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Cotidiano
FÉRIAS FRUSTRADAS

Família amazonense de férias na Flórida tenta fugir do furacão Irma

"Supermercados estão sem água e comida. Postos sem gasolina. É desesperador", conta a manauara Jeane Galves 07/09/2017 às 17:58 - Atualizado em 07/09/2017 às 18:16
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Jeane foi acompanhada do marido e dos filhos, de 6 e 16 anos (Foto: Arquivo pessoal)
Tiago Melo Manaus (AM)

De férias com a o marido e os filhos, de 6 e 16 anos, nos Estados Unidos, a manauara Jeane Macelino Galves, de 39 anos, conta que tem vivido uma situação de constante pânico e estresse por conta da chegada do furacão Irma, na Flórida. Planejada há mais de um ano, a viagem, que deveria ser um momento de lazer e descontração para a família, acabou se tornando, de forma inesperada, em um pesadelo.

"Planejamos essas férias há um ano e meio, escolhemos setembro porque os parques estão menos lotados. Saímos de Manaus no dia 3 de setembro e só quando chegamos em Miami, na casa da prima do meu marido, é que ficamos sabendo do furacão que estava vindo", comentou Jeane.

"Até então tínhamos só informações de que ele poderia vir, mas de repente o cenário mudou, a escala subiu para 5, as pessoas entraram em pânico. Na terça-feira foi o ápice, começamos a passar muito mal ao ouvir o relato de pessoas que já passaram por isso e como elas ficam trancadas em quartos sem janelas e com o mínimo de abertura possível", disse ela.

 Jeane conta que a família teve de adiantar a ida para Orlando, que é onde o furacão deve chegar com menos força e o perigo é menor. O trajeto, segundo ela, que poderia ser facilmente completado em três horas e meia de carro, levou sete horas por conta do trânsito intenso.

"Orlando já estava nos planos como a nossa segunda parada, mas tivemos de ir antes para fugir do furacão. Só que lá também é o trajeto de muitas pessoas que estão indo para o Tenessi, Geórgia e outros Estados mais afastados, por isso as estradas ficaram super lotadas", afirmou Jeane, que já não sabe como ficará a programação feita pela família para ir nos parques temáticos da Disney e da Universal.

De acordo com a manauara, apesar da previsão de que o Irma chegue em Orlando no domingo (10), o “clima” é bem menos tenso se comparado com o de Miami, onde o pânico já podia ser percebido nas conversas entre as pessoas.

"Vamos ficar aqui mesmo, não conseguimos voltar para Manaus a tempo e já tem previsão dos aeroportos fecharem. Nosso retorno está previsto para o dia 16 deste mês. O hotel em que estamos é seguro, mas não sabemos com que força o furacão vai chegar. Estamos orando, pedindo a Deus que nada aconteça a nós e aos demais moradores e turistas", afirmou.

Cenário apocalíptico

Walmart, Target e Walgreens, os maiores supermercados da região, conforme Jeane, estão passando pelo mesmo problema: a falta de produtos nas prateleiras, não pela falta de abastecimento, mas sim pela alta procura dos consumidores mais precavidos.

“Tanto no Walmart de Orlando, quanto no de Miami, você já não encontra mais água para comprar, nem produtos enlatados prontos para o consumo. Está tudo esgotado”, contou.

Outra situação preocupante, para Jeane, é a falta de gasolina nos postos de combustível. Muitos estão fechados ou com bombas já vazias. Os que ainda estão abertos, possuem uma fila enorme gente querendo abastecer e estocar.

“Nossa grande dificuldade é que não fazemos ideia de como proceder, quem mora aqui já sabe o que fazer, o que comprar, como se proteger. A maioria dos brasileiros aqui está nessa situação. O jeito é se informar com as pessoas mais experientes”, concluiu.

Rastro de destruição

Segundo o Centro Nacional de Furacões do governo dos Estados Unidos, o Irma está entre os cinco mais poderosos furacões do Atlântico dos últimos 80 anos, e é o mais forte do oceano a sair do mar do Caribe e do Golfo do México e atingir a costa. O fenômeno já atinge 295 quilômetros por hora durante os picos.

O Irma atingiu as ilhas do Caribe na manhã dessa quarta-feira, em Antígua e Barbuda. Depois, passou por São Martin e Ilhas Virgens, e seguiu seu trajeto em direção a Porto Rico, República Dominicana e Haiti. O Secretariado das Nações Unidas autorizou a extensão excepcional das operações humanitárias das tropas brasileiras na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah).

O trajeto exato do centro do furacão é incerto, mas a expectativa é que sua passagem pelo Caribe tenha impactos também em Cuba, embora com menos intensidade.

No final de semana, o furacão deve passar pela região que abrange Flórida, Porto Rico e Ilhas Virgens. O Irma pode ser pior do que o furacão Andrew, que devastou a Flórida em 1992. Ele é o segundo furacão de grande intensidade a atingir o sul dos Estados Unidos nesta temporada, depois do Harvey, que provocou destruição no Texas e deixou mais de 60 mortos e prejuízos de US$ 180 bilhões.

Na República Dominicana, cerca de 7,5 mil turistas são transferidos, como medida preventiva, desde vários complexos hoteleiros de Samaná, Punta Cana e Puerto Plata para hotéis em Santo Domingo e Santiago, por causa da passagem do furacão Irma.

O papa Francisco, que deixou a Itália nesta quarta-feira a caminho da Colômbia, teve seu avião forçado a mudar de rota. A aeronave da Alitalia iria sobrevoar o território norte-americano de Porto Rico, mas, em vez disso, se deslocou para o sul e cruzou as ilhas de Barbados, Granada e Trindade.