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Falta de investimentos na segurança de fronteiras facilita o tráfico no AM

Para ex-secretário nacional de Segurança Ricardo Balestreri, faltam policiais e armamentos para impedir a entrada de drogas no País 01/09/2012 às 08:51
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Segundo Ricardo Balestreri, para reforçar a proteção da Amazônia é preciso investir no policiamento das fronteiras
CAROLINA SILVA ---

A falta de investimentos no policiamento das fronteiras na região Amazônica é um dos fatores que facilitam o tráfico de drogas entre o Brasil e os países vizinhos.  Foi o que afirmou o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, na manhã de ontem, durante o 2º Seminário Internacional de Segurança da Amazônia (Sisam), que acontece em Manaus.

Ele cita como exemplo o tráfico de cocaína, que é produzida no Peru e trazida para o Brasil passando por municípios que estão na região fronteiriça. “Essas fronteiras brasileiras são uma peneira. É uma piada falar em segurança de fronteira no Brasil, a começar pelo número de policiais. A Polícia Federal, por exemplo, tem entre 11 e 12 mil efetivos para proteger mais de 10 mil quilômetros de fronteira terrestre, não sei mais quantos mil quilômetros de fronteira marítima, cuidar dos aeroportos e portos? Há programas que as instituições fazem do jeito que podem”, criticou.

Balestreri afirma que, para reforçar a proteção da Amazônia, é preciso mais investimentos do Governo Federal no policiamento das fronteiras na região, como a contratação de um número maior de policiais e a aquisição de aparatos de segurança, desde armamentos.

Para ele, esses investimentos permitiriam, por exemplo, um maior combate ao tráfico de drogas no Brasil e nos países vizinhos. “O investimento nacional nessa questão é ridículo, e sempre foi. Não tem defesa nacional sem orçamento. Não adianta só fazer discurso bonito para proteger essas fronteiras. O que as Forças Armadas e o que as polícias querem ver é o dinheiro na conta pra fazer isso”, criticou.

Ricardo Balestreri, que também é consultor de segurança pública, disse que o difícil acesso a localidades situadas na região de fronteira na Amazônia exige investimentos em aparatos para garantir a proteção do País. “É preciso dinheiro para comprar armamentos, para comprar aeronaves, porque não tem estrada pra chegar na maior parte do Brasil, então tem que ser por via aérea ou via fluvial, como aqui na Amazônia”.

Integração

Outra medida para reforçar a proteção da Amazônia, segundo Balestreri, é a integração entre as polícias brasileiras e a internacional. É o caso da parceria entre a Polícia Federal no Amazonas e a Polícia Nacional do Peru, que deflagraram as operações conjuntas ‘Trapézio 1 e 2’, em ofensiva ao plantio de coca - principal insumo da cocaína - no território peruano.

A droga produzida lá e destinada ao Brasil tem como rota de acesso a região fronteiriça da Amazônia. “É fundamental a realização dessas ações conjuntas das polícias”, afirmou Ricardo Balestreri.