiram numa BMW; Macarrão, Jorge, o bebê e Eliza numa Land Rover.

Viagem para Belo Horizonte

Pararam no percurso por duas vezes – em um posto de gasolina e numa lanchonete. Em um pedágio, Bruno deu carona a um policial, que desceu do carro nas imediações da entrada de Juiz de Fora. Em seu relato, a ré disse que, já em Belo Horizonte, Bruno e ela teriam seguido para a casa da mãe dele, onde passariam a noite. Ao chegarem lá, Fernanda, ainda no portão, foi apresentada a Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, assassinado em agosto deste ano. Passariam a noite ali, mas Bruno teria desistido da idéia por desconfiar de que sua ex-mulher, Dayanne estava na casa. A fim de evitar confusão, decidiram sair. Ele a convidou para conhecer o bairro onde havia crescido. Percorreram ruas, depois pararam num bar, onde ficaram até 7 da manhã, seguindo, depois, para um motel. Sérgio teria ido para o local com eles, mas dormiu no carro. O casal foi acordado no quarto por Macarrão, que contou estarem todos os demais – Eliza, o bebe, Macarrão e Jorge – hospedados no mesmo motel.

Durante o interrogatório, Fernanda afirmou, ainda, que do motel seguiu para a casa da mãe de Macarrão e em seguida foi assistir ao jogo de futebol do time 100%. Em seguida, para um bar e, por fim, para o sítio. Segundo ela, foi a única vez que esteve no local. Eliza também teria assistido ao jogo com o bebê, mas as duas mulheres não estavam próximas, embora tenham se falado algumas vezes durante o jogo. Na manhã seguinte, Fernanda voltou de carro, com Macarrão, para o Rio de Janeiro.

Promotoria

Ao ser interrogada pelo promotor de justiça Henry Vasconcelos de Castro, Fernanda foi confrontada com registros de ligações que teriam realizado, na noite de 4 a 5 de junho, para o celular de Jorge. Segundo a ré, ela ligava para o então menor várias vezes por dia, pois ele tinha problemas com drogas. Respondendo ao promotor, Fernanda disse que não se recorda de ter visto Jorge machucado, com os braços “rasgados de unhas”. Disse que em nenhum momento escondeu o rosto para não ser reconhecida por Eliza. Afirmou, também, que prestou declarações ao delegado Edson Moreira e a uma ou a ambas as delegadas Ana Maria dos Santos e Alessandra Wilke.

Fernanda afirmou ao promotor que, durante os interrogatórios, estava acompanhada do advogado Ércio Quaresma e também se encontrava lá uma advogada da OAB de nome Cíntia. Perguntada se alguém pediu para que ela mentisse, Fernanda, após intervenções de seus advogados, disse que não responderia à pergunta. Em seguida, afirmou que estava muito nervosa e apreensiva durante os interrogatórios da fase policial, por isso mentiu, mas que depois, em juízo, decidiu dizer a verdade à juíza Marixa Fabiane e ao promotor de justiça Gustavo Fantini. Fernanda afirmou que em juízo disse a verdade, relatando tudo o que sabia e tudo que lhe foi perguntado.

Medo

A ré afirmou que mentiu por sentir medo, ao ver o nome dela, que não seria inocente, ser veiculado na mídia, a todo momento, sendo ela mãe de dois filhos adolescentes. Além disso, ela fazia parte de grupo de adolescentes de uma igreja. Declarou que mentiu para se proteger, e que foi presa em 5 de agosto, na casa da mãe de Macarrão, em Ribeirão das Neves. Não sabe afirmar quem a envolveu na história, pois foi Macarrão que fez ligação para ela, no dia 4 de junho, mas não sabe se ele o fez sob orientação de Bruno. Por fim, contou que logo que começou a se relacionar com Bruno, ficou sabendo da existência de Eliza e do bebê. Mas não sabia sobre agressões anteriores de Bruno contra Eliza e da tentativa de aborto.

O assistente de acusação, Cidnei Karpinski, perguntou quando ela conheceu Macarrão, e ela afirmou que foi cerca de 15 dias após conhecer Bruno, e que de fato ele resolvia todas as coisas da casa e de aspectos da vida pessoal do goleiro. Eliza teria comentado com Fernanda, na manhã de 5 de junho, que Macarrão comunicou que ele e Bruno arrumariam um apartamento para ela morar em Belo Horizonte.

Interrogada pela advogada Maria Lúcia Borges Gomes, representante de Sônia Moura e Bruninho, respectivamente mãe e filho de Eliza, Fernanda afirmou que, pela calma que Eliza aparentava, não desconfiou de nada e não percebeu nenhuma alteração no estado emocional do Bruno, naqueles dias. Viu Eliza pela última vez na segunda-feira pela manhã, quando estava para retornar ao Rio com Macarrão. Eliza estava com o bebê no colo, numa área externa do sítio. Disse que só ficou sabendo efetivamente da execução de Eliza ontem, durante as declarações de Macarrão, que teria visto hoje pela imprensa.

Defesa

Respondendo a perguntas de sua advogada, Carla Silene, contou que a casa da mãe dela foi invadida por policiais armados; que foi orientada pelo advogado Ércio Quaresma a participar do programa da apresentadora Ana Maria Braga; que quando procuravam Bruno, também teve o apartamento invadido por policiais armados; que antes de ser preso por esse processo, o advogado do Bruno no Rio de Janeiro era Miguel Assef; que reside no bairro Santa Cruz e que freqüenta a Igreja no mesmo bairro. Trabalha como secretária em um escritório de advocacia. Reconhece que as declarações prestadas no programa da Ana Maria Braga lhe trouxeram muitos prejuízos.

Fernanda contou que Bruno Fernandes afirmou que levaria ela e o filho dela para Itália, quando fechasse contrato com time de futebol naquele país.

O advogado Lúcio Adolfo, recém designado para defender o goleiro Bruno, fez uma única pergunta à Fernanda: se ela teria recebido alguma proposta de acordo do promotor de justiça para minorar a acusação contra ela. A ré afirmou que não.

Jurados

Quando foram abertas as perguntas dos jurados, Fernanda fez os seguintes esclarecimentos: que retornou ao Rio de Janeiro com Macarrão em uma BMW; chegaram de viagem por volta das 19 horas; que não viu se Eliza carregava com ela alguma bagagem, no trajeto do Rio para Minas; que macarrão teria dado carona, até o centro de Belo Horizonte, para Coxinha (o réu Wemerson Marques de Souza) e duas meninas que também estavam no sítio.

A sessão de julgamento foi suspensa às 17h40 e será retomada na sexta-feira, dia 23 de novembro, às 9 horas.

Outros réus

Bruno Fernandes das Dores de Souza, sua ex-mulher Dayannne Rodrigues do Carmo de Souza e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos (Bola), que tiveram o processo em relação a eles desmembrado, serão julgados em 4 de março de 2013.

A data para o julgamento dos dois outros réus do Caso Eliza Samudio, Elenilson Vítor da Silva e Wemerson Marques de Souza, que também tiveram o processo em relação a eles desmembrado, ainda será definida.