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Falta de arqueólogos dificulta descobertas no AM

Arqueóloga Helena Lima faz alerta e diz que universidades precisam fazer parcerias com Iphan ou abrir cursos de arqueologia 19/11/2012 às 08:20
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A depredação é o principal problema dos sítios arqueológicos de Manaus, como as circunferências de urnas achadas no Japiim há 12 anos
Elaíze Farias Manaus

O Amazonas precisa "desesperadamente" de profissionais para dar conta das descobertas de sítios arqueológicos encontrados no Estado e na capital. O alerta é da arqueóloga Helena Lima, pesquisadora associada ao Museu Amazônica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Para Helena, a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não tem conseguido atender todas as ocorrências recentes de surgimento de sítios na cidade de Manaus, daí a necessidade das universidades ou realizarem parcerias com a instituição ou abrir cursos de Arqueologia. Ou as duas coisas. Atualmente, o Iphan no Amazonas tem só uma profissional respondendo pelo departamento de Arqueologia.

"Se a gente prestar atenção, um novo sítio está aparecendo em Manaus a cada semana. Quando é encontrado um sítio, não são apenas objetos. É preciso pesquisa do profissional para que ele saiba interpretar o que o objeto representava."

Doutora em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (USP), Helena vem desenvolvendo projetos nas regiões do Médio e Baixo Amazonas. Uma de suas pesquisas mais recentes vem sendo realizada nos sítios arqueológicos do município de Itacoatiara.

Uma das últimas ocorrências de sítios arqueológicos em Manaus foi noticiada em matéria publicada ontem em A CRÍTICA. Moradores do bairro Parque das Nações encontraram fragmentos cerâmicos em um terreno durante a obra de reforma em uma casa.

Na semana passada, o fotógrafo Clóvis Miranda, de A CRÍTICA, identificou a circunferência do que parece ser uma urna funerária dentro de seu quintal. A circunferência ficou mais visível devido à lixiviação causada pela chuva.

O principal problema dos sítios arqueológicos de Manaus é a sua depredação. Um exemplo é o existente no conjunto Atílio Andreazza, no Japiim, Zona Sul. Há 12 anos, foram encontradas 11 circunferências de urnas. O sítio foi cadastrado no Iphan, mas os objetos permanecem no local. A cada ano, as circunferências desaparecem devido aos aterros e à passagem de veículos, conforme alerta o arqueólogo da Ufam, Carlos Augusto Silva.