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Cotidiano
Família Sorriso

Filhos de dentistas herdam a escolha profissional dos pais

No mês em que se comemora o Dia Mundial do Dentista, 25 de outubro, o jornal A CRÍTICA mostra cinco filhos que seguiram a mesma profissão do pai 16/10/2016 às 05:00
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Os cinco filhos de José Pinheiro da Silva seguiram a profissão dele, a odontologia (foto: Euzivaldo Queiroz)
acritica.com MANAUS

É natural e geneticamente comprovado que os filhos herdem muitos traços físicos ou psicológicos dos seus pais. Afinal, coisas como valores, responsabilidade, cultura são passadas de pai para filho, por isso, por que não a profissão? E não é difícil encontrarmos famílias que seguiram a mesma carreira. No mês em que se comemora o Dia Mundial do Dentista, 25 de outubro, o jornal A CRÍTICA escolheu uma família de cirurgiões dentistas para saber como decidiram optar pela mesma profissão do pai e como fazem para dividir as experiências, dúvidas, sucessos e fracassos e claro muito amor pela profissão.

É o caso dos filhos do cirurgião dentista José Pinheiro da Silva, 55 anos. O do meio, Danilo Noleto, 33, é proprietário da DNS Odontológica; assim como ele, os irmãos Daniel Noleto, 35, e Diogo Noleto, 32, também se formaram na área. Mas não parou por aí, os mais jovens Douglas Pinheiro, 23 e Gabrielle Noleto com 22 anos, também estão concluindo o curso de Odontologia.

De acordo com a psicóloga clínica e terapeuta cognitivo comportamental, Karina Alecrim Bessa, os pais muitas vezes influenciam seus filhos a partir de exemplo de suas atitudes positivas muitas vezes observadas pelos filhos. “As crianças tendem a analisar tudo que os adultos estão fazendo e acabam mesmo que inconscientemente assimilando se aquilo é bom ou não como a segurança e figura de herói ás vezes vestida por meio da profissão. Isso acontece bastante em caso de crianças que vão para o trabalho junto com seus pais e lá mesmo brincando vão construindo uma imagem da profissão” destaca.

Segundo Danilo Noleto, esse é o caso de sua família, pois todos os filhos de José Pinheiro sempre estiveram muito envolvidos no ambiente de laboratório e consultório odontológico desde cedo. “Meu pai se casou muito jovem e para sustentar a família trabalhava em casa juntamente com a minha mãe fazendo dentaduras e antes mesmo dele concluir a graduação em odontologia já convivíamos com isso e percebíamos que era de lá que saia nosso sustento” , recorda, ressaltando que o primeiro a se aventurar pelo curso de odontologia foi o irmão mais velho, Daniel Noleto o que desencadeou uma reação de cadeia.

Outra forte referência em sua memória era o uniforme do exército usado pelo pai, logo após ter se formado e assumido o posto de tenente dentista.

“Quando meu pai terminou a faculdade e começou a servir o exército como tenente dentista, morávamos em uma rua no bairro Santo Antônio conhecido por suas ladeiras enormes . E lá havia uma ladeira e a parada de ônibus ficava a uns 50 metros da nossa casa, toda vez que ele chegava do quartel, ficávamos ansiosos para pular no seu cangote e descer a ladeira pendurados igual a ‘macaquinhos’. A cena era hilária; Daniel numa perna, Danilo na outra e Diogo no colo, era os 50 metros mais felizes de nossa vida”, recorda o cirurgião.

Para José Pinheiro da Silva, o patriarca da família e responsável por essa formação de novos profissionais de odontologia, poder acompanhar os filhos seguindo seus passos é um motivo de orgulho. “Tenho uma trajetória baseada no profissionalismo e na seriedade e saber que influenciei positivamente cada um me deixa muito feliz. Não apenas por eles terem trilhado na mesma profissão mais também por ser fonte de inspiração para cada um” , observa.

obrigação é prejudicialAo contrário do caso da família Noleto, onde todos se sentem felizes por optarem pela profissão do pai, a psicóloga Karina Bessa conta que ainda é muito comum que os filhos sigam a profissão dos pais de forma obrigatória. Segundo ela, muitos pais sentem um desejo, até mesmo inconsciente, de que seus filhos, sua descendência, siga a sua trilha, e perpetue, de certa forma, não apenas o seu nome, mas, também aquilo que fez e prestou à sociedade.

“Por isso, é comum, percebermos que alguns pais convidam seus pequenos para acompanhá-los até seu ambiente de trabalho e isso, até certo ponto, é muito saudável. Até mesmo, porque aperta os laços da relação pai e filho” comenta.

Segundo ela, o importante é que os pais conversem com os filhos sobre as diversas profissões.

“É muito bacana que os pais convidem e levem seus filhos para conhecer seu ambiente de trabalho, que falem de como funciona a sua profissão, que comentem o quanto são felizes em realizar aquela profissão… Mas, outras profissões também podem ser trazidas à conversa em família”, aponta. Karina diz que muitos casos essa influencia acontece de forma velada imposta pelo próprio provedor da casa, que diz ao filho: "você não passou no vestibular da universidade pública, só pago uma faculdade para você se for de tal área.”

De acordo com ela, infelizmente, isso ainda acontece e os especialistas ainda se e deparam com vários desses jovens emocionalmente fragilizados em seus consultórios. “O importante é que os pais falem sobre suas profissões, falem sobre o quanto gostam de exercer aquela profissão e a razão pela qual se sentem felizes em exerce-la. Mas, que deixem seus filhos e livres para decidir que caminho trilhar. Em alguns casos, ajuda de um profissional da psicologia se faz muito bem vinda” , conclui.