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Faculdades particulares de Manaus investem cada vez mais no mercado educacional

Três faculdades locais que se caracterizavam por serem negócios familiares já migraram para um novo sistema, ao serem adquiridas por conglomerados educacionais consolidados no País ou no exterior 19/04/2015 às 11:14
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Desde outubro de 2014, a Faculdade Martha Falcão passou a integrar o grupo de ensino DeVry, que oferece aos alunos possibilidades de intercâmbio
Juliana Geraldo Manaus (AM)

Seguindo uma tendência nacional na área de educação, a “cara” do ensino superior em Manaus está mudando. De 2008 para cá, três faculdades que se caracterizavam por serem negócios familiares já migraram para um novo sistema, ao serem adquiridas por conglomerados educacionais consolidados no País ou no exterior.

São elas: a Uninorte, pioneira no processo, adquirida pelo grupo Laureate há seis anos, a Unicel Literatus que foi absorvida pela Faculdade Estácio nos últimos meses de 2014 e a Faculdade Martha Falcão, que virou DeVry também no final do ano passado.

Mesmo atendendo a nichos diferenciados, as três instituições fizeram a mesma aposta: “renderam-se” a grupos mais bem estruturados para profissionalizar sua gestão e oferecer aos alunos opções ampliadas como a participação em intercâmbios em outras unidades do grupo espalhadas pelo mundo.

A estratégia das instituições foi bem aceita e mesmo as que fizeram a migração para o novo modelo há pouco tempo já preparam novidades para o público universitário da cidade.

DINHEIRO conversou com os dirigentes das instituições que fizeram um balanço de suas atuações nesse novo formato e adiantaram investimentos para 2015 e 2016.

Trajetória

A Uninorte, adquirida pelo grupo Laureate em 2008, foi a instituição que encabeçou o processo de migração de modelo entre as faculdades locais. De acordo com o diretor geral do grupo Laureate em Manaus, Marcelo Medeiros, a decisão da instituição de ser incorporada ao conglomerado internacional amadureceu a gestão e as possibilidades ofertadas aos alunos.

“A missão da Uninorte sempre foi aumentar o acesso ao ensino superior de qualidade. Mas chegou um momento em que a empresa não tinha a estrutura gerencial necessária para avançar. Foi quando se consolidou a transação. De lá para cá, desenvolvemos processos mais fortes, técnicas de controles e com isso, a instituição se fortaleceu. Os alunos sentem a diferença”, comemora.

Atualmente com 13 unida-des e mais de 50 cursos, a faculdade oferece possibilidade de intercâmbio em 29 países, entre eles, Estados Unidos e México.

“Como resultado desse amadurecimento estamos preparando novos aportes. Um deles, que será inaugurado no final do mês, é o laboratório da área de saúde que vai contar com corpos simulados - bonecos que reproduzem reações humanas - para auxiliar na formação dos profissionais. Novos cursos como o de medicina e veterinária aguardam aprovação do MEC para serem inaugurados”, adianta.

Padrão internacional

A aposta da DeVry, que assumiu o comando da Faculdade Martha Falcão em outubro de 2014, também está na internacionalização dos serviços oferecidos aos alunos.

Além da possibilidade de intercâmbio em outros campus da DeVry pelo mundo, a instituição oferece planos como o EnglishPro, curso de inglês presencial ou a distância focado nas exigências do mercado de trabalho.

“A Devry veio para somar e permitiu à instituição oferecer esse tipo de serviço diferencial. Para este ano, continuaremos apostando nesta linha, além de seguir com investimentos estruturais em nossos laboratórios”, argumenta o coordenador geral acadêmico da Martha Falcão / Devry, Ronaldo Campos.

Celebração

A Faculdade Estácio, que há nove meses adquiriu as duas unidades da Unicel Literatus e que já investiu R$ 1,5 milhão na melhoria de estrutura, também se prepara para novos investimentos. Segundo o presidente do grupo, Rogério Melzi (foto), que esteve na última semana em Manaus, mais R$ 1 milhão será disponibilizado para aquisição de equipamentos e ampliação dos laboratórios.

“No médio prazo, também vamos apostar em um novo campus, em três polos de ensino a distância e investir em soluções corporativas para profissionais do Polo Industrial de Manaus”.

Segundo Melzi, a aquisição da Unicel Literatus veio como forma de acelerar o processo de expansão do Grupo Estácio. “A Estácio prefere iniciar ‘do zero’, suas unidades, mais a oportunidade de adquirir a Unicel e aproveitar o bom momento do mercado educacional manauara não podia ser deixada de lado. Deu certo”, comemora.

Início de uma tendência

A diretora geral da Escola de Serviço Público Municipal (ESPI- Manaus) e professora universitária há 35 anos, Luiza Bessa Rebelo, explica que a articulação das instituições locais em se associar com empresas mais consolidadas é uma tendência.

“Não quer dizer que as empresas que optem por manter os negócios em família estejam fadadas ao fim, mas elas precisarão de mais criatividade e estratégias variadas para se manter nesse mercado competitivo. Vale lembrar que o cenário econômico não é dos mais favoráveis”, argumenta.

Segundo ela, um dos principais motivos para a agregação das empresas menores em grupos maiores é o aumento do grau de exigência do Inep, que regula as atividades em instituições de ensino superior. “Exigências como um projeto pedagógico consistente, articulação com o mercado produtivo, capacitação do corpo docente, infraestrutura, requisitos legais como as minorias raciais e a questão ambiental são padrões necessários, mas altos. Os grupos menores têm dificuldade de dar respostas para essas questões e por isso correm nessa direção”, explica a educadora.