Publicidade
Cotidiano
Notícias

Extração de gás e petróleo traz risco para terras indígenas e a patrimônio natural no AM

Sob protestos, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis  (ANP) realizou  licitação em áreas para exploração, 4 são no  Estado do Amazonas  08/10/2015 às 10:46
Show 1
Ativistas usaram até uma balsa para protestar contra o avanço da exploração
Náferson Cruz Manaus (AM)

Mesmo diante da recomendação do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou na última quarta-feira (7), sob protesto de representantes indígenas, a licitação de sete blocos exploratórios em quatro bacias hidrográficas no Amazonas, que servirão para a exploração de petróleo e gás natural.

Um dos questionamentos do MPF-AM era de que as áreas estão próximas a terras indígenas e a um patrimônio natural. A 13ª rodada de licitações ocorreu na quarta-feira (7), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Ambientalistas de diversas organizações não governamentais, entre elas o Greenpeace e Centro de Trabalho Indigenista (CTI), também compactuam com o posicionamento do MPF-AM e até apresentaram estudos que apontam que as sete áreas leiloadas no Amazonas impactarão diretamente terras indígenas (TI) e Unidades de Conservação (UC).

No último dia 1º, ativistas do Greenpeace fizeram um protesto contra o avanço da exploração de petróleo e gás na floresta amazônica, em pleno Encontro das Águas. Eles exibiram uma faixa de 80 metros com a mensagem “Deixem as fontes fósseis no chão”. Para o ativista Thiago Almeida, a exploração nunca vai ser sem risco algum, sempre vai gerar o risco de um vazamento de petróleo, por exemplo, que poderá contaminar o solo e a água. “No caso de gás, transmite-se metano na atmosfera, um potencial de aquecimento global muito maior que gás carbônico”, comentou.

Dados

Estudos do Greenpeace apontam que a situação e os riscos aumentam nas áreas do Sul da bacia amazônica, que se sobrepõe a quatro territórios indígenas: Trincheira/Bacajá, São Pedro, Padre e Miguel/Josefa. No total, mais de 1,3 mil indígenas poderão ser afetados, segundo o Greenpeace.

Foram oferecidos um total de 266 blocos exploratórios em 22 setores de 10 bacias sedimentares. Serão 125 mil quilômetros localizados em 12 estados brasileiros. Entre as 36 empresas que tiveram pedido de inscrição aceito, 22 foram de companhias estrangeiras.

A recomendação do MPF-AM,  que pede a retirada dos blocos da bacia do Amazonas da licitação foi encaminhada na segunda-feira (5) e estabeleceu o prazo de 24 horas para resposta da ANP. Mas, na última quarta-feira (7), durante o certame, o  presidente da ANP, Magda Chambriard, confirmou o leilão das quatro bacias no Amazonas. 

Distância

Os 7 blocos de exploração ofertados na bacia do Amazonas estão próximos das terras indígenas, sendo que algumas delas estão localizadas em distâncias que variam de 72 a 360 metros da região dos blocos ofertados pela ANP, segundo O CTI.